Missionário aposentado o que eu faço com ele?
05/09/2026
Você já parou pra pensar que um dia o missionário se aposentará? Não há um “padrão” para isso, no sentido de que mulheres se aposentam aos 62 e homens aos 65, ou que precisa haver “x” anos de contribuição conforme as leis trabalhistas do Brasil. Não é sobre isso que estou falando. No contexto missionário, na grande maioria dos casos, os irmãos seguem em seus respectivos campos até os 70 anos, 80 e até mais que isso.
No geral, agências missionárias, e os próprios missionários, não se preocupam com o “final” do ministério. O que se ouve por aí, em relação a essa fase do ministério, são falas do tipo:
Nosso conselho vai suspender o envio das ofertas pro missionário João, porque ele saiu da aldeia, já tá velho, não consegue mais trabalhar.
Veja o tamanho do problema! Irmãos idosos, que passaram a vida toda no campo missionário, que nunca foram CLT, não acumularam FGTS, que muitas vezes não têm plano de saúde, nem recolheram INSS, agora, numa fase delicada da vida, estão à mercê do favor de alguns, sem lugar pra morar, sem condições de ter atendimento médico digno e sem uma renda mensal mínima, que lhes propicie uma velhice tranquila.
Na nossa agência missionária, o recolhimento do INSS é obrigatório. Além disso, encorajamos os colegas a terem também uma previdência privada. Essas ações, mínimas, já pavimentam o terreno para quando chegar o tempo de aposentadoria. Contudo a maioria das agências não faz isso. Outra dinâmica nossa é a contratação do seguro de vida, que é obrigatório. Se um dos cônjuges vier a óbito, o outro recebe o seguro. Os solteiros também o fazem, e podem colocar um dos pais, ou um dos irmãos, como beneficiário.
Tenho ouvido que determinada organização missionária está planejando construir uma vila com casinhas para seus missionários aposentados. Ouvi de outra que pretendia construir um prédio de apartamentos funcionais, adaptados para idosos, com a mesma finalidade. Um desses projetos já foi concluído, e que bom que já vemos alguém pensando nisso.
Em Números capítulo 8, há algumas instruções dirigidas aos levitas, determinando a idade com a qual deveriam iniciar (25 anos) e cessar (50 anos) suas atividades na tenda da congregação, contudo, eles deveriam auxiliar aqueles que os sucedessem. Fora essa menção, não vemos na Bíblia servos que tenham se aposentado. O que vemos são irmãos que a partir de seu chamado seguiram obedecendo a Deus até a sua morte, ou até que a sua saúde permitisse. Só que isso não quer dizer que devemos exigir que irmãos com idade avançada, e até mesmo com a saúde frágil, precisem continuar no campo pela motivação errada, a saber “se eu sair do campo, vou morrer de fome”.
Como Igreja, nosso papel não pode se pautar em normativas organizacionais, decisões de lideranças, ou quaisquer motivações que não sejam instruções bíblicas. Seguem apenas três exemplos.
Levíticos 19.32 “Diante das cãs te levantarás, e honrarás a presença do ancião, e temerás o teu Deus. Eu sou o Senhor.”
Salmos 71.18 “Não me desampares, pois, ó Deus, até a minha velhice e às cãs...”
Romanos 13.7 “Pagai a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem honra, honra.”
O que eu e você podemos fazer quanto a essa temática?
Membro da igreja: deflagre, intencionalmente, uma conversa sobre essa questão. Leve os irmãos a pensarem sobre isso e a se posicionarem. Membro de conselho missionário: discuta com os demais membros sobre como a igreja pode atuar diante dessa realidade e deixem propostas claras sobre a questão. Proponham que determinada verba seja direcionada para esse fim.
Pastor: traga esse tema para o conselho da igreja, incentive os irmãos a tomarem decisões proativas, que influenciem positivamente a vida de alguns missionários quanto a isso.
Outro líder da igreja local: converse com seus pares e apresente esse assunto como um importante tema a ser discutido, mas não deixe que fique apenas no campo das ideias. Incentive que se tomem atitudes específicas quanto à questão da aposentadoria dos missionários.
Enfim, cabe a mim e a você sermos agentes de mudança em nossas igrejas e presbitérios. Que honremos os nossos irmãos, que não os desamparemos. Devemos temer a Deus e proporcionar uma velhice digna àqueles que tão abnegadamente contribuíram para a expansão do Reino de Deus nos melhores anos de suas vidas.
Mônica Mesquita
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