A pedagogia divina
04/02/2026
A pedagogia divina - Quando Deus nos molda por meio de nossos fracassos
"Quando o viram andando sobre o mar, pensaram que fosse um fantasma. Então gritaram, pois todos o tinham visto e ficaram aterrorizados. Mas Jesus imediatamente lhes disse: “Coragem! Sou eu! Não tenham medo!” (Mc 6.49-50)
Creio que você já passou pela experiência de fracassar terrivelmente em uma situação aparentemente fácil. Tenho aprendido, ao longo de nossa caminhada missionária como família que, em alguns momentos, o nosso bondoso Pai nos permite fracassar, com um objetivo muito claro de nos ensinar algo. Nenhum de nossos fracassos pessoais e ministeriais ocorrem pelo simples acaso, antes eles cumprem um propósito “pedagógico” de Deus em nossas vidas, por mais que por vezes não percebamos.
Um dos textos bíblicos em que essa verdade se torna mais clara é o de Marcos 6.45-66, no qual Jesus anda sobre as águas. O relato bíblico é muito interessante: inicialmente vemos que foi o próprio Jesus que “insistiu com seus discípulos” para que eles entrassem no barco (v.45), mesmo que, curiosamente, ele permanecesse de fora (v.46). Naquela jornada marítima bastante conhecida (lembremos que muitos dos discípulos de Cristo eram pescadores profissionais naquele mesmo mar), eles foram surpreendidos por uma tempestade que os deixou apavorados (v.48). A despeito do fato, Jesus ainda demorou algumas horas até ir ter com eles (v.48b), mesmo vendo, do alto de um morro, a dificuldade enfrentada por seus amados discípulos naquele barco (v.48.a).
Depois desse duro período de espera, Jesus seguiu até o barco de uma maneira pouco ortodoxa – ele caminhou sobre as águas (v.49). Ao entrar no barco, tudo se transformou, os ventos cessaram, as ondam se acalmaram, e seus discípulos permaneceram completamente “atônitos”. É nesse momento do texto que encontramos uma informação muito valiosa: eles estavam atônitos “porque não tinham entendido o milagre dos pães. O coração deles estava endurecido” (v.52).
O texto anterior ao que lemos é o conhecido relato bíblico da multiplicação dos pães e dos peixes (Mc 6.30-44). Jesus sabia que os seus discípulos não haviam entendido uma verdade muito importante, a saber: Ele era o Senhor sobre todas as coisas. O primeiro problema enfrentado pelos discípulos foi a escassez de alimentos para alimentar uma multidão de mais de 5 mil pessoas. Ao realizar aquele milagre, Jesus os ensinou que ele era maior que pães e peixes, e que pode prover alimento para uma grande multidão. No episódio do barco, o recado é o mesmo, só que através de uma figura distinta. O problema agora é um mar revolto e a incapacidade de, a despeito do fato de parte do grupo ser composto de experientes marinheiros, manter o barco funcionando. Ao andar sobre as águas, Jesus declara aos seus discípulos que Ele é maior que “as muitas águas”. Aquilo que tanto lhes atemoriza é posto por estrado de seus pés.
Para mim é impossível, ao refletir sobre esse texto, não lembrar o que ensina o refrão do conhecido hino 254 de nosso hinário Novo Cântico: Sossegai.
Como disse no início deste texto: todos os nossos fracassos cumprem um propósito pedagógico. Deus está nos ensinando algo. Algumas vezes não só os mares precisam sossegar, mas também o nosso próprio coração.
A caminhada missionária da igreja é por vezes cheia de dificuldades. Muitas vezes fracassaremos. Devemos, contudo, recordar que nada em nossa vida, nem mesmo nossos fracassos, são inúteis. Jesus é um mestre excelente que nos ensina em cada passo da nossa caminhada.
O problema é que muitas vezes, ao chegar a bonança, nos esquecemos das lições aprendidas em alto mar. Voltamos a pensar que estamos no controle de tudo, e de que é por nossas capacidades que conseguiremos seguir adiante. No entanto, a vida cristã, seja nos mares revoltos ou na bonança, é um constante depender de Cristo, porque sem Ele nada podemos fazer. É aqui que outra vez me vem a memória o hino 254, agora em sua última estrofe: Mestre, chegou a bonança; Em paz vejo o céu e o mar!...
Que possamos ter o coração sensível à pedagogia divina, e assim aprender d’Ele em todo tempo. Assim, quer na época da bonança ou das tempestades, poderemos com fé afirmar nossa dependência daquele a quem até os ventos e os mares obedecem a voz.
Gabriel Neubarth
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