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Kelly Pires

16/01/2026

Ásia, janeiro 2026

Entre avenidas movimentadas e ruas estreitas, cheias de vida, percorro a cidade de Phnom Penh a bordo de um tuk-tuk. Com o passar dos dias, vou descobrindo as novas cores, cheiros e sabores dessa cidade e, assim, entrando no ritmo que a nova realidade me pede. O solo mudou, mas a semente  permanece a mesma: “A semente é a Palavra de Deus” (Lucas 8:11). E o chamado é seguir fazendo discípulos anunciando as boas-novas do Reino de Deus.

Logo nas primeiras semanas, matriculei-me em uma escola de khmer, idioma cambojano. Foram os primeiros contatos com os novos sons de uma língua diferente e um pouquinho complicada para nós, falantes de português. O Camboja tem uma cultura bastante hierarquizada: as pessoas recebem tratamentos diferentes de acordo com a idade, o grau de parentesco e a posição social. Isso se reflete diretamente na língua, pois logo nas primeiras aulas aprendemos como nos dirigir às pessoas conforme sua posição na família e na sociedade.

Além das aulas na escola, tenho sido acompanhada por uma professora particular, a N. Ela me ajuda na revisão, consolidação e prática do aprendizado. Além disso, tem me auxiliado a compreender melhor os cambojanos, explicando muitos detalhes e aspectos culturais. N. é budista e não tem conhecimento sobre a fé cristã. Em uma de nossas aulas, ela fez perguntas sobre a minha religião. Respondi a todas as perguntas, mas ela logo mudou de assunto. Ainda assim, disse que estava contente por nos conhecer, pois éramos muito amigáveis. No final do ano, o Pr. Edmar — amigo e colega de equipe — teve a oportunidade de explicar a ela sobre o Natal, e N. concordou em receber uma oração.

Falando em Natal, no mês de dezembro shoppings e lojas se iluminaram com decorações natalinas — uma novidade aqui no Camboja, que vem recebendo bastante influência ocidental. Para o cambojano, porém, trata-se apenas de uma celebração estrangeira e, portanto, de uma oportunidade para movimentar o comércio e lucrar. Em geral, as pessoas não conhecem as origens da festa; a maioria sequer sabe quem é Jesus. No entanto, o Senhor me concedeu a preciosa oportunidade de celebrar o Natal aqui com brasileiros, com nossa equipe missionária e com as igrejas locais. Fiquei maravilhada ao ver o empenho e a alegria dos nossos irmãos cambojanos, que aproveitaram a ocasião para convidar a vizinhança e compartilhar o Evangelho. Em uma das igrejas, inclusive, recebi um presente como sinal de boas-vindas!

Nesse final de ano, presenciamos tristeza, desânimo e indignação no rosto de muitos cambojanos. Talvez você tenha visto notícias sobre o conflito entre Camboja e Tailândia. Esse conflito tem raízes históricas e territoriais, especialmente em torno de áreas de fronteira e templos antigos. Disputas herdadas do período colonial, decisões judiciais internacionais e sentimentos nacionalistas de ambos os lados alimentaram tensões ao longo do tempo, resultando em confrontos e instabilidade. Várias vidas já foram perdidas nesse conflito e estima-se que cerca de meio milhão de pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas e terras para buscar refúgio em outras regiões. Muitas organizações tem se mobilizado para atender e socorrer as famílias refugiadas do Camboja. Atualmente busca-se estabilidade por meio de acordos diplomáticos, mas a tensão permance. Clamamos ao Senhor por misericórdia por ambos países.

Agradeço ao Senhor pelo bem-estar geral da minha família no Brasil e pelo apoio que eles têm me dado nessa mudança; também pelas igrejas e parceiros ministeriais que caminham comigo. Encontro-me bem de saúde e buscando adaptar-me a uma rotina diária de exercícios. A adaptação ao país tem sido tranquila; às vezes, sinto-me sobrecarregada pela novidade de estímulos e pelos esforços frequentes de usar diferentes idiomas e lidar com múltiplas culturas — do país, dos colegas de equipe, da escola e de outros contextos. Ainda assim, sigo sendo animada e fortalecida pelo Senhor.

Louve ao Senhor comigo:

• Pelo início das aulas de khmer;
• Pelas visitas às igrejas e ministérios;
• Pela celebração do Natal com a igreja, irmãos e amigos.

Por favor, ore comigo:

• Pelo processo de aprendizado do idioma, bom aproveitamento das aulas e dos recursos disponíveis;
• Pela adaptação e saúde;
• Por sabedoria e boa administração do tempo e das oportunidades.
• Pelo fim do conflito entre Camboja e Tailândia e pelas famílias refugiadas.

Obrigada pelo seu tempo de leitura e por participar comigo dessa jornada.

Se desejar entrar em contato, estou disponível no WhatsApp e Telegram (+55 31 992396842). Deus abençoe!

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