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A Igreja e o cumprimento da Missão

22/04/2024 03:00:00

A Igreja de Cristo é o resultado das profecias do Antigo Testamento, formando o novo Israel de Deus, o povo da nova aliança, identificando-se como o “remanescente fiel”. Não sem razão, Jesus Cristo envia os seus discípulos para realizarem sua missão em meio ao mundo. A partir do pentecostes, o historiador Lucas declara que a Igreja nasce no poder do Espírito Santo. Interessante observar que o conceito do termo “enviar” não é nem do Novo Testamento, nem do Antigo Testamento, exclusivamente, mas vem de fora, dos reis, que enviam mensagens para outros reis, pessoas, súditos, com o intuito de comunicar-lhes decisões ou informações que julgam necessárias.

Importante aplicação é que, em toda missão ou envio, primeiro vem aquele que envia, depois, aquele que recebe, depois, a mensagem enviada e, por fim o enviado que deve bem cumprir a sua missão.

Nesse sentido, exige-se de um mensageiro enviado que seja, ao menos, obediente e fiel, para bem executar a sua missão, visto que agindo assim dará sentido à sua função ou trabalho e, com isso, à sua vida, que nesse caso existe para fazer cumprir a vontade daquele que o enviou para levar a mensagem ao seu destino certo.

Devemos corrigir, antes de tudo, um equívoco quanto à missão dos enviados: a Igreja não tem uma missão – ir aos povos, ou às nações, ou a um lugar determinado, a Igreja é missão. Todos são chamados e enviados, e não somente alguns. A missão não pertence, por obrigação, aos “remunerados”. A missão de Jesus dada ao seu povo pertence a todos nós. O mundo é o campo e não somente determinados lugares estabelecidos como tal. Ser enviado e estar na missão são uma e a mesma coisa e, via de consequência, não existe nenhum discípulo de Jesus Cristo que não tenha sido enviado ao mundo para cumprir a missão. Atenção no que vou dizer: não existe uma adjetivação do substantivo “missionária” para a Igreja, como se pudéssemos dizer que tal igreja é uma Igreja “missionária”. Se uma determinada igreja não for missionária, essencialmente ela não é Igreja de Cristo em seu sentido mais profundo.

Em outros termos, a missão da Igreja é o resultado da própria missão de Deus. O missiólogo David Bosch afirma que o Pai enviou o Filho, e Deus, o Pai, e o Filho enviaram o Espírito, e que agora, o Deus Pai, Filho e Espírito, chama e envia a Igreja para dentro de sua própria missão. Ela cumpre a missão que não é dela, mas do Deus trino. Ela é composta de pessoas que reconhecem, cada qual a seu modo, que foram chamadas pelo Senhor e por Ele enviadas.

Ela recebeu gratuitamente esse chamado (graça) e, por isso, estende-o, também gratuitamente, aos demais. Evangelho, boa notícia do Reino, é a sua mensagem. Evangelho é o poder que não se guarda, mas se reparte, transmite-se. A Igreja não precisa sair daqui para acolá a fim de cumprir seu chamado, vocação e missão. Onde está ela se propaga e, com isso, ao Evangelho. Esse é o sentido do verbo “ide”. Não tem a ideia de sair de um lugar para ir a outro, mas de colocar-se a caminho na vida ordinária e comunicar a boa nova do Evangelho. Enquanto a Igreja caminha, ela estende a graça maravilhosa de Deus: o Evangelho. Por isso se expande, ou seja, faz discípulos que, por sua vez, reproduzem a mesma missão (fazer discípulos e ensiná-los). Evangelho não se guarda, transmite-se!

Portanto, do ponto de vista bíblico-teológico, a Igreja não tem existência própria, separada, ou autônoma, visto que ela não vive de si, ou para si, ou por si – três danosos equívocos para o sentido do ser Igreja – visto que ela é “enviada”, ou seja, vive para cumprir a sua missão, atender Àquele que a enviou, encontrar aqueles para os quais foi enviada, falar a mensagem que lhe está destinada proclamar e aproximar o Senhor da mensagem com aqueles que necessitam do evangelho da salvação.

Cumprir a missão significa não negligenciar tão grande salvação, conduzindo pessoas a Cristo e levando Cristo às pessoas, a fim de que se tornem discípulos e discípulas de Jesus, através de uma nova vida na dinâmica do Espírito Santo. Soli Deo Gloria!

Rev. Marcos Azevedo

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