Simonton, IPB e o foco da Grande Comissão
12/08/2025
A Grande Comissão, na tradição cristã, refere-se as últimas instruções dada por Jesus Cristo, aos seus discípulos para que eles espalhassem seus ensinamentos para todas as nações do mundo, a partir de Jerusalém. Além de Mateus 28.18-20, os outros textos da grande comissão são: Marcos 16.14-18; Lucas 24.44-49; João 20.19-23 e Atos 1.6-11. A origem do termo: A Grande Comissão é incerta, mas quem a popularizou foi missionário inglês do século XIX, Hudson Taylor, que serviu por mais de cinquenta anos na China. Portanto, tanto o desafio dado por Jesus à sua igreja, quanto o termo: A Grande Comissão surge dentro de um contexto de missão.
Podemos afirmar, que a Igreja Presbiteriana do Brasil tem uma ligação tríplice com o texto da Grande Comissão de Mateus 28.18-20. Primeiro, porque ele é um texto da Palavra de Deus e nós presbiterianos amamos a Bíblia como a Palavra inspirada de Deus e a nossa única regra de fé e prática. Aprendemos isso, creio na classe de catecúmenos. Essa é a ligação bíblico-teológica. Segundo, porque foi ouvindo um sermão sobre Mateus 28.18-20, na capela do seminário de Princeton, pelo seu professor de teologia Charles Hodge, que Ashbel Green Simonton, sentiu-se despertado por Deus para o trabalho missionário transcultural, definindo posteriormente, junto com sua missão o Brasil como campo de atuação, chegando aqui em 12 de agosto de 1859. Essa é a ligação histórica. Terceiro, porque a IPB é fruto da obediência à Grande Comissão. Toda igreja é fruto de missão. Somos o resultado direto da missão da igreja presbiteriana americana em cumprimento ao Ide de Jesus. Essa é a ligação missiológica.
Assim como todos os evangelistas se preocuparam em registrar as últimas palavras de Jesus na cruz, eles também se preocuparam em registrar as últimas palavras de Jesus após a sua ressurreição porque somos cristãos da sexta e do domingo, da cruz e do túmulo vazio, da morte e da vitória sobre ela. As últimas palavras de alguém são importantes e urgentes, as de Jesus muito mais. Suas últimas palavras estão diretamente ligadas com missão. Sobre o texto de Mateus 28.18-20, poderíamos discorrer várias páginas ou até mesmo um livro, porém, este artigo se concentrará apenas no foco Grande Comissão.
Encontramos três verbos: ir, batizar e ensinar que estão interligados com o verbo principal, que está no imperativo: Fazei discípulos. Portanto, o foco da Grande Comissão missão é fazer discípulos de Jesus de todas as nações, etnias da terra. O interessante é que Jesus não nos mandou somente para ganhar almas ou evangelizar. Ele nos mandou fazer discípulos para ele. Um discípulo de Jesus é aquele que está disposto a viver, sofrer e morrer por ele. Isso significa que não podemos desassociar a evangelização do discipulado e da plantação da igreja.
O processo de fazer discípulos de Jesus envolve primeiro um deslocamento geográfico, cultural e étnico. É preciso ir a todas as nações. Nem todos são chamados para serem testemunhas de Jesus em outras terras, mas aqueles que são chamados por Deus, aprovados, preparados e enviados pela a igreja e missão devem ser apoiados em oração e financeiramente por todos nós que amamos a Deus e sua missão. Não tem como fazer discípulos de todas as nações sem enviar missionários pelo mundo. Todavia, o ide também significa viver como um discípulo de Jesus onde estamos, seja na nossa casa, no nosso trabalho, no nosso condomínio ou no nosso lugar de estudo. Eu atravessei o oceano para fazer discípulos de Jesus na Guiné-Bissau, você talvez precise só atravessar a sua rua ou talvez nem isso, pois dentro da sua própria casa tenha pessoas que nãos sejam convertidas a Cristo ainda.
O processo de fazer discípulos de Jesus também envolve ensinar todas as coisas que ele deixou. Ensinamos o que Jesus mandou e não tradições humanas, como Paulo disse: “Todo o desígnio de Deus”, e como os reformadores afirmaram: “Tota Escritura e Sola Escritura, toda a Bíblia e só a Bíblia. Ensinamos todas as coisas agradáveis e desagradáveis aos olhos dos homens, por exemplo; Deus perdoa os nossos pecados em Cristo, mas somos chamados a tomar a cruz e seguir a Jesus como seu discípulo. Por isso, não fique só no “Jesus te ama”. Por fim, é necessário ensinar a Palavra de Deus para que haja obediência a Cristo, pois sua Palavra tem que ser guardada no coração, isto é; praticada pelo discípulo, pois este é o teste do amor a Jesus: “Aquele que me ama guarda os meus mandamentos, disse Jesus.”
O processo de fazer discípulos de Jesus também envolve o batismo, isto é; o ingresso na igreja visível de Cristo, numa comunidade local de discípulos a fim de que este adore a Deus, tenha comunhão com outros irmãos, cresça na fé e sirva a Deus no mundo conforme os dons espirituais dado pelo Espírito Santo para edificação do corpo de Cristo e a glória de Deus. A fé cristã é vivida em família, na presença de Deus e de seu povo. Portanto, não existe cristão ou discípulo de Jesus sem igreja, desagregado ou virtual. As figuras que a Bíblia usa para a igreja é sempre coletiva: Um corpo sob uma cabeça, uma nação sob um rei, um rebanho sob um pastor, um edifício sobre uma pedra angular, ramos ligados ao pé de uva e assim por diante. Portanto, a plantação de igrejas é fundamental na missão. Uma igreja plantada no meio de um povo é o meio mais eficaz para que o evangelho permaneça por gerações futuras.
Alguém pode perguntar: Qual é o lugar, então, da ação social na missão ou numa linguagem bíblica: boas obras (atos de misericórdia)? Como já vimos, o cerne, o foco da missão é pregar o evangelho, é fazer discípulos de Jesus e plantar igrejas que plantem novas igrejas. Se não fizermos isso, estamos perdendo o foco da missão. Porém, como cristãos que amamos a Deus e ao nosso próximo, procuramos demonstrar este amor não somente com palavras, mas sobretudo com ações a exemplo de Jesus, que alimentou famintos, curou doentes e libertou cativos de Satanás. Só que isso é a prática do amor, não é a pregação, a articulação clara do evangelho propriamente dita, que fala da vida, da morte, da ressurreição e da vinda de Jesus, que sempre tem que ser feita com palavras até a volta de Jesus.
A prática de boas obras pode abrir portas e preparar corações para o evangelho, mas a motivação principal para elas não é a evangelização, mas o amor. Segundo a Confissão de Fé de Westminster: “As boas obras adornam a profissão do evangelho, fecha a boca dos adversários e glorificam a Deus”, porém, não são em si mesmas o foco principal da missão da igreja como não foi para Jesus. Porém, no seu devido lugar e com a motivação correta, elas fazem parte do evangelho e têm a sua devida importância.
Quando surgiu a necessidade real de socorrer as viúvas dos judeus de fala grega, os apóstolos reconheceram a sua importância e escolheram pessoas capazes para esta obra, mas eles se concentraram na prioridade da oração e da pregação. Esse é um bom parâmetro para nós. O foco principal da igreja é a pregação do evangelho e o discipulado das nações. Mas diante das necessidades humanas, o amor nos motiva a agir. Em que área social sua igreja tem trabalhado? Aconselhamento de mães que têm filhos nas drogas, reforço escolar, distribuição de cestas básicas para famílias em situações de risco, distribuição de medicamentos sob receita para pessoas que não podem comprá-los.
Destacamos neste artigo o foco da Grande Comissão que é fazer discípulos de Jesus de todos os povos da terra. Essa tarefa é desafiadora para a igreja, porém, na sua realização ela conta com a maravilhosa presença de Jesus com ela no poder Espírito Santo: “Eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” O que você pode fazer para participar ativamente dela? Ore pelos missionários e pelo o avanço do reino de Deus no mundo. Ore pela sua igreja e por você para que cada membro seja uma testemunha de Jesus na sua casa, no seu trabalho e escola. Coloque sua vida a disposição do Senhor para que ele te use conforme os dons dados por ele na igreja local, no mundo e quem sabe como um missionário em outro país ou em outro lugar do Brasil.
Ainda prosseguindo nesta linha de envolvimento missionário: Invista no reino de Deus através da fidelidade nos dízimos e da generosidade nas ofertas missionárias. Colabore para que sua igreja seja acolhedora e ensinadora para com os que se achegam a ela. Seja exemplo e prepare essas pessoas para viverem e servirem a Deus como discípulos de Jesus no mundo. Procure crescer na fé cristã, no uso sábio da internet e das mídias sociais para proclamar Cristo e dar um bom testemunho de cristão. Informe-se mais sobre o trabalhe da APMT, leia a revista Alcance e mantenha contatos com os missionários, encorajando-os e os convidando para conferências missionárias e visitas as igrejas. Participe de conferências e viagens missionárias de curto prazo. Pastores, presbíteros, diáconos e líderes em geral, pastoreiem o rebanho com amor, ensine ele na Palavra de Deus e na visão missionária. Por fim, que Deus nos abençoe e nos dê a graça de glorificar o seu nome e proclamá-lo ao mundo em cumprimento a grande comissão. Amém.
Rev. Paulo Serafim
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