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A Missão será cumprida

01/04/2024 03:00:00

Todos os dias missionários e igrejas lidam com situações complexas, sem resposta fácil ou, às vezes, viável.

Encontramos na Palavra afirmações que nos levam a caminhar com paz e alta expectativa sobre o que Deus há de fazer.

Uma dessas maravilhosas afirmações se encontra em Mateus 24:14, onde lemos que “... este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”. Trata-se da resposta de Jesus à pergunta dos discípulos sobre os sinais que antecederão o fim. Jesus, assim, fala sobre sinais cosmológicos, como guerras, conflitos, terremotos e fomes (Mt 24:5-7). Menciona também sinais eclesiológicos, como perseguição, escândalos e falsas profecias (Mt 24:9-12). Por fim, apresenta um sinal missiológico no verso 14, a pregação do evangelho em todo o mundo.

Há cinco grandes verdades nessa afirmação de Jesus:

1. A missão será cumprida!

Jesus não apresenta uma possibilidade, mas uma certeza. É possivelmente por isso que, quando o povo de Deus se põe a evangelizar, coisas surpreendentes acontecem. Devemos observar que no contexto do cumprimento final da evangelização mundial, Jesus afirma que o mundo estará em crise devido a guerras, terremotos, divisões e ódio; e a Igreja se encontrará fragilizada pelas perseguições, escândalos, iniquidade, falsas profecias e falta de amor (Mt 24:5-6; 9-12).

É um quadro terrível, de profunda crise no mundo, bem como fraqueza e confusão na Igreja. E será nesse contexto caótico que o povo de Deus cumprirá a missão. A Igreja será odiada e perseguida, mas não fracassará. O ambiente será quase insuportável, mas a obra será cumprida. Essa afirmação nos leva a entender que a missão será cumprida pelo poder de Cristo e não pela força humana, pelos atributos de Deus e não pela liderança dos homens, para a eterna glória de Cristo e não para a exaltação da Igreja.

2. A segunda verdade revela aquilo que será pregado: “... este evangelho do Reino”.

John Stott afirma que ser cristão não é apenas seguir um sistema intelectual (credo), comportamental (ética), ou cerimonial (culto). Ser cristão é seguir a Cristo. O Cristianismo não é um sistema religioso, mas uma pessoa: Deus encarnado, Senhor sobre todos e Salvador de todo aquele que crê.

Um alerta! Conhecemos a Cristo pela Palavra. Buscar a Cristo sem a Palavra é caminhar sem luz. Devemos desconfiar de qualquer ensino cristão que não seja centrado na Palavra e à luz de toda a Palavra. Cristo sem a Palavra não é verdadeiro Cristianismo, mas misticismo.

3. O evangelho será conhecido pela pregação e pelo testemunho.

Há duas palavras gregas que andam de mãos dadas no Novo Testamento. A primeira é kerygma (proclamação) e a segunda martyrion (testemunho). Ambas aparecem nesse verso 14, defendendo que o evangelho do reino alcançará o mundo por meio das palavras, quando associadas a uma vida santa de testemunho. Devemos falar e também viver. Pregar e ter vida compatível com a nossa pregação. Não podemos deixar de falar, mas sabendo que a pregação sem vida não passa de palavras vazias.

Curiosamente, o capítulo anterior (23) trás uma condenação de Cristo aos escribas e fariseus, chamados repetidas vezes de hipócritas. Jesus condena aqueles que sabem a doutrina, mas não a vivem. Os que pregam a Palavra, sem aplicá-la aos seus próprios corações. Aqueles que oram e jejuam, mas o fazem para serem reconhecidos como piedosos, e os que se expõem publicamente apenas para serem bajulados. A esses religiosos, guiados pelo ego e por outros interesses, e não pelo evangelho, Jesus os chama de hipócritas, sepulcros caiados, cegos, guias de cegos, insensatos e raça de víboras.

4. O evangelho alcançará “...todo o mundo” e “...todas as nações”.

O termo grego traduzido por “nações” (ethne) refere-se a grupos socioculturais, não países. Assim, o evangelho deverá alcançar todos os povos e grupos socioculturalmente definidos no mundo.

Pela graça e força de Deus, o evangelho tem se espalhado de forma incrível nas últimas décadas. Há, porém, cerca de 7.000 povos ainda não alcançados no mundo, dentre os quais 3.000 não possuem qualquer iniciativa evangelizadora entre eles. Quanto à tradução bíblica, mais de 1.300 línguas continuam sem nenhuma porção bíblica em seus idiomas. Em todo o Brasil, há 99 grupos indígenas sem atuação missionária e estima-se que 10.000 comunidades ribeirinhas, 6.000 assentos sertanejos e 2.000 comunidades quilombolas não possuem uma igreja evangélica entre eles. Em alguns estados brasileiros, menos de 2% dos surdos se declaram crentes no Senhor Jesus e há um número crescente de imigrantes pouco ou não evangelizados. Além disso, 700 mil ciganos brasileiros não conhecem a Cristo. Temos grandes oportunidades e também grandes desafios em nossa geração.

5. A quinta verdade na afirmação de Cristo é que “... então virá o fim”.

Aponta para a Sua volta, a parousia. Esse será um dia maravilhoso e igualmente terrível. Maravilhoso, pois Jesus se revelará de maneira que todo olho verá, levando a Sua igreja para a casa do Pai (1 Ts 4:16-17). Mas será também um dia terrível, pois dois estarão em um campo, um será deixado e o outro será levado. Dois estarão em uma cama, um será deixado e o outro será levado (Lc 17:34-35).

Não sabemos o dia ou a hora. E não sabemos se a vinda de Cristo ocorrerá imediatamente após a evangelização do mundo ou depois de algum tempo. Sabemos, porém, que Ele voltará!

Essas cinco verdades são um chamado para todo aquele que ama e segue a Jesus. Um chamado a nos envolvermos com a proclamação do evangelho, seja perto ou longe, com tudo o que somos e tudo o que temos. Façamos isso com grande expectativa e paz, e também com profunda convicção de que a missão será cumprida, para a alegria dos homens e a glória de Deus.

Rev. Ronaldo Lidorio

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