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Biografias

Francis e Edith Schaeffer

2024-01-11T03:00:00.000Z

A comunidade L’Abri (“o abrigo”) começou na Suíça em 1955, quando Francis e Edith Schaeffer decidiram abrir sua casa para que jovens pudessem encontrar respostas satisfatórias às perguntas que faziam, e para que vissem uma demonstração prática dos cuidados de Jesus Cristo ali, vivendo com eles em família. Foi chamado L’Abri por ser um abrigo contra as pressões de uma época implacavelmente secular.

Johanna foi para L’Abri em meio a uma crise espiritual. Apresentada à Edith, esta lhe expõe o Evangelho depois de ouvir sua história, respondendo às dúvidas de Johanna. Elas oram juntas e Edith a presenteia com o Evangelho de João: “Johanna, aproveite os dias que você passará aqui para ler e meditar neste Evangelho. Mais uma coisa: quando você ouvir aquelas vozes más e chamar as vozes boas para lhe ajudar, bem, eu queria que você orasse pedindo que Jesus lhe mostre a verdade que você não vê”.

Johanna era uma famosa parapsicóloga, reconhecida internacionalmente, e requisitada por personalidades do mundo inteiro. Certa vez, chamada a participar de uma sessão de cirurgia mediúnica, viu médiuns que se davam as mãos ao redor da mesa de cirurgia e que falavam em línguas incompreensíveis, enquanto os “médicos” deveriam operar o paciente. Sem conseguirem incorporar nenhuma entidade médica, uma daquelas pessoas que orava, disse: “Alguém está impedindo a manifestação do espírito do Dr. Fulano... E ele me disse que é você”, e apontou para ela. Surpresa, saiu dali. Pela primeira vez, ela se questionou por que estaria impedindo uma manifestação de um espírito. Tentou ainda participar de outras sessões de incorporação, mas sempre sem sucesso. Conversou com outros parapsicólogos ouvindo as mais diversas explicações, mas nenhuma a satisfez. Johanna fora atingida em sua vaidade e perdera a sensação de controle que, até então, ela tinha da sua vida. Lembrou-se de uma amiga que, um dia, falara sobre Jesus. Essa amiga estava morando em L’Abri, na Suíça. Telefonou e contou tudo o que havia acontecido. Antes de desligarem o telefone, sua amiga lhe propôs que viesse a L’Abri, porque lá era um lugar onde poderia encontrar pessoas dispostas a responder suas perguntas e ajudá-la. Ela foi.

Depois de receber o Evangelho de Edith, Johanna precisou sair de L’Abri para fazer compras na cidade. Em determinado momento, aquela sensação ruim, aquele medo, o pavor que sempre a acompanhava, as vozes más que a atormentavam... tudo isso se aproximou dela mais uma vez. Como sempre fazia, chamou pela presença reconfortante e libertadora dos seus “anjos protetores”. Então, uma paz maravilhosa a invadiu e, imediatamente, pôde sentir seus opressores indo embora. Mas veio-lhe à mente a imagem de Edith e o que elas haviam concordado em fazer. Estava tão bom, tão agradável aquele momento, que Johanna não queria atrapalhar por causa de uma tolice: “Peça para Jesus lhe mostrar a verdade que você não vê”. Essa frase de Edith, entretanto, ia e vinha insistentemente como as batidas de um martelo irritante. “Por que não?”, pensou. Ela encostou o carro fora da pista, fechou os olhos e orou: “Jesus, se há uma verdade que eu preciso conhecer nisso tudo, mostra para mim”! De repente, ela sentiu que alguma coisa acontecera. As vozes e a presença dos seus “anjos protetores” reagiram àquela pequena oração. Ela levantou o rosto e pôde ver que, finalmente, os seus “anjos” se revelavam a ela: eram lobos com suas bocas ensanguentadas e ela pôde ver centenas deles, na floresta, olhando para ela. Apavorada, ligou o carro e retornou para L’Abri, chorando e repetindo por todo o caminho: “Jesus, Jesus, me perdoa. Eu não sabia o que eu estava fazendo por toda a minha vida”!

O casal Schaeffer aceitou o desafio missionário de pregar à própria geração, recebendo em L’Abri alunos de várias culturas de todo o mundo, que iam para ouvi-los defender o Evangelho dando “respostas honestas a questões honestas”.

“Edith e eu nos dedicamos a Deus com um propósito. Não desejávamos iniciar um ministério evangelístico, [tampouco] um ministério entre jovens, ou para intelectuais ou na área de dependentes de drogas. Nós simplesmente nos oferecemos a Deus e pedimos que ele nos usasse para demonstrar que ele continua existindo na nossa geração. Isso é tudo que L’Abri representa; foi assim que tudo começou” – Francis Schaeffer.

Rev. Fábio Ribas

Cipriano de Valera e João Ferreira de Almeida

2023-10-29T03:00:00.000Z

Servos ordinários nas mãos de um Deus extraordinário
A história de como Deus usou um “Idoso Espanhol” e um “Jovem Português”"para que o Brasil pudesse ouvir Deus falar em seu próprio idioma.

Quando os apóstolos pregavam no Novo Testamento, seus sermões eram cheios de citações do Antigo Testamento. Em Atos 13 podemos ver, por exemplo, Paulo pregando em Antioquia e citando o Salmo 16 escrito muitos séculos antes pelo rei Davi. A maneira como Paulo descreve a vida do grande rei de Israel nessa passagem é muito interessante. Davi serviu a sua própria geração pela vontade de Deus. Davi, homem segundo o coração de Deus, mas visivelmente “quebrado” por suas limitações, é um exemplo vivo de como um Deus extraordinário usa servos ordinários para a sua própria glória.

No início do século XVI, nascia na pequena vila de Valera la Vieja (Espanha) um homem chamado Cipriano de Valera. Valera foi um dos reformadores espanhóis do século XVI, perseguido pela Inquisição por sua fé em Cristo. Fugiu do monastério de San Isidro para a Genebra de Calvino e, alguns anos depois, foi para a Inglaterra, onde acabaria se casando, servindo como pastor e professor e, enfim, partindo para o Senhor provavelmente no ano de 1606. Seu grande legado foi a edição final da primeira Bíblia em Espanhol “La Bíblia del Oso”.

No exílio, esse servo de Deus começou a escrever livros para ajudar os seus irmãos na Espanha. Já perto do final de sua vida, ou seja, quando já tinha uma idade bastante avançada, ele escreveu “Os dois tratados” que versavam sobre como o governo do Papa e a instituição da missa estavam em dissonância com o ensino da Escritura sobre esses temas. Foi um dos anexos desse livro que por seu teor evangelístico seria transformado posteriormente no folheto “A diferença da cristandade”, que passou a circular na península ibérica como meio de divulgação da fé reformada.

Anos depois, uma cópia desse folheto, por divina providência de um Deus extraordinário, viria a cair nas mãos de um jovem português, nascido em Torre de Tavares, no ano de 1628. João Ferreira de Almeida teve acesso ao “folheto” escrito por Valera, que já tinha morrido décadas antes de seu nascimento. Foi por meio daquelas palavras, escritas muitos anos antes, por alguém que ele não conhecia, que Deus transformou o coração daquele jovem, dando-lhe entendimento da graça salvadora e da necessidade do arrependimento de seus próprios pecados.

Desejando que seus compatriotas de fala portuguesa tivessem a Bíblia em seu próprio idioma, Almeida dedicou anos de sua vida a traduzir a Bíblia ao português, enquanto servia como missionário na Ásia (Indonésia e Siri Lanka). A Bíblia que temos hoje em nossas mãos é fruto do trabalho daquele homem de Deus, um calvinista convicto, um biblista apaixonado, mas sobretudo um servo ordinário.

As histórias de Valera e Almeida nos ensinam algo muito importante sobre como Deus usa pessoas ordinárias com fins extraordinários. Eles “serviram a suas gerações pela vontade de Deus” e, como Davi, foram usados por Deus para a edificação de outros muitos séculos depois. Valera morreu sem saber que uma parte de seus escritos seria um instrumento de Deus para alcançar aquele jovem português, já Almeida morreu sem ver a sua tradução bíblica sendo difundida às nações de língua portuguesa. Não obstante, foi porque Deus usou um Valera e um Almeida, há muitos séculos, que eu e você podemos ler a Palavra de Deus no Português tupiniquim da nossa “terra brasilis”.

Em meio a uma geração em que tantas pessoas buscam ser famosas e extraordinárias, devemos recordar que somos somente “servos ordinários nas mãos de um Deus extraordinário”, e que devemos continuar servindo com fidelidade a “nossa própria geração pela vontade de Deus” sabendo que servimos “Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós” (Efésios 3.20). O Deus que usou um idoso espanhol e um jovem português para que nós, cristãos brasileiros, pudéssemos ouvir Deus falar em nosso próprio idioma continua trabalhando no mundo. Ele quer usar você, e Ele é um Deus extraordinário.

Porque Davi, depois de servir a sua própria geração pela vontade de Deus, adormeceu, foi sepultado com os seus antepassados, e seu corpo se decompôs. Atos 13.36

Rev. Gabriel Neubarth

Margaret e Minka - Arautos de Vida

2023-08-28T03:00:00.000Z

Durante a COVID-19, vimos surgir o ato heroico e sacrificial de milhares de profissionais de saúde que doaram suas vidas no front dessa batalha para garantir assistência médica a tantos enfermos ao redor do mundo. A Igreja de Cristo sempre foi marcada pelo serviço de assistência médica em toda sua história, desde seu nascedouro, assim, muitos missionários se lançaram ao trabalho de evangelismo e discipulado por meio dessa ferramenta, que ganhou tanto destaque para nossa geração, nos últimos dois anos, por causa dessa pandemia. Há uma nuvem de testemunhas de missionários da área da saúde e eu quero trazer à lembrança duas dessas corajosas mulheres, Margaret e Minka, porque elas são vidas que inspiram.

Pol Pot (1925-1998) foi um ditador comunista no Camboja, líder do “Khmer Vermelho”, um governo que assassinou um quarto da sua população. Foi um regime cruel e sanguinário, que deixou marcas profundas no povo até os dias de hoje. Antes de seu governo ser derrubado, em 1979, pelo Vietnã, a Tailândia (antigo Sião) sofria as pressões e ataques desses dois países e também recebia um número enorme de refugiados vietnamitas e cambojanos. Por tudo isso, não é difícil concordar com Michael e Sharon Rusten, quando eles escreveram que “a Tailândia era um lugar difícil para ser missionário em 1974”. Pois foi nesse contexto, de violência e miséria profundas, envolvendo a região de fronteira do Camboja, Laos e Tailândia, que se deu a heroica história dessas duas missionárias, a britânica Margaret Morgan e a holandesa, naturalizada neozelandesa, Minka Hanskamp. Elas eram enfermeiras trabalhando pela OMF (Overseas Mission Fellowship), num hospital cristão. Quem fundou a OMF foi o conhecido missionário James Hudson Taylor (1832-1905), em 25 de junho de 1865. Ela surgiu como a “Missão para o Interior da China”, mudando seu nome para OMF em 1964, que foi quando a Missão se abriu para ter obreiros missionários do próprio Sudeste Asiático e fazer parceria com as igrejas cristãs locais.

A Guerra do Vietnã já se arrastava por quase 20 anos, e só terminaria no ano seguinte, em 1975. Minka já trabalhava no sul da Tailândia há 16 anos e Margaret, há 9 anos. Especialmente, elas trabalhavam no tratamento dos leprosos e isso envolvia cortar a carne apodrecida, tratar as feridas que exalavam um cheiro horrível e também lavar os pés de muitos leprosos. Em 20 de abril de 1974, elas foram chamadas para o sul da Tailândia, para tratar os pacientes que lá se encontravam, contudo era uma armadilha. Dez dias depois, o representante da OMF recebeu duas cartas, uma das missionárias e a outra dos sequestradores que eram muçulmanos. Eles exigiam meio milhão de dólares como resgate e também que a OMF enviasse uma carta a Israel em favor dos direitos dos palestinos. Na carta das missionárias, ambas afirmavam que haviam sido sequestradas pelas pessoas da selva, mas que elas estavam bem. Num dos momentos mais delicados da história da OMF, era preciso tomar uma decisão.

A história de Minka e Margaret, que parece tão distante de nós brasileiros, se aproxima dramaticamente, especialmente dos leitores presbiterianos, pois Minka era a irmã mais velha da esposa do Rev. Frans Leonard Schalkwijk.

Deixo aqui as palavras dele: “Uns seis meses se passaram com umas notícias breves. No que provou ser a última cartinha, a Minka citou Habacuque: ‘Ainda que a figueira não floresça,... todavia eu me alegro no Senhor’ (Hc 3.17-19). Depois, houve meio ano de profundo silêncio, até que um telefonema da Nova Zelândia nos informou que os restos mortais das moças tinham sido encontrados; morreram com uma bala na nuca. Quando foram sepultadas, ao lado do hospital da Missão em Saiburi, muitas moças da nação Thai se apresentaram para servir na enfermagem, o que nunca tinha acontecido antes. Anos depois, um dos guerrilheiros contou que seu grupo tinha ficado impressionado com a paz que elas tinham, quando souberam que iam ser mortas. Somente pediram licença para lerem a Bíblia e orarem”.

Margaret e Minka foram martirizadas, mas proclamaram o evangelho de Jesus no sudeste asiático. Elas foram “arautos de vida”. Ore para que você também seja um arauto do Evangelho, com a sua vida, a serviço do próximo, para a glória de Deus!

Rev. Fábio Ribas

Andrew Gordon

2023-07-01T03:00:00.000Z

Será que aquele estudante que se esforçava tanto, enquanto trabalhava arduamente para ajudar no sustento de sua família, imaginava o que Deus lhe reservara para o futuro? Nascido em Putnam, em 1828, Condado de Washington, o pequeno Andrew era o quinto filho do Rev. Alexander, pastor da Igreja Presbiteriana Unida. Sua mãe, Margaret, faleceu quando ele tinha apenas quatro anos, e seu pai veio a óbito quando Andrew tinha dezessete anos. Sua infância e juventude não foram fáceis, mas aquele menino venceu todos os obstáculos que a vida lhe apresentou, até que em 25 de setembro de 1850, conseguiu se formar no Franklin College, New Athens, em Ohio.

Ainda antes de se formar no Seminário Teológico em Canonsburg, Pensilvânia, mais precisamente em 18 de maio de 1852, Gordon se casou com Rebecca Campbell Smith e, em 1953, tiveram sua primeira filha. No ano seguinte, o Presbitério, reunido em Pittsburgh, escolheu Andrew Gordon e mais um outro jovem para assumirem a responsabilidade de juntos pregarem o evangelho no norte da Índia. Você acha que foi fácil? Grandes desafios estavam por vir. O primeiro deles é que o outro jovem designado para a missão desistiu. E isso trouxe grandes dúvidas para Andrew. Uma insegurança tomou conta de seu coração e ele relutou em ir adiante. Porém, quando Deus chama é irresistível, não é mesmo? Andrew Gordon seguiu com sua esposa e a pequenina Ellie, de apenas dois anos de idade, para o seu campo missionário transcultural. Ele narra que a viagem dos Estados Unidos para Calcutá, na Índia, fora tão longa e tediosa, que a pequena Ellie “ficou maior que suas roupas”.

Depois de cinco meses de viagem pelo mar, a família chegou em Calcutá, no dia 13 de fevereiro de 1855. Eles ainda enfrentariam uma longa viagem de carroça até a cidade escolhida como base para iniciarem a Missão, Lahore, que estava situada há mais de 2.000 km de Calcutá. O leitor mais atento em história e geografia já deve ter percebido que não estamos falando da Índia, mas do que hoje é o Paquistão, surgido apenas após a Segunda Grande Guerra Mundial. Sim, o nosso bom Deus usou a família Gordon para, juntamente com outros missionários, na região do Himalaia, expandirem o trabalho de Lahore até Sialkot, ambas cidades na região de Punjab, atual Paquistão.

Enviado pelo Sínodo Presbiteriano Associado, que em 1858 passou a fazer parte da Igreja Presbiteriana Unida da América do Norte, o Rev Andrew Gordon estava imbuído do mesmo espírito que animava Ashbel Green Simonton no Brasil: criar uma denominação para os nacionais. Rev Andrew, que chegara na Índia com 27 anos, dez anos depois retornou por questões de saúde. Durante uma década, não deixou de trabalhar arduamente em missões na América do Norte para, então, aos 47 anos, retornar à Índia. De 1875 até 1885, ele se fixou na cidade de Gurdaspur, também na região do Punjab. Nesse período, ele trabalhou para colocar o livro de Salmos na língua nativa, não somente isso, mas dedicou-se a colocar os Salmos para serem cantados no estilo musical da cultura local.

Acredito que a grande diferença do trabalho missionário do Rev. Andrew Gordon foi o seu investimento na formação bíblico-teológica dos nacionais, formando liderança para a igreja nacional. Dos três primeiros convertidos - um indiano de alta casta, um indiano analfabeto e muito pobre e um outro muçulmano - até os grandes movimentos de conversão em massa, a partir de 1873 foi organizado o Sínodo do Punjab, da Igreja Presbiteriana Unida, e fundadas muitas escolas para formação de professores nacionais para trabalharem juntamente com missionários estrangeiros, além da abertura de muitos orfanatos e obras de assistência social.

Em 1885, por causa da saúde de uma de suas filhas, ele retorna mais uma vez aos Estados Unidos, onde completa o seu livro “Nossas Missões na Índia”, vindo a falecer em 1887. Rev Andrew Gordon foi um homem perseverante e um servo usado por Deus para o plantio e crescimento da atual Igreja Presbiteriana no Paquistão.

Rev. Fábio Ribas

Perpétua e Felicidade - Senhora e Escrava, mártires por Cristo!

2023-04-01T03:00:00.000Z

Perpétua e Felicidade, especialmente, marcaram a memória da Igreja Cristã, porque seus sentimentos, reflexões e angústias foram registrados em diários escritos por Perpétua durante a prisão. Perpétua era nobre, de família aristocrática, seu pai esperava que sua filha cuidasse dele e se casasse, honrando, assim, o nome da família. Eram essas as expectativas quanto às filhas naquela sociedade romana. Contudo, Perpétua, em nome da fé, posiciona-se contra as tradições familiares. Já presa, seu pai vai visitá-la, buscando dissuadi-la daquela postura, mas seus apelos são em vão. Em seus diários, ela narra que, diante de sua resoluta decisão, seu pai a espancou ali mesmo, avançando sobre ela. “Ele avançou contra mim, como se fosse me arrancar os olhos”, escreve a jovem. Nem isso a fez retornar. “Você nos destruirá a todos nós”, bradava seu pai contra ela. “Pai, como se chama esta vasilha que há aí na frente?”, indagou Perpétua. “Uma bandeja”, ele respondeu. “Pois bem, essa vasilha deve ser chamada de bandeja, e não de pote ou colher, porque é uma bandeja. E eu que sou cristã, não posso me chamar pagã, nem de nenhuma outra religião, porque sou cristã e o quero ser para sempre”.

Aquela jovem de apenas 22 anos de idade havia tido um filho recentemente e seu pai vê nisso uma oportunidade de mudar a decisão de sua filha. Ele ameaça não trazer a criança para que Perpétua a pudesse amamentar, mas os rogos e apelos para que seu pai não entregasse seu filho à morte, finalmente surtem efeito e essa criança é trazida à prisão para que ela a pudesse amamentar. “Desde que tive meu pequenino junto de mim, aquilo não me parecia uma prisão, mas um palácio, e me sentia cheia de alegria. E o menino também recobrou sua alegria e seu vigor”, escreveu a jovem mãe.

Contudo, nem a maternidade foi usada por Perpétua como algo a se colocar entre ela e Jesus. Isso marcou um dos instrumentos de tortura usados contra ela. Além de quebrar a tradição familiar, essa aparente rejeição da maternidade – pois ela entrega seu bebê aos cuidados de sua mãe – é um escândalo para a sociedade romana de seu tempo, que a leva à arena para ser pisoteada por uma vaca. As vacas selvagens eram para os romanos como símbolo de um estado natural caído, pois as vacas leiteiras eram aquelas que, ao contrário, não rejeitavam amamentar seus filhos. Os romanos viam em Perpétua uma mulher igual a uma vaca selvagem, renegando sua missão e retornando à natureza vil. Mas Perpétua não estava sozinha naquela arena. A seguia sua escrava, Felicidade que, quando presa, estava grávida de oito meses. Felicidade temia que, ao serem ambas condenadas às feras, ela não pudesse acompanhar sua senhora, por causa da gestação. Todavia três dias antes de serem mandadas à arena, Felicidade deu à luz uma menina que foi adotada por uma mulher cristã.

O diário de Perpétua foi escrito até o último dia de vida dela. E foi na prisão que as duas foram batizadas, sustentando, diante de todos, uma vida de oração e testemunho. Pouco se sabe sobre o marido de Perpétua, mas, provavelmente, era um romano pagão que, diante da postura tomada por sua esposa, afastou-se para não ser condenado com ela. O que é certo é que elas abriram mão de uma vida estável e de conforto e segurança num lar, com suas famílias, e decidiram morrer por Cristo. Os pontos controversos da vida da jovem Perpétua se devem às descrições de sonhos e revelações em seus diários, mas não podemos esquecer as pressões terríveis e o abuso psicológico que ela sofreu.

As cenas finais de seu martírio constituem uma das peças mais terríveis da História da Igreja Cristã. Os testemunhos dados sobre aquele dia narram que os homens foram mortos primeiro, pelo ataque de leopardos na arena. E Perpétua e Felicidade, pisoteadas pelas vacas selvagens, cobriam seus corpos, tentando esconder a nudez e o leite que se derramava dos seios das duas, pisoteadas diante de um público sádico e violento. Ambas morreram decapitadas. Esse foi o pedido do povo que se encontrava ali, quando soube que elas haviam sobrevivido ao ataque das vacas selvagens. Duas mulheres, duas realidades sociais tão diferentes, mas unidas na nova vida em Cristo e no martírio pelo Evangelho.

Rev. Fábio Ribas

Policarpo de Esmirna - Mártir ancião levado ao fogo

2023-03-01T03:00:00.000Z

Naquela arena, um homem de mais de 86 anos de idade se via amarrado na estaca, enquanto o procônsul romano repetia: “Confesse que só César é o Senhor”! As pessoas sentiam pena do velho, pois, diante delas, havia ali apenas um senhor já debilitado pela idade e que não poderia representar mal algum ao poderoso Império de Roma. Na terrível perseguição aos cristãos, ocorrida em 156 d.C., um escravo torturado confessou o lugar em que haviam escondido o ancião Policarpo.

Aquele procônsul se sensibilizava com o prisioneiro de idade tão avançada e, por diversas vezes, insistiu com ele que bastaria confessar que César era o Senhor, queimando no altar, diante da imagem do Imperador, um pouco de incenso. Que mal haveria nisso? Todos ali estavam inclinados a soltar Policarpo. Até o procônsul pensava: “Que necessidade há em sacrificar esse velho?” Entretanto, o que nenhum dos espectadores sabia é que diante deles se encontrava não apenas um homem disposto a morrer por sua fé, mas Policarpo fizera de toda sua vida um projeto para a glória de Deus.

Policarpo, que nascera por volta do ano 70, tornara-se Bispo em Esmirna. Sua congregação, unida e bem organizada, era constituída de escravos, aristocratas e assistentes do próprio procônsul. Seus sermões, ensinos e sua defesa da fé inflamavam os ouvintes na luta contra o paganismo de seu tempo. O Bispo de Esmirna era tido como o elo entre seus ouvintes e os apóstolos de Jesus. Ele teria estudado aos pés de João, o evangelista e, sob as mãos deste, teria sido consagrado ao ministério. Portanto, é muito natural ouvirmos o eco dos ensinos joaninos e paulinos nos escritos de Policarpo, como, por exemplo, neste trecho de sua “Carta aos Filipenses”, na seção “contra os ensinamentos falsos”:

“Quem não confessa que Jesus Cristo veio em carne é anticristo; aquele que não confessa o testemunho da cruz é o diabo; aquele que distorce as palavras do Senhor segundo seus próprios desejos, e diz que não há ressurreição, nem julgamento, esse é o primogênito de satanás. Por isso, abandonando o discurso vazio de muitos e falsos ensinamentos, retornemos à palavra que nos foi transmitida desde o começo”.

Nas palavras de Ruth Tucker, “Policarpo, como muitos “teólogos” de sua época, era um evangelista e missionário que transmitia um profundo senso de urgência nessa interação com a cultura pagã em que estava inserido” (Até os Confins da terra, p. 34). Pregador e defensor da fé, o Bispo de Esmirna levantou sua voz contra os hereges de seu tempo, defendendo os ensinos dos Apóstolos contra as adulterações de Marcião, que negava a maioria dos textos sagrados, pregando que o Deus do Antigo Testamento era diferente do Deus do Novo Testamento. Com isso, Policarpo tem sua influência estendida, até mesmo na defesa pública, de quais textos já eram os que as igrejas espalhadas reconheciam como Escrituras autoritativas para a vida de fé e prática dos cristãos.

O Bispo de Esmirna podia ser encontrado debatendo nas praças com cristãos e não cristãos, sempre pronto a ensinar e defender o tesouro que recebera dos Apóstolos. Ele viajava a outros campos fora de Esmirna, indo também a Roma, buscando consenso para quaisquer divergências doutrinárias que pudessem surgir no seio do povo de Deus. Todo esse zelo doutrinário e amor pastoral pelo rebanho de Cristo não competiram com o seu maior testemunho entre os de sua geração: Policarpo era um homem de oração, um servo que orava noite e dia, em constante comunhão com Aquele que ele tanto amava e a quem dedicara toda sua vida.

Enfim, aquela arena se tornara um circo e os pagãos observavam Policarpo e gritavam: “Eis o Doutor da Ásia, o pai dos cristãos, o destruidor de nossos deuses”! Uma vez mais, o procônsul insiste que aquele idoso e debilitado homem, já preso à estaca, negue a sua fé e saia livre da condenação à morte na fogueira. Mas os pagãos não sabiam que diante deles, na verdade, se encontrava um humilde gigante da fé em Cristo Jesus. “Jura, e eu te liberto! Amaldiçoa o Cristo!” Policarpo respondeu: “Eu o sirvo há oitenta e seis anos, e ele não me fez nenhum mal. Como poderia blasfemar o meu rei que me salvou?”.

Rev. Fábio Ribas

John Wycliffe - A Estrela da Manhã

2023-01-26T03:00:00.000Z

Do alto da torre da Igreja de Santa Maria, em Lutherworth, na Inglaterra, John Wycliffe (1328-1384) se aproxima da janela e mira o horizonte, mas o seu olhar se estende para muito além do que seus olhos podem ver. O que aquele sacerdote e doutor da Igreja consegue enxergar é um passado de corrupção e desvio doutrinário que maculou terrivelmente a pureza da Igreja de Cristo. Da reza aos mortos à instituição da missa; do culto à virgem Maria à adoração de imagens e relíquias; da obrigação de se beijar os pés do Papa indo até o cisma da Igreja do Oriente; todas essas foram contradições que Wycliffe discerniu ao estudar as Escrituras Sagradas.

A Igreja Católica Apostólica Romana passava por profundas disputas de poder. Wycliffe abraça a missão de proclamar que a autoridade da Bíblia é maior do que a autoridade do Papa. Ele mostra que a riqueza do papado e do clero era incompatível com a vida evangélica de Jesus e dos apóstolos. Era necessário que a igreja cedesse ao Estado suas terras e se voltasse para o trabalho verdadeiramente espiritual e pastoral, afastando-se do poder temporal e das disputas eclesiásticas. Diante de uma igreja irreconhecível, com tamanha corrupção e superstição reinantes, Wycliffe relembra que a igreja são os predestinados eleitos de Deus em Cristo Jesus.

Wycliffe denuncia o erro da transubstanciação, que ensinava que o pão e o vinho se transformavam literalmente na carne e no sangue do próprio Senhor Jesus. Ele luta contra a riqueza do clero e a ganância dos cardeais pelo poder temporal. Por causa disso, ele se vê ameaçado e obrigado a defender suas ideias diante do Bispo de Londres. Contudo, por causa do seu ministério itinerante pelas cidades da Inglaterra, durante o julgamento, uma numerosa multidão comparece para assistir a defesa de Wycliffe. Naqueles anos, o papado se transferira para a França, e como a Inglaterra e a França estavam em plena Guerra dos Cem Anos, uma contra a outra, Wycliffe encontra apoio dos nobres ingleses que não queriam enviar suas ofertas para uma igreja que se identificava agora com o próprio inimigo. Wycliffe sabia, contudo, que verdadeiras mudanças só ocorreriam se a Bíblia estivesse na língua materna do povo. Assim, ele organiza uma tradução das Escrituras Sagradas, defendendo a Bíblia como única regra de fé e prática para a verdadeira Igreja. “Nosso Papa é Jesus Cristo”, brada às multidões.

O grupo de padres reunidos por Wycliffe para evangelizar e ensinar a Bíblia ao povo inglês fica conhecido como os “lolardos”. Entretanto, cabe lembrar que as cópias e traduções da Bíblia ainda eram muito caras e de difícil acesso, e isso só irá mudar com a invenção da Imprensa no tempo de Lutero, 100 anos depois de Wycliffe. Ainda assim, mesmo com toda a perseguição e incentivo dos inimigos para a destruição das traduções feitas por Wycliffe e seu grupo, temos hoje mais de 150 cópias dessas Bíblias. Wycliffe e os lolardos foram homens com um ímpeto missionário muitíssimo corajoso para o seu tempo e nos deixaram o grande legado da Bíblia como única regra de fé e prática para a vida do cristão: “A verdadeira autoridade emana da Bíblia, porque somente a Bíblia contém o suficiente para governar o mundo”. É claro que a reação dos padres católicos foi imediata. Eles diziam: “Agora a joia do clero se tornou um brinquedo do laicato”.

John Wycliffe morre alguns dias depois de sofrer um derrame enquanto pregava numa igreja. O Papa Martinho V, tentando extirpar sua memória e influência, ordena que seus ossos sejam desenterrados e queimados no dia 25 de março de 1428, e suas cinzas lançadas no pequeno córrego de Swift, na cidade de Lutherworth e, como disse alguém: “Desse modo, este pequeno arroio levou suas cinzas até Avon, de Avon até Severn, de Severn até os estreitos mares e destes até o mar aberto. E assim, as cinzas de Wycliff são o emblema de suas doutrinas, que agora estão dispersas pelo mundo inteiro”.

Rev. Fábio Ribas

Azor Ferreira - O pai das missões contemporâneas da IPB

2022-12-01T03:00:00.000Z

Que difícil é aceitar a morte dos nossos entes queridos. O choro e a expressão da profunda tristeza da alma parecem não ter fim. O próprio Jesus chorou ao saber da morte do seu amigo Lázaro (Jo 11.35). Estamos vivendo um tempo de muito choro ao redor do mundo. Muitas vidas estão sendo ceifadas nesta pandemia provocada pelo Covid-19.

No dia 31 de março, mais um valente do Senhor foi recolhido para a glória eterna. Foi o dia em que recebemos a triste notícia do falecimento do querido Presbítero Azor Ferreira, mais uma vítima do Covid-19, que evoluiu para um AVC. Ele ficou internado no Hospital Oswaldo Cruz, onde faleceu, mesmo com todos os cuidados e atendimentos médicos necessários.

O Pb. Azor Ferreira nasceu no dia 13 de dezembro de 1932, na cidade de Catanduva, São Paulo. Foi o segundo filho de quatro irmãos vivos (dois morreram ainda crianças) do Sr. Policarpo Ezequiel Ferreira e Dona Teresa de Oliveira. O Casal conheceu a Cristo e criou os filhos no temor do Senhor.

Uma das experiências que marcou muito a vida do Pb. Azor, e plantou a sementinha da paixão pela obra missionária, foi inculcada pela sua mãe, dona Teresa, uma mulher sábia, obediente e que amava a obra do Senhor. Ele conta no seu livro “Memórias de um Semeador” a experiência da “Galinha Missionária” (pág. 30-33). A igreja que eles frequentavam fez uma Campanha de cofrinhos para ofertas missionárias, que seriam entregues nas datas marcadas. Como a família era de escassos recursos financeiros, a mãe, com muita sabedoria, separou uma galinha e a chamou de “Galinha Missionária”. Todo ovo dessa galinha era separado e quando vendido ia para o cofrinho. Isso também acontecia com os frangos chocados pela galinha. O Azor era o encarregado de cuidar da galinha, dos ovos, dos pintinhos, da venda e da entrega da oferta na igreja, o que o deixava muito feliz por entender que estava fazendo parte da obra missionária.

Essa experiência impactou toda sua trajetória missionária e sua atuação eclesiástica, fazendo-o tornar-se um ícone missionário na IPB, e ele chega a ser reconhecido como “o Pai das Missões contemporâneas da IPB”.

Já adulto, e por onde passava, sempre trabalhou e mobilizou as igrejas para abrirem os corações e se envolverem na obra missionária perto e longe. Ele se tornou membro da IP Penha, em São Paulo, em 1965, onde também foi ordenado Diácono e, desde 1975, passou a servir como Presbítero, um homem reconhecido por pastorear as pessoas juntamente com o Pastor da igreja.

O Pb. Azor ocupou vários cargos que lhe foram conferidos pela igreja local, chegando a ser Presidente da UPH - União Presbiteriana de Homens. Também foi Presidente Federação da UPH Leste Paulistano, onde promovia desafios para que as igrejas se envolvessem e cooperassem com a Obra Missionária. Uma das atividades promovidas foi a “Corrida do Boi”. Era uma corrida que juntava todas as igrejas e o vencedor ganhava um Boi. Ele sempre amou confraternizações! O ajuntamento do povo lhe trazia alegria e satisfação.

Também foi membro da JMN – Junta de Missões Nacionais de 1982 a 1985, e desde 1986 seu maior envolvimento foi nas missões transculturais. Ele tinha um micro-ônibus que usava para fazer evangelismo e chegou até a levar um grupo de jovens ao Paraguai, em janeiro de 1988, onde por um mês evangelizaram várias cidades do país.

Ele amava muito a obra missionária e sempre falava: “Eu amo a obra missionária, porque sem ela eu não seria feliz”. Azor reconhecia que era feliz porque conhecia a Jesus, porque era fruto da obra missionária e queria que o mundo todo conhecesse a Jesus.

Na sua gestão como membro da diretoria e na presidência da Junta de Missões Estrangeiras, enfrentou muitas oposições de lideranças eclesiásticas da época, que não entendiam a necessidade de a igreja local se envolver e investir financeiramente em missões, mas ele perseverou e a JME/APMT passou de duas famílias missionárias em seu início, para mais de 270 missionários hoje ao redor do mundo.

Azor Ferreira foi recolhido para a pátria celestial que tanto almejava e pregava, deixando uma agenda cheia de compromissos, e o sonho de comprar uma “Van Missionária” para encher de gente novamente, e sair pelas cidades e pelos países vizinhos pregando o Evangelho.

Que sua vida e sua paixão por Jesus Cristo nos inspirem e motivem a continuarmos pregando o Evangelho a toda criatura.

“E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações, então virá o fim”(Mt. 24.14).

Emma Castro

Pedro Poti - O Primeiro Brasileiro a Morrer por não negar sua fé em Cristo

2022-10-01T03:00:00.000Z

“Sou Cristão e melhor do que vós: creio só em Cristo, sem macular a religião com idolatria, como fazeis com a vossa. Aprendi a religião cristã e a pratico diariamente, e se vós a tivésseis aprendido, não serviriam aos inimigos portugueses”, Pedro Poti.

Por volta de 1501, algumas jovens do povo Potiguar acenaram para a embarcação de Gonçalo Coelho e, então, eles enviaram quatro dos seus marinheiros para barganhar com aquelas moças bonitas. Enquanto os quatro estavam naquela Baía, seus companheiros assistiram, de lá da embarcação, a terrível cena deles sendo apunhalados pelas costas a pauladas na praia. Os quatro portugueses foram “assados e devorados”, escreveu Américo Vespúcio em sua carta a Manuel I, Rei de Portugal. Américo Vespúcio chamou Akaîutebiró de “Baía da Traição”. O que Gonçalo Coelho não sabia era que os Potiguar já faziam parte de uma aliança franco-indígena contra os portugueses invasores.

O povo Potiguar se espalhava desde Pernambuco até o Maranhão. Povo guerreiro, com uma população de 100.000 pessoas, era tido como o mais poderoso povo indígena do litoral do Nordeste. Por meio de alianças, primeiramente, com os franceses, depois, com os holandeses, o povo Potiguar também fez forte oposição às invasões portuguesas. E é no contexto do Brasil Holandês que surge a história do valente Pedro Poti, Governador dos índios da Paraíba.

Pedro Poti, cujo nome indígena era Itaque, viu seu povo ser massacrado pelos portugueses, que não aceitaram a hospitalidade Potiguara oferecida aos holandeses, quando esses chegaram à Baía da Traição, em 1625. Muitos Potiguaras fugiram para o interior para não serem mortos, outros se refugiaram no Rio Grande do Norte, contudo, Pedro Poti fez parte de um grupo que partiu com os holandeses para a Europa, onde aprendeu a ler e escrever o neerlandês e se converteu à Fé Reformada, vivendo lá por 5 anos. Ao retornar, assumiu a liderança do seu povo contra os portugueses, fazendo oposição ao seu parente, Felipe Camarão.

Pedro Poti era um diplomata, militar, líder político e religioso, que defendeu a liberdade oferecida pelos holandeses aos povos indígenas do Brasil contra o sistema colonialista português. Ao retornar ao Brasil, ele trabalhou como mediador dos holandeses junto aos povos indígenas. A importância de Pedro Poti para o estabelecimento do Brasil Holandês é atestada por vários estudiosos e historiadores. Poti atuou de forma impressionante como um mediador intercultural entre holandeses e os diversos povos indígenas de culturas e línguas tão diferentes, conseguindo uni-los em uma aliança contra os portugueses.

Participou não apenas do primeiro culto realizado na Paraíba, como também da Primeira Ceia protestante em sua aldeia, Massurepe, em 1640. Durante a Insurreição Pernambucana, Poti liderou os Potiguaras contra os portugueses. Mas foi graças a uma única carta de sua autoria que chegou até nós, datada de 31 de outubro de 1645, dia da Reforma Protestante, que podemos conhecer o profundo ardor de Poti pela fé cristã.

Não foram poucas as tentativas de fazer com que Pedro Poti mudasse de lado, mas ele permaneceu firme, mesmo diante das investidas de seu primo Felipe Camarão, aliado dos portugueses. Da carta citada no parágrafo anterior, resposta a esse seu primo, eu retiro o trecho a seguir: “Fica sabendo que serei um soldado fiel aos meus chefes até morrer. Estou bem aqui e nada me falta; vivemos mais livremente do que qualquer de vós, que vos mantendes sob uma nação que nunca tratou de outra coisa senão nos escravizar”.

Pedro Poti foi aprisionado em 1649, durante a segunda batalha dos Guararapes. Durante meses, ele foi acorrentado numa masmorra a pão e água. De vez em quando, os padres jesuítas o tiravam de lá para obrigá-lo a renegar sua fé calvinista, mas o guerreiro potiguar permaneceu inabalável até que, em 1652, foi levado numa embarcação a Portugal, para lá ser julgado. Contudo, Poti nunca chegou lá. A história indica que o jogaram no mar. Pedro Poti morreu como herói da liberdade e o primeiro mártir brasileiro pela causa do Evangelho. A vida de Pedro Poti se confunde com os primórdios da chegada do protestantismo ao Brasil.

Rev. Fábio Ribas

Raymond Lull - O Missionário Apologeta entre os Sarracenos

2022-08-02T03:00:00.000Z

Imagine esta cena: dois homens em luta acirrada, até que um deles golpeia fortemente seu adversário, mas este ainda consegue ferir o outro com sua espada! Quem são eles? O que os levou a tão odioso embate?

O homem com a espada é um escravo sarraceno. O outro, o seu senhor. Cansado do “fanatismo” cristão de seu senhor, um dia, aquele escravo amaldiçoa a Cristo. Seu senhor, descontrolado pela ira, o golpeia pela terrível blasfêmia. Embora o escravo o tenha ferido, o senhor sobrevive. O escravo segue à prisão, mas com medo das possíveis torturas que poderiam estar reservadas a ele, tira a própria vida dentro de sua cela. Há ainda um último detalhe inusitado nessa história: o senhor ferido à espada é Raymond Lull, missionário cristão que comprara o escravo sarraceno com o objetivo de que este lhe ensinasse a língua árabe para que, finalmente, pudesse pregar aos muçulmanos.

A história acima teria desanimado qualquer missionário que estivesse se empenhando em levar o Evangelho da salvação e da vida eterna aos povos muçulmanos. Raymond Lull não se intimidou, ao contrário, durante nove anos insistiu no aprendizado da língua árabe, esforçando-se mais ainda em levar vida em vez de morte aos “inimigos da Cristandade”.

Sim, a esta altura, o leitor já suspeita que estamos nos tempos das Cruzadas. Após o rápido avanço dos muçulmanos, que conquistaram cidades importantíssimas, como Damasco (635), Jerusalém (638) e Alexandria (642), vemos a Igreja Católica preparar o contra-ataque e a reconquista do que havia sido perdido. Durante séculos de avanço bélico, feridas ficaram e a imagem do Evangelho foi maculada diante dos povos muçulmanos. Até que em 1219, Francisco de Assis, após duas tentativas fracassadas, consegue pregar ao Sultão do Egito, mas a barreira linguística torna a exposição apenas uma débil empreitada gestual.

O novo espírito, contudo, fora lançado: alcançar os muçulmanos pela pregação do Evangelho e não pelas armas! É nesse contexto que nasce, em 1232, na cidade de Maiorca, numa ilha ao sul da Espanha, Raymond Lull. De família Católico-Romana, família abastada, Raymond se envolve com as Cruzadas e as lutas da cavalaria.

Casado, Lull tem uma vida devassa e promíscua de adultérios. Até que, como ele mesmo narra, enquanto compunha uma música erótica, ele se vê surpreendido por uma visão de Jesus crucificado. Na semana seguinte, Lull retorna à composição profana e, mais uma vez, a visão de Jesus crucificado o assombra a tal ponto que decide entregar sua vida ao serviço do Senhor.

A princípio, havia decidido entrar no mosteiro, mas uma nova visão iria definir o rumo missionário de Lull. Já se dedicando à vida de monastério, vê-se numa floresta e se encontra com um peregrino. Este lhe denuncia sua vida egoísta de reclusão, enquanto, mundo afora, tantos ainda não conhecem o Senhor Jesus.

A partir de então, Lull se dirige aos muçulmanos. Devo confessar que, até antes da pesquisa feita para este artigo, eu conhecia Raymund Lull, o filósofo! Lull escreveu mais de 280 livros! Como filósofo e teólogo, ele tem sido redescoberto, graças às recentes traduções de seus trabalhos. Uma das características que mais me inspiram na vida de Lull é o seu imenso esforço em comunicar o Evangelho.

A Ars magna de Lull nasce como um projeto de se criar um sistema de língua filosófica perfeita por meio do qual seria possível converter os infiéis. Ele foi um dos primeiros a escrever livros em língua vernácula, por isso a maior parte de suas obras se encontra em árabe e catalão, além de serem metrificadas em forma de poesia popular.

Ainda que limitado pelo seu tempo e pela influência da escolástica medieval, é notável o esforço de Lull em ir às terras muçulmanas para debater e provar que o Cristianismo era a verdadeira religião. Seu ministério foi marcado pela apologética e pela formação educacional de missionários que pregassem em língua sarracena. Ele também lançou as bases para as futuras escolas em línguas orientais. Não é por acaso que nosso missionário ficou conhecido na história como Raymond Lulle docteur des missions. Contudo, após mais uma defesa do Evangelho em praça pública, na cidade de Bugia, já com mais de 80 anos de idade, Deus lhe reservou o martírio por apedrejamento, em 30 de junho de 1315.

Rev. Fábio Ribas

Philippe Sheeder Landes - O Missionário Plantador de Igrejas e educador Teológico

2022-07-01T03:00:00.000Z

Duas coisas foram marcantes neste grande homem de Deus – Philippe Landes: plantação de igrejas e ensino teológico. Teologia e missiologia eram mescladas em seu coração e em sua alma.

Filho de missionários americanos, nasceu na cidade de Botucatu, no Brasil. Ao lado de seus pais viveu sua infância na cidade de Curitiba, o novo campo da missão. Sua formação foi em São Paulo, na Escola Americana e depois no Mackenzie College. Seguiu depois para os Estados Unidos para dar sequência a seus estudos no Wooster College e finalmente no Seminário Presbiteriano de Princeton, uma instituição que exportou, naquela época, milhares de missionários para o mundo.

Após ter intercalado seu pastorado entre Estados Unidos e Brasil, a partir de 1912 se fixou de vez no Brasil e em 1917, no Estado de Mato Grosso, onde viveu a maior parte de sua vida e ministério. Em Cuiabá o trabalho presbiteriano havia sido iniciado pelo missionário Rev Franklin Floyd Graham. Cuiabá naquela época era uma cidade habitada por fugitivos da justiça, garimpeiros e indígenas. Rev Philippe Landes enfrentou esse difícil ambiente, mas como era um homem de grande paixão pelas almas perdidas, ali permaneceu firme à disposição do Senhor. Fez de Cuiabá sua base de atividades missionárias. Dali partia para outras partes do Estado, para regiões como Brotas (Acorizal), Campo Grande, Rosário do Oeste, Cáceres, Guia, Poconé e outros locais.

Em 1930 atingiu as regiões de Aquidauana, Dourados e Campo Grande. Já em 1917 fundou a Escola Americana de Cuiabá, sendo ele próprio e sua irmã Maud Landes diretores da mesma. Partindo de Cuiabá, fazia trabalhos de evangelização pelo interior do estado, vendendo Bíblias, promovendo cuidado pastoral e cuidando da saúde do povo que vivia sob os ataques da malária e de outras doenças.

Ele havia feito dois anos de medicina e usou seu conhecimento para tal necessidade. A congregação de Cuiabá se organizou em igreja em 12 de outubro de 1920. Em 1922, a Missão adquiriu uma fazenda em Chapada dos Guimarães, cerca de 60 km de Cuiabá e, posteriormente, por volta de 1924, a família Landes se deslocou para lá, temporariamente, enquanto seus diretores estavam de férias, a fim de cuidar da Escola de Agronomia conhecida como Colégio de Buriti.

Retornando para Cuiabá, fundou o jornal Penna Evangélica, com objetivo social e evangelístico. Pretendia, com esse jornal, combater males sociais como jogatina, bebedeira, e touradas, além de anunciar o evangelho nos moldes reformados. De 1932 a 1934, tornou-se um missionário itinerante por vários Estados do Brasil: Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina, entre outros.

A partir de 1934 foi para Campo Grande e organizou ali a Igreja Presbiteriana, permanecendo até 1940. Retornou a seguir para Chapada dos Guimarães para trabalhar junto ao colégio de Buriti. Fundou, em Buriti, no ano de 1950, a Sociedade Amigos de Buriti, a fim de apoiar a educação naquela região.

De 1950 a 1953 a Missão o deslocou para ser professor do Seminário Presbiteriano em Campinas, SP, onde foi professor, Reitor e Deão. Após 1953, já quase se aposentando, aceitou o desafio de ir para Jandira, SP, para servir no Colégio Presbiteriano José Manoel da Conceição, que tinha objetivos de preparação pré-universitária da juventude.

Faleceu em Jandira, em 1966, com 83 anos de idade. Durante seu ministério escreveu muitos artigos apologéticos e doutrinários. Foi um grande defensor da concepção reformada acerca do batismo, havendo escrito dois importantes livros sobre o assunto: Estudos Bíblicos sobre o Batismo (1938) e Estudos Bíblicos sobre o Batismo de Crianças (1947).

Publicou também, em inglês, uma valiosa biografia de Simonton: Ashbel Green Simonton: model Pioneer missionary of the Presbyterian Church of Brazil (1956). Em 1970, seu nome foi dado ao Instituto Bíblico da Missão Evangélica Caiuá, em Dourados (MS). Temos, como Igreja Presbiteriana do Brasil, uma grande dívida com esse irmão que tanto nos abençoou com seu legado de vida e trabalho.

Rev. José João de Paula

John Egglen - O Pregador em meio à Tempestade

2022-06-01T03:00:00.000Z

Deus sempre nos surpreende em todas as coisas. E uma das surpresas de Deus é tomar em suas mãos pessoas tão simples para uma grande obra. Deus envergonha, muitas vezes, os sábios por meio das coisas simples e desprezíveis. Assim é a história do homem chamado John Egglen.

O dia 6 de janeiro de 1850 marcou o começo de uma grande história. A cidade de Colchester, Inglaterra, amanheceu coberta de neve, considerada como sendo a maior tempestade de todos os tempos. Havia muita dificuldade de locomoção na cidade e na região. Foi muito difícil os crentes se deslocarem para o culto naquele dia.

John Egglen era um homem simples, diácono da pequena igreja de Colchester. Ele titubeou entre o ir e o não ir ao culto naquela manhã. Além do frio, quase ninguém iria ao culto. Mas como diácono que era, foi impulsionado a ir. Ele refletiu da seguinte maneira: se todos pensarem em não ir, não haverá culto. Vestiu seu casaco e foi à pequena e antiga Igreja Metodista Primitiva, da qual era membro.

Ao chegar lá, constatou que havia apenas 12 pessoas para o culto. Imaginemos a coragem desses 12 membros da igreja! Além de ser tão pequeno o grupo, ainda havia um sério problema: não havia pregador para o pequeno grupo de fiéis. Egglen estava com a roupa toda ensopada de neve. Aquele pequeno grupo foi aconselhado a retornar para as suas casas pelo fato de não haver alguém para pregar, e porque estava muito frio. Egglen discordou, pois muitos vieram de longe para o culto, e deveria, portanto, ter culto sim. Pediram então para ele realizar o culto.

Ele contava apenas 26 anos de idade, e nunca havia pregado. Não havia tido qualquer treinamento para ministrar culto, e muito menos para pregar. Logo que começou a pregar, entrou no templo um adolescente de 13 anos, pela primeira vez, para se esconder da tempestade de neve e se assentou. Posteriormente, soube-se que aquele adolescente era um problema e uma grande dor de cabeça para a sua mãe. Ela orava continuamente para Deus transformar a vida dele em algum momento.

O texto que Egglen escolheu foi o de Isaías 45.22, a fim de pregar seu sermão de improviso: “Olhai para mim e sede salvos, vós, todos os termos da terra; porque eu sou Deus, e não há outro”. Ao pronunciar algumas palavras ele gaguejava, tremia e ficou repetindo o texto várias vezes. Seu sermão durou apenas 10 minutos. Falou pouca coisa. Mas, para finalizar, olhou para aquele adolescente e o fitou, sentindo o desejo de se dirigir diretamente a ele. Ele disse: “Jovem, você parece muito infeliz, e você sempre será infeliz; infeliz na vida e infeliz na morte, se você não der ouvidos a este texto. Mas se você der ouvidos, neste momento, você será salvo”.

Qual o nome daquele adolescente? Nada menos do que Charles Haddon Spurgeon. Posteriormente, ele deu o seguinte testemunho: “Eu olhei e ali mesmo a nuvem de meu coração foi erguida, as trevas se dissiparam e, naquele momento, eu vi o sol”. Retornou para a sua casa e contou para a sua mãe o que acontecera e disse-lhe que queria ser batizado de imediato.

Spurgeon foi batizado em 3 de maio de 1850, pregando seu primeiro sermão em 1851. Foi um pregador quase sem igual, conhecido como “o príncipe dos pregadores”. Com 20 anos de idade foi convidado para pastorear a New Park Street Chapel, em Londres. A igreja ficava apinhada de gente para ouvi-lo. Ficou tão cheia que já não cabia mais o povo que queria ouvi-lo.

Dentro em breve construíram o chamado Tabernáculo Metropolitano, o maior templo de Londres, e em março de 1861 a igreja dele se mudou para lá. No local cabiam 5 mil pessoas assentadas. Ele pregava duas vezes aos domingos, com o templo lotado. Ficava cheio também nos cultos durante a semana. Plantou mais de 50 igrejas, construiu 2 orfanatos, uma escola teológica para treinar pregadores, escreveu mais de 140 livros - um deles foi a exposição de Salmos em 7 volumes. Pregou por 31 anos no Tabernáculo Metropolitano, até seu falecimento em 1892.

Alguém uma vez disse: “Talvez Deus não te chamou para ser um Spurgeon, mas para ser um John Egglen”. Ele usa simples vasos para conter preciosos tesouros. Usou um simples homem, que não era pregador, para transformar um adolescente rebelde no maior pregador de todos os tempos. Deus pode também nos usar na sua preciosa missão. A Ele seja a glória do evangelho pregado!

Rev. José João de Paula

Coronel João Dourado - O Missionário Camponês

2022-05-02T03:00:00.000Z

Paulo fez uma grande declaração: “Não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes" (1 Co. 1.26-29).

Quando olhamos para a vida de João da Silva Dourado, o camponês baiano, essas palavras se confirmam. Nascido em Caetité, casou-se com Geraldina Dourado em 1878, e foram morar em Angico, área pertencente à fazenda Lagoa Grande.

Em 1888 foram para uma região próxima, de nome Canal. Era um lugar de abundância de águas, e por essa razão vários boiadeiros tinham esse lugar como passagem obrigatória, seguindo a rota de Goiás – Piauí – Bahia. Era comum ao casal hospedar vários boiadeiros em seu lar para um pequeno descanso. Providencialmente, hospedou o boiadeiro Coronel Benjamim Nogueira, de Corrente, Piauí, e o primeiro crente batista de seu Estado.

João Dourado era um católico devoto, mas por uma noite Benjamim pregou-lhe a Palavra de Deus e expôs-lhe o evangelho de maneira simples, porém ungida, dos ensinamentos bíblicos. Deixou-lhe às mãos um Novo Testamento, encorajando João Dourado a lê-lo. Aceitou, todavia, comparando-o à “Bíblia verdadeira” da Igreja Católica.

Leu de imediato todo o Novo Testamento para combater os argumentos do Coronel Benjamim. Logo a seguir, procurou o Padre em Morro do Chapéu para lhe emprestar a Bíblia. O padre não quis fazê-lo, dizendo que o mesmo não tinha capacidade de entender essas coisas e a única Bíblia que possuía estava guardada em Salvador. Ficou desanimado em seu retorno.

Enquanto conversava com um advogado, no município de Nova Rainha, chegou alguém ali perguntando se a Bíblia protestante era a mesma da católica. João Dourado ficou atento à conversa e ouviu que era a mesma. Convencido, através da leitura, converteu-se João Dourado e, de imediato, passou a pregar o evangelho em toda a sua região.

Em 1903, o missionário presbiteriano Rev. Pierce Chamberlain conheceu o Coronel João Dourado, que o convidou para visitar os lugares que vinha evangelizando, somente com o conhecimento pessoal da Bíblia. Mediante esse contato mais demorado com o Rev. Chamberlain, as últimas dúvidas do coronel acerca do evangelho foram dissipadas. Foi batizado e continuou com mais vigor a sua obra evangelística.

Deu-se início, então, à Igreja Presbiteriana, sendo o Coronel João Dourado o verdadeiro pioneiro do presbiterianismo na região. A congregação foi organizada em igreja, na Fazenda Canal, em 1905, sendo o Cel. João Dourado eleito presbítero, com mais três outros membros da família. Já a congregação tinha nessa época mais de 100 membros.

Hoje, onde fora a sede da Fazenda Canal, está a cidade de João Dourado, onde está a maior Igreja Presbiteriana do interior do Brasil. Cabem cerca de 2000 pessoas no templo. João Dourado foi um verdadeiro missionário naquela região da Bahia.

Seu trabalho evangelístico se estendeu para várias outras regiões: Morro do Chapéu, Cafarnaum, Mulungu, Canarana, Barra do Mendes, Ibititá, Lapão, Irecê, São Gabriel, Jussara, Central, Gameleira, Xique-Xique, Traíras, Roçadinho, Macedônia, Descoberta, Lajedinho, Guanabara, Tanquinho, Borges, Sabino, Lagoa, Conquista, Lagoa Nova, Lagedão, Previnido, Angical, Caldeirão, Ipanema, Belo Campo, Limoeiro, Barra, Soares, Mocozeiro, Floresta e Umbuzeiro.

Ele deixou um grande legado como pregador do evangelho, como político, e uma geração muito influente na história da Igreja Presbiteriana do Brasil. Destacam-se os seguintes ministros presbiterianos, além de muitos outros: O Rev. Augusto Dourado (filho), Adauto Araújo Dourado, (neto), Othon Guanhães Dourado, Celso Dourado, Ailton Vilela Dourado. Muitos outros ministros surgiram da família.

Seu tataraneto, Rev. Ronaldo Dourado, é missionário da APMT; Helton Dourado, um dos descendentes, estuda no IBEL. Após uma vida abençoada e abençoadora, o presbítero João Dourado faleceu aos 73 anos no dia 9 de julho de 1927. Um verdadeiro missionário camponês. A Deus toda a honra e a glória!

Rev. José João de Paula

John G. Paton - O Valente entre os Canibais

2022-04-01T03:00:00.000Z

Foi num lar de muita oração e consagração, que nasceu John Gibson Paton, na Escócia, filho de presbiterianos. Os pais o dedicaram ao Senhor para se tornar missionário em alguma região de um povo totalmente não alcançado pelo Evangelho. Mudou-se para Glasgow. Lá tornou-se missionário da Missão da Cidade de Glasgow. Após dez anos na Missão, sentiu forte chamado para o trabalho missionário nas Novas Hébridas (um grupo de ilhas no sul do Oceano Pacífico, que hoje formam a nação de Vanuatu).

Paton declarou: “Se eu conseguir viver e morrer servindo e honrando ao Senhor Jesus, não me importarei em ser comido por antropófagos ou por bichos; no grande dia da ressurreição, o meu corpo se levantará tão belo... na semelhança do Redentor ressuscitado”.

De fato, aquelas Ilhas já haviam sido batizadas com o sangue de mártires. Em 1858, foi ordenado ao ministério e casou-se com Mary Robson. Partiram em 16 de abril. Nas Novas Hébridas se fixaram na Ilha de Tanna, tendo um grande choque com os costumes locais. Paton viu ali os nativos se matarem como rotina.

O povo adorava elementos animados e inanimados. Foi ali que os Patons envidavam todos os esforços para clamar poderosamente ao Senhor em oração e falar de Jesus. Eles foram atacados por enfermidades. Após um ano na ilha (1859), Mary deu à luz e morreu de febre. O filhinho morreu, também, três semanas depois. Ele disse: “Não fosse Jesus... eu teria enlouquecido e morrido ao lado daquela sepultura solitária”.

Nos primeiros anos, Paton viu pouco fruto em Tanna. O sarampo varreu um terço da Ilha naquela época. Treze dos nativos que trabalhavam com ele morreram e o restante foi embora, com exceção de apenas um. Paton e o único permanente ficaram trancados num quarto cerca de quatro dias, enquanto os nativos os aguardavam fora para matá-los e comê-los. Paton fugiu e foi para a Austrália, a fim de pregar nas igrejas presbiterianas, relatar tudo que suportara em Tanna, e levantar recursos para o trabalho missionário nas Ilhas.

Ele comprou um navio para o trabalho nas Ilhas Hébridas. Nesse tempo de campanha nas Ilhas Britânicas, decidiu casar-se novamente, agora com Margaret, e em 1864 retornaram para as I. H. Fixaram-se em Aniwa. O resultado de seu trabalho ali foi extraordinário. Os nativos começaram a receber o cristianismo. Plantaram uma igreja, estabeleceram escolas e orfanatos.

Com o apoio dos chefes nativos, Paton passou a ter uma influência poderosa na Ilha e austeras leis puritanas se tornaram padrão para os crentes. Mas o seu grande alvo era amar e ganhar os pagãos para Cristo. Quanto ao primeiro culto em Aniwa, Paton registrou: “No momento em que coloquei o pão e o vinho naquelas mãos, antes manchadas com o sangue do canibalismo, agora estendidas para receber e compartilhar dos símbolos e selos do amor do Redentor, tive um antegozo da alegria da glória que quase partiu meu coração em pedaços. Jamais provarei uma bênção mais profunda, até que venha contemplar a face glorificada do próprio Jesus”.

Após a igreja ter-se estabelecido em Aniwa, os Patons passaram seus últimos anos como estadistas missionários, viajando pela Austrália, Grã-Bretanha e América do Norte, despertando obreiros e levantando fundos para a expansão missionária nas Ilhas Hébridas. Sua influência se tornou muito impactante naquele arquipélago.

No final do século, das trinta Ilhas habitadas, poucas não haviam sido ainda alcançadas pelo evangelho. Fundou-se um Instituto de treinamento de obreiros nativos, cujo número excedia a 300, e cerca de 24 missionários serviam com eles. Paton dedicou-se, nos últimos anos de sua vida, a traduzir a Bíblia para a língua Aniwa.

Em 1904, voltaram para visitar as várias Ilhas. Em 1905, Margaret faleceu, e dois anos depois, John Paton, com 83 anos, se juntou a ela para aguardar o retorno do Senhor e a entrega do galardão que o Senhor tem para eles. Louvado seja o Senhor pela grande herança que o casal deixou nas Ilhas. Seu filho Frank Paton foi o sucessor deles. A Deus toda glória por Cristo e pelos 51 anos de trabalho missionário transcultural de John Paton!

Rev. José João de Paula

John Nelson Hyde - O Apóstolo da Oração

2022-03-01T03:00:00.000Z

A história de John Hyde é uma das maiores inspirações para nossa vida cristã e para o trabalho missionário – um jovem presbiteriano que desceu ao noroeste da Índia em 1892, ao Punjab.

Durante a viagem, Hyde abriu uma carta que recebera antes de viajar. Leu-a e ficou irado. A carta dizia que ele deveria buscar a plenitude do Espírito Santo para a capacitação de sua obra naquele país. Amassou-a e a lançou no convés do navio. Entendia que era essa carta quase uma acusação e uma agressão à sua fé. Todavia, começou a refletir sobre o que lera e decidiu pegá-la novamente e a releu. Entendeu que ainda precisava mais do que já havia recebido. Começou a buscar muito mais ao Senhor em oração durante a viagem, pedindo-lhe que o enchesse do seu Santo Espírito, e a conhecer, de forma prática, a experiência real do que significava o que Jesus prometera: “Recebereis poder... e sereis minhas testemunhas ...” (At 1.8).

Os seus primeiros doze anos na Índia foram de esforço, lutas, dedicação ao estudo das Escrituras e da língua. Durante esses anos, se consagrou a visitar as inúmeras vilas, buscando ovelhas para o Bom Pastor. Percebendo a dureza e a aridez dos corações para crer, decidiu, juntamente com outros obreiros, experimentar uma dor bem mais profunda no campo da oração e na amplitude das fronteiras da fé.

Em 1904, um grupo de missionários, inspirado pela vida de oração de Hyde, formou a Associação de Oração de Punjab, em Sialkot. Hyde também era membro. Não dá para medir o impacto das pregações ministradas por Hyde, resultantes dessa vida de oração, regadas pelo poder do Espírito Santo! Deus soprava seu Espírito sobre ele e sobre a obra na Índia.

Tanto Hyde quanto os demais da Associação entendiam que o único método de adquirir tal despertamento era por meio de oração. Assentaram em seus corações, deliberada, definitiva e determinantemente, empregar esse meio até alcançarem o resultado.

Antes e durante as convenções em Sialkot, Hyde e os demais membros da Associação passavam noites inteiras e longos períodos em oração. Eram convenções evangelísticas - e às vezes para crentes - e Deus derramava seu Espírito sobre as multidões.

John Hyde decidiu no seu coração pedir a Deus vidas salvas todos os dias. Em 1908 pediu ao Senhor uma por dia; o Senhor as dava; em 1909, duas por dia; em 1910, quatro por dia. O Senhor lhe dava até dez por dia. Era o poder do Espírito Santo que descia dos céus sobre ele através das longas horas de oração. Era chamado de “o homem que nunca dorme”.

“Hyde foi um instrumento para o estabelecimento das conferências anuais em Sialkot, por meio das quais milhares de missionários e obreiros nativos voltaram para os campos cheios de poder e vigor para a obra”.

Ele retornou para a América devido a problemas de saúde, e em 1912 o Senhor o chamou à sua presença. Antes de sua morte, quando o médico o examinou, afirmou:

“O coração está em terríveis condições; nunca encontrei um caso como este. Está deslocado da posição normal no lado esquerdo e passou para o lado direito. O Sr. Hyde esforçou-se tanto que agora deve ficar em descanso meses e meses para que o coração possa voltar ao lugar. Que é que o Senhor fez para chegar a essa situação?”

A conclusão a que chegaram foi: sua vida de incessante luta em oração, com lágrimas, pelos seus filhos na fé, pelos companheiros de lutas e pela igreja na índia.

Na hora de sua morte, sua última frase foi: “Aclamem a vitória de Jesus Cristo!” Sim, John Hyde orou até seu coração ser deslocado para o Senhor levantar milhares de obreiros e convertidos na Índia. Ele era conhecido na Índia como “O Hyde de oração”, “O apóstolo da oração”. E nós, como seremos chamados?

Rev. José João de Paula

Oswald Smith - Um quartel general Missionário

2022-02-01T03:00:00.000Z

Falar de Oswald Smith é falar de uma visão de mundo. Seu lema ministerial era este: “Nenhuma visão que não seja o mundo é a visão de Deus”.

Oswald J. Smith (1890-1986) foi pastor presbiteriano em Toronto, Canadá, na Igreja Presbiteriana conhecida como Igreja do Povo (People’s Church). Depois que foi ordenado ministro presbiteriano, seu grande desejo era o de ser enviado para campos missionários transculturais. Para sua grande tristeza, foi reprovado pela junta de missões pelo fato de ser muito frágil fisicamente, devido a enfermidades que tinha. Todavia não se deixou levar pela frustração. Já que Deus não lhe permitia ir ao campo transcultural, ele faria de seu ministério pastoral e de sua igreja local um quartel general missionário para enviar outros em seu lugar.

Oswald Smith não recebia qualquer membro para a sua igreja antes que o mesmo já tivesse, comprovadamente, levado uma ou mais pessoas a Cristo. Ele entendia que não havia razão para se tornar membro da igreja a não ser com o objetivo de ser servo do Senhor por meio da reprodução de discípulos.

Oswald Smith enviou para o mundo centenas de missionários durante seu ministério. Há dados de que a igreja dele enviou cerca de 800 missionários para campos transculturais. Seu apelido era “Sr. Missões”. A respeito dele foi dito: "Oswald Smith deu mais ímpeto às missões do que qualquer outra pessoa viva”.

Ele declarou certa ocasião que “O trabalho missionário não pertence a qualquer organização; é um trabalho de toda a igreja”. Foi também um evangelista mundial. Pregou em mais de 80 países em conferências evangelísticas. Escreveu 35 livros, todos com foco missionário, os quais estão traduzidos para quase 130 línguas.

Um dos maiores livros que escreveu foi “Paixão pelas Almas”, o qual desafia todos os leitores a se envolverem com a obra evangelística e missionária. Já li quase todos os seus livros e, através deles, Deus me conduziu para a visão missionária.

Oswald Smith, depois da Bíblia Sagrada, foi e é para mim a maior fonte de inspiração missionária. Ele sempre afirmava que “a tarefa suprema da Igreja é a evangelização do mundo". Algumas frases dele ficaram famosas. Eis algumas delas:

  • “Por que alguém deveria ouvir do evangelho duas vezes, quando há pessoas que não ouviram nenhuma vez?;
  • Se Deus quer a evangelização do mundo, mas te recusas a sustentar missões, então te opões à vontade de Deus;
  • Você deve ir ou enviar um substituto;
  • Você não pode levá-lo (o dinheiro) com você, mas pode mandá-lo adiante (ao céu) mediante missões;
  • Por que tão poucos ouvem o Evangelho tantas vezes e tantos nunca o ouviram nem uma vez?;
  • O maior obstáculo para missões são os pastores.

Era um homem cheio do Espírito Santo. No seu livro “A Concessão do Poder” ele compartilha que se lembra exatamente o dia em que foi visitado pelo Espírito Santo para que, a partir daí, fosse por ele cheio para nunca mais se esvaziar. Esse foi um dos grandes segredos de ter sido tão usado para glorificar a Cristo em todo o seu ministério.

Afirmou certa ocasião que “A oração intercessória não é apenas a coisa mais importante para a obra de Deus, mas também a coisa mais difícil na obra de Deus”. Toda decisão que ele tomava era antecipada por e regada com muita oração. O que ele mais queria era ser usado por Deus. Orava: “Senhor, usa-me”... “Que devo fazer?”. Ele orava para ser vitorioso, cheio do Espírito Santo e do Espírito de oração, um homem rendido à Palavra e a um só propósito.

Em 1913, ele fez este tríplice voto:

  1. Não permitirei qualquer pensamento, não pronunciarei qualquer palavra e não farei qualquer coisa indigna de um seguidor de Jesus Cristo;
  2. Eu dedicarei minha vida para a obra de Deus para qualquer parte do mundo e para qualquer coisa que Deus quer que eu faça;
  3. Eu farei todo esforço para fazer a vontade de Deus, momento após momento, à medida que ele a deixe clara para mim.

Rev. José João de Paula

Dwight Lyman Moody - Um poderoso ganhador de Almas

2022-01-10T03:00:00.000Z

A vida de D. L. Moody nunca foi a mesma após ter ele ouvido, de Henry Varley, as palavras: “O mundo está para ver o que Deus faria com um homem absolutamente entregue em suas mãos”. Ele, por sua vez, respondeu: “Eu serei esse homem”.

Moody foi um dos evangelistas mais influentes do século XIX, homem que, segundo alguns, levou quase um milhão de vidas aos pés de Jesus na América do Norte. Temos que aprender com um homem assim quanto ao segredo de ser tão usado nas mãos do Espírito Santo.

Era um leigo, um caipira que nem sabia falar o Inglês Normativo, sem muita cultura, aliás, era um simples sapateiro. Seu trabalho inicial foi estabelecer Escolas Bíblicas Dominicais nas zonas mais periféricas da cidade de Chicago. Foi tão impactante, que dentro de pouco tempo essas Escolas contavam cerca de 1.000 crianças, além dos pais delas, com frequência semanal. O trabalho cresceu tanto que se transformou numa grande igreja.

Foi, porém, após ir à Inglaterra, que ele se tornou famoso como evangelista. Lá, suas reuniões contavam com milhares de pessoas. No Botanic Gardens Palace, suas reuniões contínuas, que contavam entre 15 e 30 mil pessoas, aumentavam cada vez mais. Pregava um evangelho simples e prático. Quando retornou para a América, em todas as suas reuniões havia uma presença de 12 a 20 mil pessoas continuamente.

Fundou escolas para dar treinamento educacional aos convertidos, e elas se transformaram no famoso Instituto Bíblico de Chicago, cujo objetivo não era concorrer com os seminários já existentes, mas treinar comunicadores do evangelho por meio de uma pregação pura e simples.

Qual o segredo de um homem tão simples como Moody ser tão frutífero nas mãos de Deus? Gostaríamos de listar alguns dos principais segredos:

1) Sua total submissão a Deus – Era um homem inteiramente submisso à vontade divina. Tudo o que ele era e tudo o que ele tinha pertenciam a Deus. Numa ocasião, conversando com seu sucessor R. A. Torrey, disse: “Torrey, se eu acreditasse ser a vontade de Deus que eu saltasse por aquela janela, eu o faria”;

2) Sua vida de oração – Moody era um pregador tão poderoso que muitos e muitos viajavam de longe para ouvi-lo. Suas palavras falavam ao coração das multidões, movidas pelo Espírito Santo; todavia ele mais orava do que pregava. Ele entendia que não havia nada demasiadamente difícil para Deus fazer e cria que a oração podia conseguir tudo o que Deus pudesse realizar. Costumava dizer as seguintes palavras antes de dar início a um novo empreendimento: “Pretendo dar início ao trabalho no lugar tal e tal em tal dia; peço que convoque os estudantes para um dia de jejum e oração”. Era poderoso na obra porque era poderoso na oração. Quando é que vamos também entender isso?;

3) Seu estudo profundo e prático das Escrituras – Ele leu a bíblia cerca de 200 vezes durante a sua vida. Seu horário de estudar a Bíblia – geralmente duas horas por dia – e de orar era a partir das quatro horas da manhã. Se ele deitasse as três horas, levantava infalivelmente às quatro. Ele disse em certa ocasião: “Para estudar preciso me levantar antes que as outras pessoas acordem”. Lia muito a Bíblia e procurava praticar o que lia. Ninguém pode ser poderoso na pregação a não ser que ame as Escrituras como seu alimento diário. Moody era assim;

4) Sua vida humilde – Moody gostava de citar as seguintes palavras de alguém: “A fé ganha mais, o amor faz mais, porém a humildade guarda mais”. Ele gostava muito de se retrair e colocar outros em sua frente. Se tinha mais de um pregador, ele preferia que outro assumisse a frente. Deus exalta a quem se humilha – Deus exaltava Moody;

5) Sua vida desprendida do dinheiro – Era um homem livre do amor ao dinheiro. Gostava de receber dinheiro unicamente para a obra de Deus – nunca para acumular riquezas. Pagava do seu bolso, às vezes, para realizar a obra de Deus. Homens assim são muito usados pelo Senhor em sua obra.

Rev. José João de Paula

Christmas Evans - A Estrela Luzente de Gales

2021-12-01T03:00:00.000Z

Deus, na sua sabedoria, surpreende o mundo. Ele exalta os pequenos e os que não são para envergonhar os grandes e sábios. A vida de Christmas Evans é um verdadeiro contraste dentro da lógica humana. Tornou-se um homem tão poderoso no país de Gales que quando o Dr. Oswald Smith, testemunha ele, foi visita-lo, e mesmo não o encontrando, ao chegar ao seu portão começou a sentir um grande impacto devido à presença do Espírito Santo naquele lugar.

Evans (1766-1838) teve uma origem muito sofrida. Filho de um sapateiro pobre e órfão aos 8 anos de idade, teve que morar com seu tio, um beberrão, imoral e que em nada contribuiu espiritualmente na formação dele. Nada investiu em sua educação, de modo que teve que trabalhar como analfabeto. Viver com seu tio se tornou insuportável; foi trabalhar em uma fazenda.

Providencialmente, Evans começou a frequentar uma igreja presbiteriana, cujo pastor era meio arminiano e unitariano. Apesar disso, começou a haver um avivamento naquela igreja e, nesse tempo, por uma ação poderosa do Espírito Santo, Evans se converteu a Cristo. Nesse ínterim, ele pôde ouvir alguns pregadores metodistas calvinistas itinerantes que visitaram a igreja e foi aí que entendeu o evangelho.

A partir dessa conversão, ele começou a ler a Bíblia por si só e com a ajuda de outros. Deleitou-se nas Escrituras Sagradas. Frequentou uma escola por seis meses. Tinha sede do conhecimento de Deus e de sua palavra. Enfrentou sérias provações por causa de sua fé. Uma delas foi perder um olho. Quando deixou as amizades de seus colegas beberrões, resolveram vingar-se dele. Numa noite, ao retornar para sua casa, foi espancado por uma turba, bateram muito nele e lhe arrancaram um olho. Ficou conhecido como o “pastor caolho”.

Foi ordenado como pastor missionário e enviado a uma aldeia bem remota, ao norte, de nome Lhen. Ali passou a aplicar sua vida à oração e à pregação da palavra de Deus e sentiu uma profunda alegria em tudo isso. Ele afirmou: “Eu passei a experimentar as três grandes coisas do reino dos céus: justiça, paz e alegria no Espírito Santo”. Na aldeia viu inúmeras conversões. A igreja logo foi plantada. Pregava até cinco vezes por dia nas praças. Sentiu o abalo de sua saúde. Então decidiu, com sua esposa Catherine Jones, descansar um pouco e visitar o sul. Ele era tão pobre que não conseguia comprar um cavalo. Foi para o sul a pé, e pregando enquanto caminhava. Os convertidos geralmente o seguiam de aldeia em aldeia.

Ele afirmou: “Frequentemente prego de lugar em lugar até ao anoitecer”. A igreja cresceu poderosamente. Evans era um calvinista em sua pregação; uma de suas fortes ênfases na pregação era a soberania de Deus e a responsabilidade humana. Evans era uma pessoa tão piedosa e cheia do Espírito de Deus que por onde pastoreava o Senhor multiplicava o número de pessoas convertidas em pouco tempo. Era um homem tão simples que chegou a viver com recursos quase zero e a morar até em estábulo, junto com animais. Chegava, às vezes, em regiões em que as igrejas estavam quase mortas e em pouco tempo havia uma revitalização de imediato e uma multiplicação de novos convertidos.

Seu ministério como missionário durou quase 50 anos, havendo milhares de conversões em Gales, e um grande avivamento nas igrejas já estabelecidas.

Três fortes marcas na vida de Evans foram:

  1. uma vida muito piedosa e simples diante de Deus;
  2. muita pregação da palavra de Deus para atingir muitos pecadores;
  3. um ministério regado pela oração.

O resultado é que foi um homem cheio do Espírito de Deus para uma obra tão grande e tão sublime; não apenas impactou o país de Gales, mas continua impactando muitas vidas até o dia de hoje. Ao escrever para um jovem pastor, afirmou:

“Pregue o evangelho da graça de Deus, de forma inteligível, com muita afeição e com toda a ousadia, todo o conteúdo do grande livro desde a predestinação até à glorificação”.

Rev. José João de Paula

George Whitefield - O Príncipe dos Pregadores ao ar Livre

2021-11-01T03:00:00.000Z

George Whitefield é conhecido como um dos maiores pregadores de todos os tempos (M. L. Jones), e um dos evangelistas mais poderosos nas mãos de Deus. Nasceu em uma taberna de venda de bebidas alcoólicas.

Ficou órfão quando contava apenas três anos. Para custear seus estudos, fazia faxina numa pensão, lavava roupas e vendia bebidas no bar da família. Deus é sempre assim – usa das coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios (Paulo). Formou-se em Oxford. Foi ordenado ao ministério sagrado. Deixou uma grande marca durante a sua vida, sendo considerado o maior avivalista do século dezoito. Pregava cerca de 10 vezes por semana, em auditórios geralmente com 10 mil pessoas.

Na Escócia, pregou a 100.000 pessoas de uma só vez. Os biógrafos dizem que “ardia nele um zelo santo de ver todas as pessoas libertas da escravidão do pecado”. Ele foi um homem que tinha uma grande sede de Deus, e isso foi experimentado até mesmo antes de sua conversão oficial. Ainda quando criança, lia a Bíblia até altas horas da noite.

Enquanto jovem, sua sede de Deus o tornou consciente de que o Senhor tinha um plano para sua vida e, para preparar-se, jejuava e orava regularmente separando o dia em 3 partes: 8h sozinho com Deus e em estudos; 8h para dormir e fazer as refeições, 8h para o trabalho entre o povo. Seu ministério se deu na Grã-Bretanha, Irlanda e Estados Unidos. Sua pregação era tão vívida que parecia que Deus falava direto dos céus às pessoas. Multidões se entregavam a Cristo no final de cada pregação. Segredo? A efusão do poder do Espírito Santo sobre ele. Ele não tinha o costume de participar de reuniões da liderança eclesiástica; por causa disso geralmente as portas lhe eram fechadas para pregar nas igrejas.

Ele ia para as praças e as multidões o seguiam e o ouviam a céu aberto. Seus biógrafos dizem que nunca pregava sem chorar e chorava com lágrimas sinceras. Ele dizia a seus ouvintes: “Vós me censurais porque choro, mas como posso conter-me, quando não chorais por vós mesmos, apesar das vossas almas mortais estarem à beira da destruição? Não sabeis se estais ouvindo o último sermão, ou não, ou se jamais tereis outra oportunidade de chegar a Cristo!” Dizem que quando acabava de proferir seus sermões, o coração do povo estava derretido pelo calor intenso daquele momento.

Enquanto esteve na universidade, levava grupos de jovens para seu quarto para lhes pregar a Palavra e eram movidos poderosamente pela ação do Espírito Santo. O segredo de seu ministério tão profícuo não estava em sua eloquência. Dizem que apesar de sofrer de problemas pulmonares, quando ele falava ouvia-se em todos os edifícios da proximidade. Também não era a disposição dos corações em receber a Palavra pregada, pois, além da oposição e até perseguição, havia em sua época uma grande decadência espiritual, até mesmo na igreja.

Foi apedrejado, em certa ocasião, enquanto pregava, e em outra ocasião quase foi preso pelas autoridades. “O segredo dos frutos de seu ministério era o seu louco amor para com Deus”, disse um de seus biógrafos. Esse amor fez com que ele consagrasse inteiramente sua vida a Cristo e se ver como um peregrino errante pelo mundo à caça de almas perdidas.

Além do amor ao Senhor Jesus, Whitefield se dedicava horas a fio em oração. Orava intensamente, até Deus visitar seu coração. Ele afirmou em certa ocasião: “Passei dias e semanas inteiros prostrado em terra, suplicando para ser liberto dos meus pensamentos diabólicos que me distraiam. Interesse próprio, rebelião, orgulho e inveja me atormentavam, um após outro, até que resolvi vencê-los ou morrer. Lutei até Deus me conceder vitória sobre eles”.

Suas lutas em oração e rendição ao Senhor lhe fizeram tão poderoso que, como resultado, multidões eram arrastadas para Cristo em busca da salvação. Talvez seja isso o que mais falte em nossos dias e que nos mantêm como missionários e pregadores tão inoperantes na obra de Cristo.

Rev. José João de Paula

Hans Egede - O Apóstolo da Groenlândia

2021-11-01T03:00:00.000Z

A história de Hans Egede nos inspira profundamente como um verdadeiro modelo de abnegação. Foi chamado por Deus e enviado para a região considerada a mais inóspita de nosso planeta. A Groenlândia é mais fria do que um freezer.

Ele era norueguês, mas cursou Teologia em Copenhagen, Dinamarca. Naquele tempo, havia na universidade um clima de grande interesse pelas missões além-mar. Após o término da universidade, foi pastorear em uma remota ilha pertencente às Antilhas de Lofoton. Naquele ano, casou-se com Grutrud Rasch e, como fruto dessa união, nasceram dois casais de filhos. Estando ali, Egede ouviu a história a respeito dos antigos colonizadores que habitavam a Groenlândia, que sobreviveram até o século XV, e que haviam sido colonizados e evangelizados por Lief e Lucky, mas que era um povo abandonado em sua miséria havia quase três séculos.

Um dia, enquanto olhava para o Norte, pensou em seus compatriotas. Ele ouviu uma voz interna que lhe dizia que ele era aquele que deveria procurá-los e ser o pastor deles. Ele nunca deixou de perseguir esse chamado. Por conseguinte, determinou rumar para a Groenlândia. Juntamente com sua esposa, decidiu colocar essa causa diante do Senhor em oração. Sua esposa entendeu que a vontade do Senhor era de que ela fosse uma Sara – para onde Abraão fosse ela deveria também ir.

Numa segunda carta ao rei, Egede corajosamente mostrou que “todos os cristãos têm um dever missionário, enquanto existir um pagão”. A partir de então, o projeto missionário para a Groenlândia começou a tomar forma. Em Lofoton pregou seu sermão de despedida, com base no texto da 2ª carta de Paulo aos Coríntios “A fim de anunciar o evangelho para além das vossas fronteiras...” (2 Co 10.16).

Em 12 de maio de 1722, Egede e sua comitiva de quarenta e seis pessoas partiram de Bergen, Noruega, para a Groenlândia, chegando lá em julho. Encontrou ali não seus irmãos noruegueses, e sim uma raça de anões e “estúpidos” esquimós. Parecia para a comitiva algo desanimador, pois era um povo de língua ágrafa. Experimentaram severos sofrimentos, o sustento advindo de seu povo começou a ser reduzido e incerto e, para completar a dura experiência, o rei dinamarquês ordenou o retorno dos colonos europeus. Mas Egede persuadiu um pequeno grupo a ficar com ele, e com muita luta e dificuldades eles conseguiram lançar as bases da moderna Colônia de Esquimós Cristãos, cuja capital foi Godt-haab.

Durante uma terrível epidemia de varíola que dizimou muitos, Egede e sua esposa foram verdadeiros anjos da vida em seu dedicado ministério tanto do corpo quanto da alma daquela pobre gente. Aquela dedicação e abnegação causou um grande impacto para os esquimós. Foi uma forma de apresentar uma pregação tão poderosa como jamais faria. Os esquimós disseram, posteriormente:

“Vocês nos deram o pão quando estávamos famintos; vocês sepultaram nossos mortos, os quais ficariam a mercê das raposas e dos corvos e, acima de tudo, falaram-nos de Deus, e agora podemos morrer felizes na esperança de uma vida melhor depois desta”.

Em 1734, faleceu Grutrud. Foi uma mulher abençoada tanto para o povo local quanto para seu marido. Em 1735 decidiu retornar para a sua terra. Registrou as seguintes palavras: “Somente a honra de Deus e a instrução de um povo miserável e ignorante foram e serão meus únicos objetivos; ou melhor, o eterno desejo de meu coração até à minha morte”.

Egede ficou 15 anos na Groenlândia e faleceu em 1758, com 72 anos. O sermão de seu funeral se baseou na seguinte expressão: “Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João”. Hans Egede, além de deixar uma igreja cristã plantada entre os esquimós na Groenlândia, inspirou o Conde Nicolau Von Zinzendorf, líder das missões moravianas, a enviar para cada nação dois missionários. A primeira nação que recebeu sua investida missionária foi exatamente a Groenlândia. Essa também é uma vida que muito nos inspira.

Rev. José João de Paula

João Calvino - O Reformador Missionário

2021-10-01T03:00:00.000Z

João Calvino é conhecido por todos nós Reformados como a estrela de primeira grandeza na galáxia dos Reformadores, e o grande intérprete da Reforma do século XVI.

O calvinismo obteve força mundial desde os dias áureos da Reforma, mas Calvino tem sido interpretado, por outro lado, como o Reformador indiferente à causa missionária. Alguns o interpretam como um homem muito ocupado com as causas internas e polêmicas da Reforma, sem dar uma atenção especial aos pecadores perdidos entre as nações. Outros creem que há uma grande injustiça da parte de alguns quando acusam Calvino de não ter dado ênfase às missões.

Ele nunca escreveu um tratado específico sobre missões, todavia entendia, conforme expressa nas Institutas, que o objeto da obra da pregação do evangelho deveria ser “a todos os incrédulos de todos os lugares”. Ele entendia que a implantação e o avanço do reino de Deus apenas se dão quando o evangelho é pregado entre todas as nações.

Calvino insistia que os cristãos carregam a responsabilidade de espalhar o Evangelho. Ele afirma: “porque é nossa obrigação proclamar a bondade de Deus para todas as nações... a obra não pode ser escondida em um canto, mas proclamada em todos os lugares”.

Embora Deus pudesse ter usado outros meios, Ele escolheu “empregar a ação de homens” para a pregação do Evangelho. Pelo fato de entender que o catolicismo é o próprio paganismo, onde houvesse um católico o evangelho deveria ser pregado, especialmente na Europa.

Seus comentários estão repletos de referência a respeito da necessidade de a igreja clamar ao Senhor para que envie obreiros à sua seara. Historiadores honestos afirmam que João Calvino enviou centenas de missionários para a França, para o resto da Europa e para a América. Ele mesmo estava em Genebra, cantão francês, como missionário convidado por Farel.

A Academia de Calvino em Genebra foi interpretada como sendo “um centro de treinamento missionário”. Os doutores preparados na Academia foram enviados especialmente para o mundo romanista do continente europeu. Em 1544, uma delegação da igreja reformada da Bélgica foi até Genebra para solicitar a Calvino que lhes enviasse um missionário reformado para a sua terra devido ao grande paganismo existente lá.

Em 1556 João Calvino enviou dois pastores missionários, um de 50 e outro de 30 anos, para acompanhar um grupo de Huguenotes que veio ao Brasil para a Baía da Guanabara, a fim de trabalhar entre os índios Tupinambás. Chegaram dia 7 de março de 1557 e realizaram o primeiro culto evangélico em 10 de março, a seguir, em terras brasileiras. Cantaram naquele dia o hino que interpreta o Salmo 5 “A minha voz ó Deus atende” (122 do H.P). Alguns foram assassinados brutalmente, mas o sangue desses mártires foi a primeira semente em nossa terra para o nascimento da igreja cristã reformada.

Como é denominado de “O teólogo do Espírito Santo”, deixar de se envolver com a obra missionária seria um verdadeiro contrassenso. Por volta de 1542, a Genebra de Calvino tornou-se um centro de refúgio. Protestantes de toda a Europa iam à Genebra para refugiar-se da perseguição religiosa. Em 1555, a população de Genebra duplicou. O próprio Calvino tinha prazer em abrigar esses refugiados. Isso revela seu coração missionário.

John Knox, pai do presbiterianismo histórico, foi um desses que recebeu toda a influência de Calvino sobre sua vida. Por meio de sua Academia preparou centenas de doutores e os entregou a várias nações europeias para a pregação do evangelho. Países que receberam a influência missionária de Calvino: Holanda, Escócia, Inglaterra, Hungria, Polônia e outros; e, na América, Brasil.

Somos hoje herdeiros da Reforma calvinista. Ser calvinista significa ter também um coração missionário. O mundo inteiro recebeu influência da pregação e dos ensinos de João Calvino. Nossa pergunta é: quem influenciou mais o mundo do que Calvino na expansão do evangelho? Ensina-se missões fazendo missões.

Rev. José João de Paula

Mary Slessor - A Rainha de Okoyong

2021-10-01T03:00:00.000Z

Mary Slessor foi uma presbiteriana que marcou presença na Nigéria, pelo seu grande trabalho e por sua forte personalidade. Nasceu na Escócia (1848), e viveu boa parte de sua vida nas favelas de Dundee. Mary foi marcada pela pobreza e pelos conflitos familiares, sendo às vezes lançada na rua por seu pai embriagado. Dos 11 aos 13 anos, trabalhou no mesmo moinho em que trabalhavam seus pais. Em meio período trabalhava e em meio período estudava.

Aos 14 anos havia se tornado uma habilidosa tecelã de juta. Sustentou a sua casa por vários anos, praticamente sozinha, devido ao número de irmãos que tinha, e ao fato de seu pai viver embriagado. Sua mãe gostava muito de contar histórias missionárias para ela e seus irmãos. Isso afetou muito o seu futuro. Mary sempre se informava sobre o ministério de David Livingstone, missionário no continente africano.

Aos 20 anos começou a trabalhar em uma Missão que fazia evangelismo ao ar livre. Quando tinha 27 anos, e soube que Livingstone morrera, sentiu no coração o desejo de seguir os passos dele. Desde pequena começou a alimentar um sonho de ser missionária no Calabar, hoje Nigéria, e em 5 de agosto de 1876 rumou para a Etiópia, para de lá chegar à Nigéria.

Estabeleceu-se, a princípio, na cidade de Duke, onde passou a ensinar numa escola missionária. Ficou algum tempo ali, mas entendeu que os missionários viviam uma vida muito confortável, o que ela não queria, por ter sido criada numa condição sem qualquer conforto. Seu coração estava disposto a um trabalho pioneiro e não àquele.

A certa altura, devido aos vários ataques de malária, foi lhe permitido tirar férias para recobrar a saúde e rever a família. A seguir retornou para o campo, mas com nova designação na Cidade Velha, junto ao rio Calabar. Suas funções eram várias ali: supervisionar escolas, distribuir remédios, intermediar brigas e cuidar de crianças rejeitadas. Aos domingos, viajava pelas matas, de povoado em povoado a pregar o evangelho. Ela passou a conviver com situações extremas. Via, por exemplo, crocodilos enormes nos córregos. Um dia, sua canoa foi atacada por um hipopótamo e ela salvou sua vida e a vida das crianças que estavam com ela, jogando uma panela nas mandíbulas abertas do animal.

Ela via os barracões em que os nativos capturados viviam em condições sub-humanas. Viu-se em uma terra em que prisioneiros aterrorizados mergulhavam as mãos em óleo fervente para confessar sua culpa, onde as esposas eram estranguladas ou enterradas vivas para irem com seus maridos mortos para o mundo espiritual, onde chefes sem coração encomendavam homens e mulheres para serem decapitados para orgias canibais. Viu uma cultura permeada por bruxaria, que matava recém-nascidos gêmeos e a própria mãe logo após o parto.

Angustiada, se ajoelhou e orou: “Senhor, a tarefa é impossível para mim, mas não para ti. Mostra-me o caminho e eu o seguirei”. Levantando-se, a seguir, disse: “Por que eu deveria temer? Estou em uma missão real. Estou a serviço do Rei dos reis”. Após uma segunda licença, em 1888, retornou e foi para a região norte, uma região muito difícil, Okoyong, uma área selvagem, lugar que custara a vida de muitos missionários. Viveu ali por quinze anos.

Era uma mulher de desafios e coragem. Passou a servi-los, ensina-los, cuidar deles e a servir de árbitro no que dizia respeito as suas disputas. Seu papel de conciliadora se tornou conhecido por todos os distritos da região; por causa disso, passou a atuar como juíza entre eles. Devido a isso, foi nomeada a primeira vice-consulesa para Okoyong. Slessor presidia muitas sessões oficiais que lidavam com questões de terra, dívidas, assuntos familiares e outros.

Ela lutou contra a feitiçaria e a superstição, todavia não pôde ver tantas conversões em seus dias. Ela entendia que estava preparando o campo para outros missionários que viriam no futuro. Viu serem batizadas sete pessoas e uma igreja ser organizada. Pregou o nome de Jesus em todo o tempo e salvou várias pessoas da morte. Fez tudo o que pôde para o seu Senhor e Mestre Jesus. Ficou conhecida como “A Rainha de Okoyong”, ou “A Rainha Branca de Calabar”. Viveu 66 anos de uma vida dedicada à obra do Senhor na Nigéria.

Rev. José João de Paula

Jim Elliot - O Mártir do Equador

2021-09-01T03:00:00.000Z

Philips James Elliot (Jim Elliot) foi um jovem cristão e missionário que sacrificou sua vida por Cristo e pela obra missionária, juntamente com outros quatro irmãos, no Equador, como um verdadeiro mártir da fé cristã, para implantar a semente do evangelho entre a etnia Huaorani (também conhecidos com Waodani, ou Auca), na América do Sul.

Desde sua infância, consagrou sua vida a Cristo e ao grande desejo de alcançar povos não alcançados em outros países, e leva-los ao Senhor Jesus. Mas, enquanto seu plano se solidificava, entendeu que deveria evangelizar e ganhar vidas nos Estados Unidos para Cristo. Aos domingos geralmente ia para as estações de trem em Chicago para falar de Cristo às pessoas. Sentia-se, às vezes, infrutífero nessa obra e isso muito o angustiava.

Certa vez escreveu: “Nenhum fruto ainda. Por que sou tão improdutivo? Não me lembro de ter conduzido mais do que uma ou duas pessoas ao reino. Certamente é porque não há a manifestação de poder da ressurreição. Sinto-me como Raquel: dá-me filhos senão eu morro”. De fato, quem quer ser bênção perto, certamente será bênção também longe. Enquanto pregava aos americanos, orava para Deus deixar claro quanto ao trabalho transcultural. Pouco tempo depois conheceu Elizabeth (Beth), uma jovem com um coração cheio de ardor missionário, com quem se casou. Estudou linguística para grafar línguas ágrafas. Quando definiu que seu campo seria o Equador, passou mais de seis meses estudando as línguas espanhola e quéchua, esta, uma língua ágrafa dos aborígenes equatorianos. Após pregar cerca de três anos entre os Quéchua, decidiu alcançar os indígenas Huaorani (Aucas - termo Quéchua para “selvagens nus”), chamados hoje de povo Waodani - que eram bem mais selvagens e violentos do que os Quéchua.

Elliot e outros quatro missionários (Ed McCully, Roger Youderian, Pete Fleming e o piloto Nate Saint) fizeram contatos do avião Piper PA -14 com os Huaorani, usando um alto-falante e uma cesta para jogar presentes. Depois de muitos meses fazendo assim, decidiram construir uma pequena base próxima à aldeia deles, às margens do Rio Curaray. Quando se aproximou deles um pequeno grupo de Aucas, Nate deu até um voo de presente para um dos curiosos, de nome Naenkiwi. Não sabiam que ele iria traí-los. Naenkiwi disse na aldeia que os missionários tinham “má intenção”, então vieram dez guerreiros à base missionária e mataram de uma só vez os cinco missionários. Isso foi na tarde de 6 de janeiro de 1956. Seus corpos foram lançados no Rio Curaray.

A vida curta de Jim Elliot, que era tão sedenta de compartilhar o amor de Deus, pode ser resumida na frase que é atribuída a ele: “Não é tolo aquele que abre mão do que não pode reter para ganhar o que não pode perder”. A morte de Jim Elliot foi um desastre ou uma semeadura do evangelho entre os Aucas? Várias esposas e filhos dos missionários assassinados regressaram aos Aucas e o evangelho foi finalmente estabelecido em toda a região Waodani. Entre os convertidos, estavam alguns dos que atravessaram os jovens com suas lanças. Raquel Saint (irmã de Nate) investiu as décadas restantes de sua vida no ministério entre os Waodani e foi enterrada lá; Steve Saint (filho de Nate) regressou quando era adulto e foi responsável pela transição da igreja Waodani (e sua cultura) para o século 21, em grande parte livre da dependência nociva do dinheiro e da mão de obra do ocidente.

Não foi em vão o martírio deles. A morte de cada um inspirou muitos jovens ao trabalho missionário em missões transculturais. O amor de Jim Elliot a Cristo e à obra missionária tem sido até hoje uma grande inspiração para o mundo e para o despertamento de muitos. Não se pode deixar de fazer uma rápida referência à esposa de Jim Elliot, Elizabeth Elliot. Ela permaneceu no Equador, plantando e servindo à igreja que nasceu a partir do martírio de seu esposo e dos outros quatro missionários, e veio a falecer já em idade avançada, em 15 de junho de 2015. De fato, são vidas que inspiram a todos nós que precisamos aprender a amar o Senhor Jesus e sua obra.

Rev. José João de Paula

John Eliot - O Apóstolo aos Índios

2021-09-01T03:00:00.000Z

John Eliot (1604-1690) foi um dos primeiros missionários entre os índios norte-americanos e, considerado talvez, o maior deles. Nasceu na Inglaterra, educado em Cambridge, foi em seguida para a Nova Inglaterra (EUA) onde começou seu ministério como pastor substituto em Boston por um ano e, em seguida, numa igreja Presbiteriana em Roxbury, Massachusetts.

Sua união matrimonial com Hana Mumford (1632) foi o primeiro casamento civil registrado nessa cidade. Nas proximidades da cidade havia índios, todavia os colonizadores nunca pensaram em evangelizá-los. Morriam muitos deles, mas os colonizadores até entendiam que essa era uma forma de Deus “limpar a terra” para o “seu povo”.

Os colonizadores criam que os índios eram um atraso para o progresso da civilização – por isso eram marginalizados. A partir de 1644, Eliot se envolveu no empreendimento missionário. Antes de se entregar ao trabalho missionário, ele já começou a aprender o dialeto da tribo Pequot, o Algonquiano, uma língua ágrafa, composta de apenas sons guturais. Teve o auxílio de Cochenoe, um jovem índio que lhe serviu de professor da língua, que foi seu intérprete por vários anos para a pregação entre os indígenas. No seu primeiro sermão aos índios que viviam nas cercanias de Roxbury, percebeu um grande desinteresse no auditório, e todos pareciam cansados e desatentos. Um mês depois, Eliot pregou a outro grupo que se congregou na tenda de Waban e a reação foi bem melhor. Os índios o ouviram atentamente e, a seguir, passaram a fazer-lhe várias perguntas “curiosas, esplêndidas e interessantes”, segundo Eliot.

Depois de pregar sobre vários assuntos, uma importante pergunta – a mais difícil de responder – lhe foi feita: “Por que nenhum homem branco jamais falou sobre essas coisas conosco?”.

Com a ajuda de Cochenoe, traduziu para o Algonquiano os “Dez Mandamentos”, a “Oração do Senhor” e outros escritos e orações. Posteriormente, traduziu vários de seus sermões para os cristãos indígenas. Em 1651 aconteceram os primeiros batismos. Entendendo que seria difícil aos índios convertidos viverem sua fé cristã em meio aos demais da tribo, decidiu formar as chamadas “Cidades de oração”, das quais “Natick” foi a primeira. Em 1671 já havia cerca de 3.600 índios convertidos, distribuídos em catorze colônias. Vendo a necessidade do discipulado e do avanço da evangelização, começou a preparar pregadores índios, que somavam vinte e quatro por ocasião de sua morte. O seguinte juramento era feito pelos índios de cada colônia para estabelecer o princípio de fidelidade, reflexo do ideal puritano:

Com a graça de Cristo, damo-nos a nós mesmos e aos nossos filhos, a Deus, para sermos o seu povo. Ele governará em nós, em todos os nossos assuntos, e não apenas em nossa religião ou nas questões da igreja, mas também em todos os nossos trabalhos e negócios terrenos.

O que tornou Eliot mais célebre foi a tradução de toda a Bíblia para a Língua Algonquiana. Traduziu inicialmente o livro do Gênesis e o Evangelho de Mateus; em 1661 foi completada a tradução do Novo Testamento, seguindo-se o Antigo Testamento, que foi concluído dois anos depois. Ele também preparou uma gramática da língua.

Eliot escreveu uma frase que resume bem sua vida e a de outros missionários: “A oração e os sofrimentos, por meio da fé em Cristo, sempre conseguirão algo”. John Eliot foi duramente criticado por gastar tempo aprendendo aquela língua complicada e ágrafa, quando poderia estar ensinando Inglês aos índios. Quando faleceu em 1690, havia muitos pregadores na tribo.

Uma grande luta armada aconteceu devido ao colonialismo europeu que usurpou as terras indígenas. Foram muitos os índios maltratados pelos colonizadores e uma grande e sangrenta guerra se desencadeou. Os colonizadores quase perderam a batalha, mas venceram-na e destruíram as Cidades de oração e os povoados indígenas. Muitos foram apagados dos registros dos livros coloniais.

Rev. José João de Paula

George William Butler - O Médico Missionário

2021-08-01T03:00:00.000Z

 

George Butler, missionário americano, foi um dos homens mais amados e um dos mais odiados do nordeste do Brasil. Era amado como médico, porém odiado como missionário. Veio como médico missionário, em nome da Missão Presbiteriana do Sul dos Estados Unidos, e se instalou, inicialmente, em São Luiz, MA. Começou ali o plantio da Igreja Presbiteriana.

Um ano após iniciar o trabalho evangelístico, já organizou a Igreja Presbiteriana de São Luiz, e um ano depois, construiu o templo presbiteriano. Ele alcançou muitos membros da elite do Império para o evangelho.

Butler estendeu seu trabalho ao interior da província. Foi a Teresina, capital do Piauí, e ali pregou o evangelho para várias autoridades importantes daquele lugar.

Em 1893, a Missão transferiu Butler para o Recife. Ali assumiu o pastorado da igreja até então dirigida pelo Rev. John Rockwell Smith. Na ocasião ele deu início à construção do templo presbiteriano. Depois, a pedido da Missão, foi residir na cidade de Garanhuns, no agreste pernambucano. Foi nesse lugar que Butler desenvolveu a maior parte de seu ministério. A obra missionária ali foi iniciada sob intensa perseguição.

Em 1895, Butler batizou os primeiros conversos, dentre eles, Jerônimo Gueiros, que se tornou importante pastor presbiteriano. A família Gueiros se tornou uma grande geração presbiteriana no Estado de Pernambuco.

O maior adversário dos evangélicos foi o frei Celestino de Pedávoli. Naquela época houve um grande surto de febre amarela, que ceifou mais de 800 pessoas em Garanhuns, e Butler se desdobrou para assistir à população. Isso lhe deu muito crédito para semear a Palavra de Deus a partir daquele tempo. Por causa disso, Garanhuns se transformou em um centro irradiador do Evangelho para todo o Estado de Pernambuco.

Deus é sábio demais para levar adiante a sua obra. Butler construiu ali o templo local, fundou uma escola presbiteriana (origem do Colégio 15 de Novembro), e contribuiu para a criação de um curso teológico, que mais tarde viria a ser o Seminário Presbiteriano do Norte.

Em Garanhuns, Butler exerceu a Medicina, mas, para não ser acusado de charlatanismo, passou o ano de 1896 em Salvador, com sua família. Após um período de estudos, no dia 17 dezembro de 1896, defendeu tese na Faculdade de Medicina e Farmácia da Bahia, para poder clinicar no Brasil.

Um relatório de 1896 diz que no último ano, o missionário fizera, em viagens evangelísticas, quase 7.000 km de trem, 500 km a cavalo, e prestara assistência médica a 1.500 pessoas.

A seguir, Butler se mudou para a cidade de Canhotinho, a 25 km de Garanhuns, onde passou o resto de sua vida e ministério. Em 7 de fevereiro de 1898 visitou a cidade de São Bento do Una, onde houve forte oposição quanto a sua presença.

Ao retornar, um carteiro, a mando do padre, se propôs a mata-lo. Andava com ele nessas viagens um homem simples e um verdadeiro discípulo, ajudando-o na obra evangelística, cujo nome era Manuel Correia Vilela (conhecido como Né Vilela). Quando o tal jagunço desferiu uma punhalada em Dr. Butler, Né Vilela pulou à frente para protege-lo e levou no coração a punhalada. Morreu no local. Dr. Butler sempre dizia que tinha dois salvadores: Jesus e Né Vilela.

Ele foi tão influente na área da Medicina e da pregação do evangelho, que pessoas de longe vinham para ser atendidas por ele. Era muito amado por todos. O próprio padre, que encomendara a sua morte, procurou-o chorando para tratamento de uma doença incurável, e com muito medo de morrer. Até o padre Cícero, de Juazeiro, lhe enviava pacientes para tratamento de saúde.

Tudo isso foi fruto do grande ministério do Rev. e Dr. Butler. O Colégio 15 de Novembro foi um grande centro de formação de pessoas famosas. O pequeno grão de mostarda naturalmente se transformou em uma grande e frondosa árvore; assim foi esse grão de nome Rev. e Dr. George William Butler. Ele faleceu em 27 de maio de 1919. Glórias a Deus por vidas que tanto nos inspiram!

Rev. José João de Paula