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Uma herança reformada, uma herança missionária

Foi no ano de 1618, quando as igrejas reformadas dos países baixos estavam em meio a uma grande controvérsia em torno do calvinismo clássico, que foram publicados os Cânones de Dort, um documento que refutava biblicamente as críticas levantadas à fé reformada. Foi esse importante documento que originou aquilo que posteriormente ficaria conhecido como as “doutrinas da graça” ou os cinco pontos do calvinismo. Dessa maneira, no primeiro semestre de 2019 comemoram-se os 400 anos desse importante elemento da nossa herança reformada.

Os Cânones de Dort vêm sendo valorizados de distintas maneiras ao longo da história da igreja, no entanto poucos percebem o seu valor missiológico. Gostaria, mesmo que brevemente, de ressaltar alguns pontos da rica contribuição dos Cânones de Dort para nossa reflexão e prática missionária, com o objetivo de evidenciar que se de fato somos uma igreja “reformada”, nossa confessionalidade também tem implicações diretas na maneira como investimos e fazemos missões. 

No quinto parágrafo do segundo capítulo, encontramos as seguintes palavras:

“A promessa do Evangelho é que todo aquele que crer no Cristo crucificado não pereça, mas tenha vida eterna. Esta promessa deve ser anunciada e proclamada sem discriminação a todos os povos e a todos os homens, aos quais Deus em seu bom propósito envia o Evangelho, com a ordem de se arrepender e crer.”

Através dessas palavras, os teólogos de Dort relembram à igreja que é somente por meio do Evangelho que o pecador pode ter a vida eterna, e que sendo assim é um imperativo que tal evangelho seja anunciado e proclamado “sem discriminação” a todos os povos e a todos os homens. A fé reformada, quando compreendida corretamente, impulsiona a igreja à missão, pelo fato de que defende a verdade bíblica de que é somente por meio da fé em Cristo que os pecadores eleitos poderão gozar da vida eterna junto ao seu Senhor. Como bem afirmaram os teólogos de Dort, o evangelho precisa ser pregado em todo mundo, para o arrependimento e fé daqueles que o próprio Pai amou e escolheu para si.

Mas como as pessoas iriam ouvir as boas novas do evangelho se missionários não fossem enviados? A resposta dada pelos teólogos do sínodo de Dort foi a seguinte:

“Para que os homens sejam conduzidos à fé, Deus envia, em sua misericórdia, mensageiros desta mensagem muito alegre a quem e quando Ele quer. Pelo ministério deles, os homens são chamados ao arrependimento e à fé no Cristo crucificado. Porque “…como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados?…” (Rm 10.14, 15).” (Capítulo 1, parágrafo 3)

Ao comemorar os 400 anos desse importante documento de nossa herança, devemos restaurar em nossas igrejas o mesmo vigor missionário presente nos Cânones de Dort. Ser uma igreja reformada implica necessariamente em ser uma igreja missionária. Somos fruto de uma bela e rica tradição que percebeu e defendeu o imperativo divino de proclamar o evangelho a todas as nações. 

Portanto, quatro séculos depois, nós, Igreja Presbiteriana do Brasil, herdeiros da Reforma em solo brasileiro, devemos continuar trabalhando na expansão do evangelho a todos os povos, uma vez que se assim procedemos é porque verdadeiramente cremos que o Pai, por meio da pregação de Sua palavra, continua “realizando seu bom propósito nos eleitos e operando neles a verdadeira conversão da seguinte maneira: Ele faz com que ouçam o Evangelho mediante a pregação e, poderosamente, ilumina suas mentes pelo Espírito Santo de tal modo que possam entender corretamente e discernir as coisas do Espírito de Deus. Mas pela operação eficaz do mesmo Espírito regenerador, Deus também penetra até os recantos mais íntimos do homem. Ele abre o coração fechado e amolece o que está duro, circuncida o que está incircunciso e introduz novas qualidades na vontade. Esta vontade estava morta, mas Ele a faz reviver; era má, mas Ele a torna boa; estava indisposta, mas Ele a torna disposta; era rebelde, mas Ele a faz obediente (I Co 2.14). (Capítulo 3/4, artigo 11).

GABRIEL NEUBARTH

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