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Rev. Gerson Troquez (Senegal) – 21/07/2011

No dia 23 de junho, houve uma manifestação da população em oposição a algumas medidas políticas apresentadas pelo atual presidente do país. Por estarmos em período pré-eleitoral (fevereiro de 2012), estas medidas geraram grande descontentamento da população, e, consequentemente sucessivos atos de agressões e destruições. O que vimos foi um verdadeiro cenário de guerra.

Aproveitando-se do clima de instabilidade do país, alguns grupos radicais começaram a se manifestar para banir grupos que lhes contrariam, dentre os quais os cristãos (93%  da população é muçulmana).  Três igrejas foram queimadas, duas apedrejadas e muitos cristãos feridos.

Todos os projetos missionários se colocaram em alerta, e conosco não foi diferente, orientamos nosso grupo a se precaver e a ter sabedoria na execução de nossas atividades.

No entanto, devido à polêmica da perseguição religiosa vir a público, a proprietária de nossa casa que mora na Itália nos chamou por telefone e diante do risco de alugar seu imóvel para nós (cristãos), ela deu o ultimato: Ou vocês param com o trabalho com as crianças Talibês e não fazem qualquer manifestação de culto na minha propriedade, ou devem deixar o imóvel. Sua palavra também estava refletindo a perseguição de nosso vizinho ocorrida dias antes desta situação geral do país. Com medo de ver seu imóvel perdido e temendo por nós, ela decidiu tomar esta medida. 

Este momento foi muito difícil pra nós porque como sabem, vínhamos muito animados com o que Deus estava fazendo nas atividades do Projeto Dignidade. Parar tudo, parecia algo absurdo aos nossos olhos. Colocamo-nos em oração e buscamos conselho de nossos colegas. Após muita reflexão tomamos a difícil decisão de parar temporariamente o café evangelístico para os Talibês.

Foi muito doloroso vê-los chegar na manhã seguinte e compartilharmos a decisão tomada. Jamais havíamos visto um Talibê chorar e naquele momento vislumbramos olhos marejados de lágrimas. Explicamos a eles o porque deste procedimento, e deixamos claro que assim que tivéssemos mais direções, iríamos procurá-los para informá-los (eles mendigam no nosso bairro).

Mesmo sendo tão difícil, percebemos que foi uma decisão acertada para aquele momento. Dez dias após, reavaliamos a situação e entendemos que poderíamos continuar com os cursos de alfabetização, aprendizado de línguas e costura com aqueles que já estavam frequentando regularmente estas atividades. Muitos ficaram animados de poderem retornar, mas realmente o afastamento dos talibês prejudicou muito a frequência no programa.

Um mês após estes acontecimentos,  quando saímos nas ruas podemos ouvir com frequência gritos de crianças que nos chamam: Samba! Binta! E este chamado vem acompanhado de uma largo sorriso. É um refrigério para nós sabermos que por seis meses a nossa casa se tornou um refúgio para estas crianças tão sofridas. A Palavra foi pregada diariamente e cremos que ela não voltará vazia.

Pelas manhãs continuamos com dois alunos fiés na alfabeitzação e que por sinal já estão lendo muito bem. Temos 14 alunos nas aulas de aprendizado de línguas e 11 na costura, todos empolgadíssemos. Glórias ao Senhor! 

A célula de oração continua, mas também tivemos que transferir o local de encontro devido à interdição da proprietária.

Em Thioffior, tivemos a alegria de receber Jean Noel, a esposa Angelique e os três filhos, Pierre, François e Monique como membros da igreja que está nascendo, são os primeiros frutos nesta aldeia.

Continuamos com a classe de costura destinada para mulheres em Thioffior, e elas estão muito contentes com esta oportunidade porque a vida da mulher nas aldeias é muito sofrida e o trabalho é muito duro. Cremos que a costura lhes permitirá melhorar a renda doméstica e isto também ajudará para que as que quiserem seguir a Jesus não recebam tanta perseguição da sociedade (porque em geral são rejeitadas pela família após a conversão e  tendo autonomia finenceira, será possível se manterem).

Pela graça de Deus, Marilia concluiu mais um curso de Cuidados Básicos de Saúde.  Nesta turma foram 12 alunos, sendo 5 missionários brasileiros e 7 obreiros nacionais. O objetivo desta formação foi preparar estes irmãos e irmãs para melhor servirem em seus projetos missionários no Senegal.

Estamos nos preparativos finais para nossa ida ao Brasil. No final destes três primeiros anos o que podemos testemunhar é que Deus tem sido fiel e misericordioso para conosco. Muitos desafios, mas também muitas vitórias. Nos sentimos em casa, e isso enche nosso coração de alegria e gratidão a Deus.

Pedimos que continuem em intercessão por nós neste tempo em que estaremos fora. Pela nosso grupo de trabalho que se dispôs a levar adiante as atividades na nossa ausência (Zeneide, Benedita, Billy, Papis, Janete, João Noel e Angelique).

Orem também sobre nosso novo projeto para os próximos três anos. Sentimos o desejo de continuar as atividades que já estamos desenvolvendo e  ao retornarmos considerar a possibilidade de reabrir o café evangelístico com os talibês, só que agora em uma casa específica para este ministério.

Louvamos a Deus porque vocês tem sido fiéis em nos sustentar com suas orações, palavras de encorajamento e provisão financeira. Que possam desfrutar das bênçãos de estarem nos planos missionários de Deus.

Grande abraço a todos, com muito carinho e gratidão.

Em Cristo,

Gerson e Marilia

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