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PARTES IGUAIS

TEXTO: 1 SAMUEL 29.21-31

 

INTRODUÇÃO:

 

Estamos sempre no meio de uma guerra, de uma batalha em qualquer lugar do mundo, seja fora ou dentro de casa. Depois de algum tempo na África, alguém pode pensar a nosso respeito: “Ali estão os verdadeiros heróis, afinal de contas deixaram a companhia dos seus familiares e amigos; o conforto da pátria para servirem a Deus num país pobre e sem muita infraestrutura”. Isso é verdade, mas apesar disso, não somos heróis, somos servos de Deus que procuram obedecer ao seu chamado em qualquer canto, todavia, como todo ser humano, sentimos saudades, momentos de fraqueza, desânimo, angústia, cansaço, todavia, o Senhor nos fortalece e nos reanima como fez com Davi. 

Também podemos logo ser comparados por alguém a mendigos: “Lá vem o missionário pedir dinheiro e nos fazer lembrar que há muita pobreza física e espiritual no mundo, enquanto gastamos o nosso dinheiro com futilidades. Ele fala que precisa de dinheiro para investir no reino de Deus, mas eu não quero dar, enquanto gasto 500 reais por mês com coca-cola e sanduiches, ambos gostosos, todavia, calóricos e prejudiciais a saúde, se consumidos em excesso”. Não somos mendigos, somos servos de Deus que trazem a oportunidade de abençoar a vida da igreja, desafiando-a a participar ativamente da obra de Deus no mundo, isto é, da evangelização de todos os povos da terra.

Primeiro chamei sua atenção para uma batalha dentro de casa, dentro da igreja: o fato de nós missionários não sermos nem heróis nem mendigos; agora chamo sua atenção para outra batalha: aquela que Davi e seus homens travaram fora de casa para recuperar suas mulheres, crianças e bens que nos fala sobre partes iguais, como vemos exposto no texto em questão. Nessa época, Davi já fora ungido rei de Israel, mais ainda não tinha assumido o trono, pois Saul era quem reinava e, por inveja, perseguia constantemente a Davi, por isso, ele e seus homens tiverem que fugir para a terra dos filisteus, tendo recebido do rei daquela terra a cidade de Ziclague como refúgio para ele, seus homens, mulheres e crianças.

Certo dia, os filisteus se ajuntaram em Afeca para pelejar contra os israelitas, Davi e seus homens, leais ao rei filisteu, também estavam lá. Todavia, os príncipes filisteus não permitiram que fossem com eles à luta, com medo que mudassem para o lado do seu povo, os israelitas. Por isso, o rei mandou Davi e seus homens voltarem para casa. Quando chegaram a Ziclague, a desgraça estava feita: a cidade saqueada, queimada e feita cativa pelos amalequitas. Quando os companheiros de Davi viram aquela desgraça, quiseram o apedrejar, mas ele se reanimou no Senhor, buscou nele força e direção, saindo em seguida para libertar seus cativos e recuperar seus bens.

Todavia, do grupo dos 600 homens que liderava, somente 400 homens o acompanharam nessa batalha; 200 ficaram para traz de cansados que estavam. Davi e seus homens alcançaram os amalequitas e os derrotaram, recuperando os cativos e seus bens, retornando vitorioso ao encontro do restante do grupo que ficou do outro lado do rio. Os homens maus e que não temiam a Deus, ou seja, filhos de belial, não queriam dividir os bens conquistados na guerra, mas apenas entregar suas mulheres e crianças. Entretanto, Davi como um líder temente a Deus, sábio e compassivo, interviu e disse: “Não é assim que nós agimos. A vitória foi o Senhor quem nos deu e todos tem parte nela: Tanto os que lutaram na linha de frente quanto os que ficaram na retaguarda. A partir de hoje todos terão partes iguais”.

 

Que aplicações podemos tirar desse texto para nossa vida e para o nosso envolvimento na obra missionária?

 

  1. Todos nós somos chamados à luta, não física, mas espiritual. Estamos numa grande guerra contra Satanás, contra a nossa natureza pecaminosa e contra o mundo. Todavia, nessa luta não adianta espada, revólver e a força do braço. Precisamos de armas espirituais, precisamos da armadura de Deus: cinto da verdade, couraça da justiça, evangelho da paz, escudo da fé, capacete da salvação e a da espada do Espírito que a Palavra de Deus. Em resumo, as nossas armas são: vida de comunhão com Deus pela oração e pela Palavra; santidade de vida e testemunho de Cristo com palavras e atos pelo poder do Espírito. 
  2. Nessas batalhas que travamos nos ferimos, passamos dificuldades e privações, mas não devemos desanimar. Temos que buscar sempre no Senhor novo ânimo, força e direção para prosseguirmos. Logo que chegamos à Guiné-Bissau o Timóteo pegou malária forte, mas Deus nos ajudou.
  3. Nessas batalhas, alguns lutam na linha de frente; outros ficam na retaguarda para prover suprimentos e apoio. Todavia, todos são importantes e necessários na posição que se encontram. O exército de Deus tem que está unido e integrado para que haja vitória no campo. Igreja e missionário tem que caminhar de mãos dadas, de joelhos dobrados e de bolsos abertos para que os pecadores sejam libertos da prisão de satanás e Deus seja glorificado.
  4. Os louros da vitória devem ser divididos igualmente. Todos merecem participação neles. Quando o missionário no campo prega o evangelho, discípula e forma um obreiro; os que oram e investem nele e no seu ministério também tem participação nesse feito, humanamente falando.
  5. A vitória só possível quando o Senhor está conosco. Ele é a fonte da nossa vitória, do crescimento da obra missionária. Portanto, em última estância a obra é dele, o trabalho é dele, a vitória é dele, a glória é dele, é para ele, e por meio dele. A ele, pois, a glória, eternamente. Amém.

 

Rev. Paulo Serafim,

APMT – Guiné-Bissau

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