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PALAVRA DO ORADOR DOS FORMANDOS DO CFM 2012

Excelentíssimos senhores e senhoras, estimados professores, mui digníssimos membros da diretoria da APMT, colegas missionários e demais convidados, boa noite.

         Pela graça de Deus a turma do CFM (Centro de Formação Missiológica) 2012 conclui seus estudos e chega o dia tão esperado: a formatura. Certamente, a ansiedade ronda nossos corações, fazendo a saliva secar em nossa boca, as mãos suarem e um misto de alegria e preocupação invade nossa alma; alegria por termos alcançado mais esta vitória curricular (etapa exigida para tão sonhada posição de missionário da Igreja Presbiteriana do Brasil), porém, a preocupação por saber que esta foi a parte mais fácil, pois os grandes desafios terão início agora. Entretanto, a despeito das inquietações do dia de amanhã, nossa alma está jubilosa por esse dia, e devemos nossa gratidão a Deus, primeiramente, e a cada um dos nossos mestres que, pacientemente, nos ensinaram a Palavra de Deus.

         Nesta noite tão importante não podemos deixar de estimular aos nossos caros colegas acerca da tão nobre missão que nos foi comissionada pelo Senhor Jesus Cristo. Nos evangelhos lemos reiteradamente que devemos ir por todo o mundo e pregar o evangelho a toda criatura. Não nos sentimos melhores que as outras pessoas por aceitar esse chamado, ou especiais, ou loucos por desejarmos ir aos campos transculturais. Não recebemos nenhuma visitação do anjo do Senhor ou coisa assim. Simplesmente resolvemos obedecer. Como disse Sophia Miller, missionária entre os índios da Amazônia: “Eu não tive um chamado, li uma ordem e obedeci.”Ou como disse o missionário Jim Elliot, missionário e mártir entre os índios Aucas, no Equador, de forma mais coloquial:“Nós não precisamos de uma grande chamada de Deus, o que realmente necessitamos é de um bom chute no traseiro”.Assim, compreendemos que, além de existir uma vocação geral (que conclama toda criatura a se voltar para Deus) e uma vocação eficaz (uma ação soberana do Espírito Santo agindo no coração do pecador), há também um chamado para que seus filhos obedeçam à Grande Comissão. É verdade que, em muitos momentos, esta Grande Comissão tem se tornado a grande omissão da igreja de Cristo, quando nos ensimesmamos em nossos guetos eclesiásticos e priorizamos tijolos a almas, jantares a doações, festas a jejuns, ofertas para bancos almofadados a ofertas para nossos missionários. E, certamente, a indagação bíblica insiste em bater em nossas mentes: quem irá? Para esta pergunta, Oswald Smith bradou assim“Você deve ir ou enviar um substituto”. Nós resolvemos ir.

         Mas, não se enganem aqueles que pensam que o trabalho missionário sério é um mar de rosas, ou que aglomeraremos multidões com nossa pregação. Foi o próprio Cristo quem nos alertou em Jo. 16:33: “Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (NVI). O desafio missionário exigirá de cada um de nós renúncia, abnegação, solidão e, nos casos mais aviltantes,

agressão. Contudo, as penúrias da vida, e até mesmo a própria morte não são pareis para a convicção que temos, sedimentada na rocha eterna, Cristo Jesus. Foi Martin Luther King Jr. quem disse“Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver”. Me desculpem se nossa conversa tomou um rumo meio cataclísmico ou fatalista, mas percebo que muitos missionários têm voltado de seus campos  frustrados e desiludidos em meios às grandes provas que determinadas regiões do mundo imprimem ao servo do Senhor. Estou tentando simplesmente ser realista diante das agruras de uma vida missionária. David Brainerd, missionário entre os índios americanos, disse assim: “Declaro, agora que estou morrendo, que não teria gasto minha vida doutro modo, ainda que recebesse em troca o mundo inteiro”.

         Entretanto, não é só de sofrimentos que vive um missionário. Sua árdua luta possui recompensas gratificantes.

Quem pode nos roubar a alegria de ver uma alma se convertendo através do nosso ministério? Quem pode tirar de nós a motivação em avançar com o evangelho nos cantos mais inóspitos deste planeta, vendo se cumprir a palavra de Deus, onde diz que as portas do inferno não prevalecerão contra a igreja de Cristo (Mt. 16:18)? A certeza de que não estamos sós, quando recebemos uma singela carta de uma de nossas igrejas, se comprometendo a orar pelo nosso ministério! Ah! Quantas bênçãos advindas da vida missionária! Que prazer! Que honra ser um dos poucos trabalhadores da Seara do Mestre!

         Assim, para que possamos nos pautar na Palavra de Deus acerca da forma como devemos viver para Cristo, cito a vida de Davi em um versículo, para nosso exemplo de vida dedicada a Deus, registrado em Atos 13:36: “Porque, na verdade, tendo Davi servido à sua própria geração, conforme o desígnio de Deus, adormeceu, foi para junto de seus pais e viu corrupção”. Proponho você ver este versículo em três perspectivas diferentes, mas complementares:

1) Independente da posição que eu tenha chegado na minha vida, sempre serei um servo –  Davi serviu à sua própria geração. Ele não é lembrado apenas como o grande rei de Israel, mas também é lembrado como servo. Davi imitou o Senhor Jesus quando não veio para ser servido mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos. Aqui cai por terra nossos títulos, nossas posições eclesiásticas ou até mesmo nossas riquezas, pois o máximo que poderemos ser no Reino de Deus, será um humilde servo, um escravo de Cristo. Hudson Taylor, missionário na China, disse: “Não são os grandes homens que transformam o mundo, mas sim os fracos e pequenos nas mãos de um grande Deus”.

 2) Independente de quanto tempo eu tenha vivido, eu só tenho uma vida para fazer a diferença –  Davi serviu a sua própria geração. O homem é totalmente limitado no tempo e no espaço. Portanto, viva hoje intensamente para Deus, pois um dia você morrerá. Lembrando das palavras de Jim Elliot: “Viva de tal maneira que quando chegar o momento de morrer, não tenha mais nada para fazer, senão morrer”.

O legado do cristianismo foi passado de geração para geração, e agora é a nossa vez. Está em nossas mãos a responsabilidade de continuar a pregação do evangelho num mundo em trevas; está em nossas mãos a responsabilidade de ensinar a próxima geração a temer e amar a Deus acima de todas as coisas. Que possamos dizer como o apóstolo Paulo: Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé (II Tm. 4:7).

3) Independente de como eu tenha vivido, só terá valido a pena se vivido para Deus – Davi serviu à sua própria geração conforme o desígnio de Deus. Este é quase um epitáfio, cunhado na lápide de Davi. É verdade que Davi cometeu muitos erros em sua vida: adulterou com Bate-Seba; foi o mandante no assassinato de Urias, esposo de Bate-Seba; foi um pai negligente; foi vaidoso quando levantou o senso de Israel; mas, o que fez Davi um homem segundo o coração de Deus foi sua capacidade de se arrepender. Ele disse no Salmo 32:1: “Bem aventurado aquele cuja iniquidade é perdoada, cujo pecado é coberto. Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui iniquidade…”. Louvado seja Deus porque, a despeitos dos meus pecados, o Pai quer me usar para realizar a sua obra. A vida só terá valido a pena se vivemos para Deus. O Conde Zinzendorf, líder dos morávios, disse: “Meu destino é proclamar a mensagem sem me importar com as consequências pessoais para mim mesmo”.Só terá valido a pena se vivido para Cristo.

         Concluo minha palavra desafiando a cada um dos meus colegas formandos a perseverem firmes na fé, não se abalarem ante as adversidades e, em tudo, glorificarem ao Senhor Jesus Cristo. Deus nos deu uma missão, e precisamos obedecer. Quando João Calvino foi desafiado por William Farel a ajuda-lo em Genebra, seu coração resistente não o quis, ante a realidade grotesca da decadente cidade. Mas, depois de compreender o chamado de Deus para aquela região, Calvino aceitou o desafio de pastorear Genebra e foi o instrumento de Deus para transformar a sociedade com o evangelho. Mais tarde, ele disse:

Embora, para mim, Genebra fosse uma província molesta, jamais me passou pela mente a ideia de abandoná-la. Pois me considerava colocado naquela posição por Deus, como a sentinela no seu posto, do qual seria impiedade minha se me demovesse um único passo. Todavia, penso que você dificilmente me acreditaria se lhe relatasse só a mínima parte das angústias, e não somente isso, mas até mesmo da miséria que tivemos de suportar um ano inteiro. Posso testificar, verdadeiramente, que não se passava nenhum dia sem que eu ansiasse, inúmeras vezes, pela morte. Mas quanto a deixa aquela igreja para ir a outro lugar, tal pensamento jamais me veio à cabeça”.

         Que Deus nos ajude a cumprir nossa missão!

Rev. Cleber Macedo de Oliveira

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