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Oposição ao trabalho indígena

Missionários evangélicos têm trabalhado com povos indígenas por mais de um século. Isso sem contar as iniciativas anteriores feitas pelos holandeses e franceses reformados em sua curta temporada por aqui.

Por muitos anos o trabalho foi realizado primariamente por irmãos nossos vindos da outra América e da Europa. Atualmente, o número desses irmãos é bem menor, sendo que o de brasileiros tem crescido bem, embora não de maneira a suprir totalmente as necessidades. Há ainda pelo menos cem grupos indígenas sem presença missionária.

O trabalho indígena sempre suscitou questionamentos e oposição. No momento, a atuação missionária evangélica numa tribo é considerada por muitos quase como atividade criminosa. Quantas e quantas vezes ao ser apresentado a um linguista ou antropólogo não-cristão, senti o desprezo e, em alguns casos, até raiva por parte deles para comigo. O colega Isaac de Souza, em seu livro “De todas as Tribos”, narra a história de uma antropóloga que, ao ouvir da morte de um missionário evangélico pelas mãos de guerrilheiros colombianos, manifestou aprovação quanto ao ocorrido.

Oposição “de fora”

Sem sombra de dúvida, a maior oposição que sofremos vem de pessoas não cristãs, especialmente de certos setores acadêmicos e da Mídia. São várias as acusações. Enumero a seguir as principais:

FALTA DE PREPARO

Essa é uma crítica antiga, porém, já não muito válida atualmente. Os missionários eram considerados fracos em termos de bagagem intelectual-acadêmica. Eles eram acusados de não entender a cultura e visão indígenas. Hoje, com um contingente de missionários com alto nível de formação e envolvimento em atividades acadêmicas, essas críticas não procedem. Com isso, os opositores mudaram de tática. Ao invés de criticarem a falta de preparo dos missionários, os acusam de falta de ética, por estarem associando atividade científica com religião. Assim, os missionários-linguistas ou missionários-antropólogos são boicotados, desprezados e combatidos. São praticamente impedidos de pertencer às associações das respectivas categorias, como a Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e a Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN).

ETNOCÍDIO

A principal acusação que os acadêmicos e a Mídia fazem aos missionários é que estes destroem as culturas indígenas. Para essas pessoas, o evangelho é etnocida, prejudicial e destruidor de culturas. Assim, toda forma de catequese deve ser combatida. Começou-se a ver a cultura indígena como algo puro, um modelo para as sociedades chamadas ‘civilizadas’. A noção do ‘bom selvagem’, uma visão romântica das sociedades indígenas, é a visão que predomina no meio acadêmico hoje. Dessa forma, qualquer interferência externa é considerada prejudicial à manutenção dessas culturas. A consequência dessa ideologia é a pregação do ‘isolamento das sociedades indígenas’. Para os defensores dessa ideologia, a melhor forma de preservar as culturas indígenas é isolá-las da sociedade envolvente.

Oposição “de dentro”

Já tive que enfrentar oposição interna também. Por oposição interna, refiro-me a pessoas de dentro da igreja que não concordam com o trabalho missionário indígena. Gente com uma visão empresarial do Reino, por exemplo. Para essas pessoas, os gastos não compensam os frutos. Elas acham que os indígenas são incapazes de crer e desenvolver a sua fé, que os frutos têm sido muito poucos e que, portanto não vale à pena tanto esforço. A verdade é que, infelizmente, nas igrejas, há até aqueles para os quais os indígenas não passam de bárbaros, semi-humanos! Há também os que se opõem por razões estatísticas. Os números determinam a prioridade na tarefa missionária. A máxima é: “Quanto mais possibilidade de frutos, mais investimentos.” Consequentemente, quanto menos fruto, menos interesse. E há ainda outros que acham que o missionário escolhe uma tribo indígena como fuga. Já ouvi de pessoas amigas que deve ser bem mais fácil trabalhar em uma tribo, onde “não há necessidade de se preparar um bom sermão todo domingo”, “onde preparo teológico não é realmente necessário”.

Por questões de espaço, vou dar apenas uma resposta a cada grupo de opositores.

Resposta aos “de fora”

Primeiro, recomendo a leitura do livro “De todas as tribos”, de Isaac Costa, editora Ultimato. Nele há uma defesa completa do trabalho missionário indígena. Aqui, direi apenas que creio na supraculturalidade do Evangelho. Creio que o termo grego euaggelion não signifique ‘boa nova’ em vão. Continuo afirmando que o evangelho não é uma má notícia, nem para os indígenas nem para qualquer outro povo. É bem verdade que a igreja pode até, em alguns casos, ter transformado a mensagem em má notícia, especialmente quando enfoca coisas negativas e secundárias. O cerne do evangelho é que a salvação chegou aos homens na pessoa do Filho encarnado. Pode isso ser prejudicial para alguma cultura?

Resposta aos “de dentro”

Quanto aos que pensam que não vale a pena gastar a vida para tentar evangelizar uma pequena tribo nos rincões amazônicos, direi apenas que o Evangelho é para todos os povos (grego ethnê) e isso inclui os indígenas (Mt 28:18-20; At 1:8). Quanto aos que pensam que os indígenas não têm capacidade de compreender a mensagem, direi que a história tem mostrado o contrário. O indígena é perfeitamente capaz de crer e desenvolver a sua fé. Sugiro a leitura de livros que retratam experiências extraordinárias de conversões de indígenas . Finalmente, para os que estão demasiadamente preocupados com números, direi que o que Deus requer do obreiro é que cada um seja encontrado fiel (1Co 4:2). Sugiro também a leitura de Atos 8:26-40 e uma reflexão, perguntando: Se Deus está tão interessado em números, por que ele retirou Filipe de uma grande campanha em Samaria e o enviou ao deserto para evangelizar somente uma pessoa?! A resposta está em Isaías 55:8 “…os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor”. Embora o contexto original desse verso seja o povo de Israel, povo esse com visão contrária à visão de Deus, acho que o verso também se aplica ao povo de Deus de hoje, você não acha? Ou será que somos tão diferentes do antigo Israel?

REV. NORVAL OLIVEIRA DA SILVA

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