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O que fazer quando os planos falham?

A proclamação do evangelho frequentemente ocorre em meio a acontecimentos inesperados, processos confusos e planos que parecem falhar.

O que fazer quando nossas expectativas, planos e esperanças não se concretizam? O que fazer quando enfrentamos oposições, críticas e perseguição, mesmo buscando a direção de Deus? O que fazer quando falhamos?

Em Atos 16 o apóstolo Paulo encontrava-se no auge do seu ministério. Acumulava vasta experiência, trabalhava com uma forte equipe e diversas igrejas haviam sido plantadas. No verso 5 lemos que “as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número”. Eram dias bons, de ânimo e entusiasmo na obra missionária. Parecia normal pensar em expandir.

Paulo, assim, decide evangelizar a Ásia. Sua intenção é anunciar o evangelho em uma vasta região ainda não evangelizada. Quem se oporia à uma missão tão nobre em área tão carente? Deus se opôs, pois “foram impedidos pelo Espírito Santo de pregar a Palavra na Ásia” (v.6). Paulo então muda os planos e decide seguir para uma região igualmente carente, porém mais próxima, a Bitínia, e ali pregar o evangelho de Cristo. Entretanto, mais uma vez o “Espírito de Jesus não o permitiu” (v.7). Duas palavras gregas foram usadas no texto para expressar esse impedimento de Deus: koluo e eao. Ambas apontam para um impedimento ativo, uma proibição. Não sabemos como foram impedidos, se de maneira natural ligada a transporte, saúde, recursos, aprovação ou contatos, por exemplo; ou de maneira sobrenatural. De toda forma, entenderam que era o Senhor quem os impedia.

O momento é confuso, pois Paulo tem convicção de seu chamado para evangelizar os gentios, está em um momento ideal para grandes expansões, os motivos são bíblicos e santos, mas Deus os impede. Retornam então para Trôade a fim de recobrar ânimo, orar e refletir. O porto marítimo de Trôade era a opção natural naquele momento e a Palavra simplesmente afirma que “desceram a Trôade” (v.8). Essa, porém, talvez tenha sido a decisão mais acertada em todo aquele movimento. Há momentos na vida e no ministério em que é preciso parar, orar, buscar direção e refletir. Não podemos nos envolver com tudo o que nos encanta, pois nem tudo o que é encantador é a vontade de Deus.

Em Trôade Paulo tem uma visão na qual um varão macedônio o convoca para socorrê-lo (“Passa à Macedônia e ajuda-nos”), o que fez com que imediatamente partissem para lá (v.8,9). Chegando em Filipos, primeira cidade da Macedônia, não encontram um homem, mas uma mulher. E ela não é de Filipos, mas de Tiatira. Os planos parecem novamente falhar. Porém, proclamando o evangelho, Lídia e seus parentes são transformados pelo Senhor, pois “o Senhor lhe abriu o coração” (v.14,15).

Nesse meio tempo surgiu uma jovem possessa que passou a seguir Paulo e Silas e, curiosamente, falava a verdade, que eram servos do Deus Altíssimo e anunciavam o caminho da salvação (v.17). Paulo expulsou o espírito demoníaco em nome de Jesus, causando grande revolta nos homens que lucravam com aquela jovem, que era possessa por um espírito adivinhador. Houve intensa perseguição e foram açoitados “com muitos açoites” e trancados no cárcere (v.19-24). Os planos mais uma vez parecem falhar. Entretanto, enquanto louvavam a Deus na prisão, o Senhor enviou grande terremoto, abrindo o cárcere e conduzindo o carcereiro a se converter a Cristo com toda a sua família (v.25-32). Por fim, Paulo e Silas foram libertos e voltaram para a casa de Lídia onde “vendo os irmãos, os confortaram” (v.40). Havia uma igreja na casa de Lídia!

Essa é uma narrativa repleta de acontecimentos inesperados, fracassos e mudanças de rumo. Em uma perspectiva humana foi uma viagem turbulenta e frustrante. Na providência de Deus, o evangelho foi pregado, pessoas foram transformadas e nasceu uma igreja. E essa igreja, que em meio a tantas lutas nasceu em Filipos, enviou Epafrodito como missionário, associou-se ao ministério de Paulo, inclusive com várias contribuições financeiras, e recebeu a epístola aos Filipenses, que edifica toda a igreja de Cristo ao longo dos séculos.

O que fazer quando os planos fracassam? Há pelo menos três claras atitudes de Paulo e Silas que podem ser observadas nessa narrativa. 

Ande na trilha da espiritualidade

Primeiramente, eles permaneceram no caminho da espiritualidade. Em todo o processo, buscavam a Deus, oravam e louvavam o Seu Nome. Mesmo em meio às frustrações, não deixaram de buscar ao Senhor. É na trilha da espiritualidade que encontramos a direção do Alto, somos por Ele dirigidos e fazemos a Sua vontade.

Eles entenderam que era Deus quem os impedia e, em lugar de descontentamento e murmúrio, voltaram para Trôade para orar, refletir e buscar a direção de Deus. Precisamos gastar mais tempo em Trôade ao longo de nossas vidas e ministérios. Precisamos orar mais, refletir mais e buscar em Deus discernimento sobre dias bons e maus.

Apesar de não sabermos como foram por Deus impedidos, eles rapidamente reconheceram que foi Deus quem os impediu. Aparentemente seguiam o caminho com os olhos sempre abertos, tentando discernir os rumos, os alvos e as ações de Deus. Queriam intensamente fazer a Sua vontade.

Na teologia paulina, há sete práticas cristãs que resumem o caminho da espiritualidade. São as práticas mais enfatizadas ou repetidas em suas cartas. A primeira é a Palavra, a leitura e meditação na Palavra de Deus. A segunda é a adoração, seja pública ou privada, individual ou coletiva. Logo depois a comunhão – caminhar com aqueles que amam e seguem o Senhor Jesus. Segue-se a oração, fazendo da vida um contínuo diálogo com o Pai em Nome do Senhor Jesus. A quinta prática é a santidade, buscando intencional e intensamente uma vida pura que agrada a Deus. Logo depois as boas obras, vivendo com olhos abertos para perceber e abraçar aqueles que, ao nosso redor, vivem em sofrimento. Por fim, a evangelização – abrir a boca e falar quem é Jesus e o que Ele fez por nós. Palavra, adoração, comunhão, oração, santidade, boas obras e evangelização. É na trilha da espiritualidade que somos dirigidos, encorajados, confrontados, corrigidos e abençoados por Deus.

Billy Graham, em uma entrevista já em idade avançada, disse que faria três coisas diferentes em sua vida, se pudesse começar de novo: oraria mais, estudaria mais e viajaria menos.

Invista em pessoas improváveis

Outra perceptível atitude de Paulo e Silas foi o investimento em pessoas improváveis. Evangelizaram Lídia, uma jovem provavelmen- te solteira e negociante de púrpura que vinha de outra região, Tiatira. Abordaram uma outra jovem, possessa por um espírito maligno e testemunharam de Deus a um carcereiro enquanto presos, em ambiente de total desconforto. A partir da visão em Trôade eles procuraram o varão macedônio, mas encontraram uma jovem forasteira, uma moça possessa e um carcereiro desesperado. E investiram em suas vidas.

Nesse relato não há descrição de pessoas estratégicas em uma percepção humana. Nenhuma dessas três pessoas ganha destaque posterior a esse texto. Mas foi nesse ambiente e com essas (e outras) pessoas que nasceu uma forte igreja que amou a Jesus e amou a obra missionária.

Devemos sempre nos lembrar que somos também os improváveis, nos quais Deus investiu por meio de Cristo Jesus. Por algum motivo, Ele tem predileção por chamar e usar os fracos, incompletos, confusos e duvidosos, como você e eu. Também, cada um de nós, ao longo da vida e do trabalho, deve manter os olhos abertos para os improváveis que cruzarem o nosso caminho, e investir em suas vidas.

Confie que Deus tem um plano e descanse no plano de Deus

Talvez a atitude mais clara nas vidas de Paulo e Silas foi confiar que Deus tinha um plano. Em momentos de confusão, incertezas e planos que falham, creia que Deus tem um plano e descanse no plano de Deus. O descanso é fruto da fé. A medida que cremos, descansamos. A medida que cremos, nosso coração se tranquiliza e nossa alma se enche de esperança, mesmo quando os planos parecem falhar.

A cena bíblica é emblemática. Depois de tantos problemas, Paulo e Silas encontram-se na prisão onde resolvem cantar louvores a Deus (v.25). Havia sido um dia penoso, doloroso e frustrante. Haviam apanhado em praça pública e estavam trancados em uma prisão, sem garantias sobre quando ou se seriam soltos. A meia noite, porém, em lugar de desespero, houve adoração, pois passaram a orar e cantar louvores a Deus. A medida que cremos que Deus tem um plano e descansamos no plano de Deus, o desespero dá lugar à adoração. E no meio da adoração Deus é glorificado, os homens têm paz e os povos são alcançados pelo Seu amor.

Sigamos firmes na direção do Senhor, buscando vez por outra pousar em Trôade e cami- nhar confiados que Ele dirige as nossas vidas e está construindo a Sua igreja na Terra. Nossos planos podem falhar. Os de Deus não.

Ronaldo Lidório

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