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O agir de Deus e o agir da Igreja

Como dizem os estudiosos, Atos dos Apóstolos poderia muito bem se chamar: Atos do Espírito Santo através dos apóstolos e, consequentemente, através da Igreja Primitiva. Nesse livro, o médico, evangelista, teólogo e historiador Lucas narra com todas as letras a ação soberana e graciosa de Deus para salvar os pecadores através do seu Filho Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou, ascendeu aos céus e enviou o seu Espírito Santo para habitar na igreja e atuar através dela.

Percebemos isso em cada capítulo, a começar do primeiro, que deve ser lido juntamente com o capítulo 24 do evangelho de Lucas, em que Jesus fala para os discípulos não saírem de Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder. Eles obedeceram e, no capítulo 2, vemos a descida do Espírito Santo agindo poderosamente, a fim de que os discípulos fossem capacitados com poder e os pecadores fossem salvos graciosamente através do Evangelho de Cristo.

A grande história da Bíblia é a história da redenção, é a história da salvação através de Cristo. É Deus agindo em Cristo, primeiramente, e não a ação do homem. Toda a Escritura aponta para Cristo e para aquilo que os servos de Deus fizeram em resposta a sua salvação graciosa, tendo a morte e ressureição de Cristo como pontos culminantes na história humana, e o livro de Atos não é diferente.

Se por um lado, no livro de Atos, temos a ação soberana e graciosa de Deus para a salvação dos pecadores, por outro lado temos a ação da Igreja respondendo obedientemente a Deus e a sua graça. Por isso, o livro de Atos também enfatiza o agir da Igreja, sua ação no mundo, não pela sua força ou poder, mas pela força e poder do Espírito Santo.

A pergunta é: qual deve ser, então, a ação da Igreja dentro da ação de Deus, dentro do seu agir soberano e gracioso para a salvação dos pecadores?

A Igreja deve buscar a Cristo na oração (At 1.14, 24, 2.42, 3.1, 4.24)

Enquanto aguardava a descida do Espírito Santo, a Igreja permaneceu em oração. Após a desci- da do Espírito Santo, a Igreja continuou em oração. Quando foi perseguida, a Igreja orou por intrepidez para continuar servindo a Deus com fidelidade. No Evangelho e em Atos, Lucas dá um grande destaque à oração através do exemplo e ensino de Jesus e da prática da Igreja Primitiva.

A oração expressava a dependência dos após- tolos e da Igreja Primitiva de Cristo, e expressa a nossa dependência também. Quem ora antes de agir está confessando que precisa do agir de Deus para vencer e que sem Deus não haverá vitória, porque não é por força nem por violência, mas pelo Espírito do Senhor. A guerra espiritual que enfrentamos não é decidida no campo de batalha do mundo, mas na oração, na presença de Deus. Lembram-se da vitória que os israelitas conseguiram sobre os amalequitas? Josué desceu no vale para lutar, mas a batalha foi vencida a favor de Israel no monte da oração por Moisés, Arão e Hur. Como sumo sacerdote, maior que Moisés, Cristo fez e faz contínua intercessão diante do Pai pela Igreja. Por isso, podemos “nos achegar confiadamente do trono da graça de Deus para obter socorro em ocasião oportuna”, diz o autor de Hebreus. A pergunta é: qual deve ser, então, a ação da Igreja dentro da ação de Deus, dentro do seu agir soberano e gracioso para a salvação dos pecadores? Primeiro, a Igreja deve buscar a Cristo em oração.

A Igreja deve anunciar a Cristo na pregação (At 2.14-41)

Anunciar a Cristo é pregar tudo que ele ensinou, é pregar todo o desígnio de Deus, é pregar toda a Palavra de Deus, porque Cristo é o foco principal das Escrituras Sagradas. Jesus mesmo falou que elas testificam dele, apontam para ele e têm seu cumprimento nele. Os apóstolos e a Igreja Primitiva entenderam isso com clareza e anunciaram Cristo com toda a intrepidez e coragem. Veja o primeiro sermão de Pedro após a descida do Espírito Santo: é um sermão cristocêntrico e a nossa pregação tem de ser cristocêntrica, isso é, centrada em Cristo, na sua morte e ressurreição, no seu governo soberano sobre o mundo, destacando que ele é o único Salvador e Senhor de todos que desejam ser salvos (At 2.21, 4.10-12). A pregação da Palavra de Deus, a pregação centrada em Cristo era a força da Igreja Primitiva pelo poder do Espírito Santo. Ela não tinha templos, não tinha dinheiro, não tinha quase ninguém de alta posição social e de alto grau de estudo, porém tinha o poder e a coragem do Espírito Santo para pregar a Cristo. Mesmo sendo ameaçada e perseguida, não deixou de dar testemunho dele (4.19-20). Se queremos ver pessoas sendo salvas, pessoas se convertendo ao Senhor, precisamos orar e, principalmente, pregar o Evangelho de Cristo, pois “a fé vem pelo ouvir, o ouvir a palavra de Cristo”. Orar é bom, mas a oração não é suficiente para a salvação dos pecadores porque ela não é o meio ordinário de Deus salvá-los. O meio ordinário de Deus salvar os pecadores é a pregação da Palavra, do Evangelho de Cristo. Foi pela preocupação de serem fiéis a Deus no cumprimento do seu chamado, por causa da salvação dos pecadores e para a edificação da Igreja, que os apóstolos buscaram crentes dedicados para servirem às mesas, cuidarem da diaconia, e do serviço social, a fim de que eles pudessem se dedicar à oração e a pregação (At 6.4). Portanto preguemos a Palavra pela graça de Deus! Anunciemos o Evangelho, anunciemos Cristo na pregação! Ele enviou o seu Espírito para sermos suas testemunhas. Alguns serão suas testemunhas como eu e minha família, num terra distante da minha, porém a maioria de vocês será testemunha dele na sua cidade, no seu local de trabalho, de estudo e de moradia. A pergunta é: qual deve ser, então, a ação da Igreja dentro da ação de Deus, dentro do seu agir soberano e gracioso para a salvação dos pecadores? Primeiro a Igreja deve buscar a Cristo na oração; segundo, ela deve anunciar a Cristo na pregação.

A Igreja deve demonstrar Cristo na ação (At 2.42-47)

Cristo era visto na ação dos apóstolos e da Igreja Primitiva. A Igreja exaltava Cristo na oração, na pregação e na vida, ela anunciava a Cristo com palavras e ações. Ela vivia Cristo diariamente. A Igreja Primitiva não era perfeita, como nenhuma igreja o é neste mundo, pois é composta de pecadores que foram libertos da condenação e do poder do pecado, apesar de ainda estarem sob sua influência, mas que será definitivamente extinta com a segunda vinda de Cristo. Houve pecado na Igreja Primitiva: demora para sair de Jerusalém, mentira e desentendimento da liderança sobre alguns assuntos práticos e teológicos, mas pela graça de Deus o pecado foi tratado com perseguição, disciplina, concílio, perdão e reconciliação. Aquilo que Jesus enfatizou aos seus discípulos, seja pelo seu ensino ou pelo seu exemplo, que o amor fosse a marca principal que evidenciasse o fato de serem seus discípulos, a Igreja Primitiva procurou praticar. O amor de Cristo era demons- trado diariamente pelas palavras e principalmente pelas ações. Eles oravam uns pelos outros, visitavam uns aos outros, repartiam o que tinham para que não houvesse necessitados entre eles e, acima de tudo, estavam unidos no amor, na fé, na esperança e no culto a Deus. David Livingstone, missionário inglês na África, no século XIX, fez história como pioneiro naquela região e como alguém que demonstrou a Cristo. Quando os missionários que o sucederam perguntaram para os nativos se eles conheciam Jesus, eles responderem: “Conhecemos sim, ele morou entre nós”. Será que Cristo pode ser visto hoje através da minha e da sua vida? A única Bíblia que muitos lerão será apenas a sua vida. Será que ela evidencia Cristo: seu amor, sua santidade, sua justiça e sua graça? Vimos que o livro de Atos revela o agir soberano e gracioso de Deus para salvar os pecadores em Cristo e edificar a sua Igreja no poder do Espírito Santo. Dentro desse agir de Deus, onde nos encaixamos? Qual é a nossa participação em resposta à graça e à salvação de Cristo na nossa vida e para a salvação de outros pecadores?

A nossa ação é buscar a Cristo em oração, é depender dele, constantemente, suplicando o seu agir. É anunciar a Cristo na pregação, proclamando o evangelho da graça de Cristo que salva e transforma o pecador. É demonstrar Cristo na ação, vivendo e demonstrando Cristo em cada palavra e atitude. Deus agiu de forma graciosa e soberana para nos salvar. Que em resposta a essa maravilhosa salvação, possamos agir também no poder do seu Espírito para que outros sejam salvos no Brasil e no mundo!

REV. PAULO SERAFIM

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