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Miss. Rogério e Fabiana Pinheiro

Guiné-Bissau, abril de 2021

 

 “Eu estarei diante de você em cima de uma rocha, ali no monte Sinai. Bata na rocha, e dela sairá água para o povo beber”. Ex 17:6

 

O Capítulo 17 de Êxodo narra uma parte das constantes queixas dos Israelitas durante sua jornada no deserto. Nesse episódio eles clamam por água e Deus os dá, fazendo que essa jorrasse do lugar mais improvável que se pudesse imaginar.

Nós temos vivido dias tão difíceis. Já há mais de um ano de pandemia, sofremos com o medo, com a instabilidade, com o isolamento, com as crises emocionais e financeiras. Quantas vezes a desesperança bateu forte, e nos perguntamos “Senhor, de onde me virá o socorro?”.

Tivemos recentemente uma experiência linda com Deus, e queremos compartilhar com vocês, nossos irmãos de fé e companheiros da jornada missionária.

Antes, permitam-me uma reflexão em 1º Coríntios 16:1-3, a fim de montar um pano de fundo para o que temos a compartilhar.

“Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar. E, quando tiver chegado, mandarei os que por cartas aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém”.

Analisando o texto, observamos o apóstolo Paulo desempenhado o papel de um líder mobilizador na organização de uma campanha de arrecadação de ofertas. Até aí tudo bem. Algo corriqueiro, comum. Podemos dizer que isso também acontece nos nossos dias com a Igreja atual – mobilizações missionárias para auxiliar financeiramente irmãos necessitados, carentes, pobres, sofredores etc. Todavia, observando o perfil das igrejas da Galácia e da igreja de Jerusalém, nos deparamos com um padrão diferenciado. Jerusalém era um grande centro comercial, social, educacional, referência de desenvolvimento, conhecimento e prosperidade, enquanto as cidades com igrejas plantadas na Galácia estavam num patamar diferente de desenvolvimento e prosperidade, com um perfil financeiro inferior.

Em outras palavras, igrejas pobres se mobilizando, se esforçando e ofertando para uma igreja rica. Sinceramente irmãos, atitude admirável! O que terá movido o coração desses irmãos sem condições financeiras abastadas a se sacrificarem para participarem dessa mobilização?

“E naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. E, levantando-se um deles, por nome Ágabo, dava a entender pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, e isso aconteceu no tempo de Cláudio César. E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia.” (Atos 11:27-29)

Esse texto nos ajuda entender o motivo. Havia uma necessidade específica para uma situação específica, havia fome em Jerusalém.

Uma crise afeta fortemente a Igreja de Jerusalém e as igrejas irmãs, embora de regiões geográficas distantes, com perfil étnico (irmãos gentílicos), com condições financeiras inferiores, entra em ação para enviar socorro. Vemos isso em 2º Coríntios 8:1-4:

“Agora, irmãos, queremos que vocês tomem conhecimento da Graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia. No meio da mais severa tribulação, a grande alegria e a extrema pobreza deles transbordaram em rica generosidade. Pois dou testemunho de que eles deram tudo quanto podiam, e até além do que podiam. Por iniciativa própria eles nos suplicaram insistentemente o privilégio de participar da assistência aos santos.”

Que maravilhoso princípio aprendemos com esses irmãos, se sacrificaram a fim de ajudar, de socorrer irmãos que eles nunca tinham visto face a face, foram disciplinados e fiéis recolhendo as ofertas semanalmente, individualmente, em uma quantidade maior do que lhes seria possível, e de livre vontade, sem serem constrangidos ou cobrados.

Amados, uma das mais marcantes experiências que tivemos nesses 13 anos de ministério em Guiné-Bissau se trata de um levantamento de oferta voluntária dos nossos irmãos da Igreja de Gabu para a IP de Manaus.

O trabalho presbiteriano na Guiné-Bissau teve início em Gabu, leste do país, no ano de 1997. Nós chegamos em 2008 e tivemos o grande privilégio de participar da formação dos primeiros líderes, dos primeiros departamentos, etc.

Localizada no interior do país, a cidade de Gabu tem uma população de aproximadamente 41.612 habitantes, a predominância religiosa é o Islamismo, e é economicamente miserável, onde a principal renda econômica é a agricultura, mas que pela falta de água (chuva apenas um trimestre por ano) e a alta temperatura na maior parte do ano (40º a 50ºC), acaba por não alcançar grandes colheitas, gerando assim alimentos apenas para subsistência. Uma cidade com altíssimos índices de contaminação por HIV, desnutrição e mortalidade infantil, com sistema de saúde extremamente precário. Uma cidade onde 80% da população é analfabeta, o sistema educacional é falho e relapso, o mercado de trabalho é praticamente inexistente, minando assim a esperança dos jovens na carreira educacional. Uma cidade onde a média salarial é de aproximadamente R$300.00 por família, onde a mãe acorda de manhã cedo todos os dias com a preocupação quanto ao que dará de comer aos seus filhos.

Nesse cenário nasce uma Igreja presbiteriana, atualmente com 160 membros maiores, e 400 membros menores, que com seus dízimos e ofertas mal conseguem manter o templo e suas congregações. O sustento pastoral vem de ofertas da Igreja Brasileira. Muitas vezes, dizimam entregando parte de suas lavouras.

Esses irmãos, ao saber da recente crise que o Brasil enfrenta devido a variante do vírus da covid-19, se mobilizaram e, ao modelo dos irmãos de região da Galácia, começam a separar aos poucos, do pouco que tem, diligentemente e fielmente, a fim de poderem enviar algum socorro aos irmãos da Igreja Brasileira na cidade de Manaus, através do Projeto Celeiros.

Movidos pelo amor cristão, os irmãos de Guiné-Bisseu sentiram-se extremante honrados em poder socorrer a igreja no Brasil, que tanto investiu no avanço do Reino em Guiné-Bissau, no envio de missionários e no sustento de projetos.

Recentemente foi enviado como oferta o que equivaleria a quase 2 salários-mínimos Guineense. Embora pouco diante da necessidade e do ponto de vista econômico Brasileiro, para realidade desses queridos foi muito, vindo de suor e sacrifício oferecidos com real amor cristão.

A envolvente presença divina desceu no alto da rocha em Refidim de uma forma única. Tempos depois, Paulo diria que essa rocha era Cristo (1 Co 10.4) e João, que Jesus é a fonte de água Viva (Jo 4:13-14)

Então, meus irmãos, não desanimem! Deus está cuidando de cada filho seu, provendo, cuidando e sustentando. Ele pode tirar água da rocha para você também, basta confiar e crer que ele está cuidando e não perde o controle de nada.

Miss. Rogério e Fabiana Pinheiro

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