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Mis. Elisa M. Kyan (Japão) – 04/2011

Muitas pessoas da comunidade brasileira estão assustadas com a situação atual, principalmente com a questao da radioatividade, além de estarmos vivendo em clima de incerteza quanto ao futuro da comunidade decasségui. Alguns setores estão operando quase que normalmente, mas algumas fábricas estão operando no mínimo e outras estão paradas por falta de peças. Ouvimos comentários de que serão necessários cerca de seis meses para que a produção seja normalizada. E o período de reconstrução deve durar cinco anos.

Porém, a situação de crise que temos vivenciado também tem sido o tempo propicio para evangelização e queremos aproveitar cada oportunidade que Deus tem nos dado nos envolvendo em atividades que possam cooperar para que mais pessoas venham a conhecer o Salvador do Mundo, o Único que pode nos dar a verdadeira paz e segurança.

Ao mesmo tempo a comunidade brasileira tem se envolvido em campanhas para ajudar as vitimas da região nordeste. No entanto, não é nada fácil ajudar por causa dos entraves burocráticos. Tudo aqui no Japão tem que ter autorização. As iniciativas particulares não são muito bem-vindas.

Como igreja do Senhor Jesus no Japão cremos que temos que nos envolver de maneira prática para ajudar os que sofrem.

Nos dias 8/9 de abril, a AMEJ (Associação de Ministros Evangélicos no Japão – entidade da qual faço parte) organizou um treinamento de Socorro Emergencial ministrado pela REDE SOS GLOBAL que trouxe uma equipe do Brasil liderada pela Miss. Margaretha Adiwardana, a presidente da Rede. Tivemos a participação de 123 pessoas nos dois dias e nesse curso formamos uma equipe que partiu no dia 10 de abril com 14 pessoas da província de Aichi, Shizuoka e Fukui: pastores, missionários, leigos e quatro membros da equipe da SOS GLOBAL para uma viagem de dois dias de reconhecimento na região nordeste do Japão, visando desenvolver projetos voltados para ajudar as igrejas japonesas ali. E outra equipe vinda da província de Gunma se juntou a nós e a equipe cresceu para 30 pessoas. Estivemos em duas cidades duramente atingidas pelo terremoto: cidade de Iwaki, província de Fukushima (cerca de 50 km da Usina Nuclear Fukushima Daiichi) e a capital da província de Miyagi, Sendai. Os carros também foram carregados de doações (arroz, água, mantimentos, etc.) para serem entregues às vitimas. Elas foram entregues a uma familia cristã que vai entregar aos moradores de sua região que retornaram as suas casas e por isso não recebem ajuda oficial.

Participamos de serviço voluntário trabalhando na limpeza de entulhos na cidade de Iwaki. Fomos divididos em quatro equipes. Na equipe que participei ficamos responsáveis pela retirada de entulhos de duas casas. Éramos em 11 brasileiros. O serviço era pesado, inclusive para as mulheres. Recolher os entulhos: pedaços de concreto, blocos, telhas e outros materiais trazidos pelo tsunami e carregar num caminhão. No final o quintal ficou limpo e os donos das casas ficaram agradecidos. Em particular nessa vila as ondas foram baixas, atingindo somente o primeiro andar das

casas, foi de mais ou menos um metro de altura, mas estragou os móveis, geladeira, máquina de lavar, etc. porque a água trouxe consigo muitos entulhos recolhidos ao longo do caminho. As construções continuam em pé. Mas somente a alguns metros da vila vêem-se casas totalmente destruídas e muitas vidas perdidas. Nesses locais só entram as equipes de resgate especializado: o exercito, bombeiros e polícia. Ainda continuam encontrando corpos sob os escombros. E a limpeza terá que ser feita com equipamento pesado e levará muito tempo.

À tarde, enquanto estávamos nos dirigindo à zona litorânea de Iwaki, fomos surpreendidos no meio do caminho por um terremoto de 7.1 graus, cujo epicentro foi na cidade em que estávamos e em seguida foi dado o alerta de tsunami que foi retirada algum tempo depois. Nós que não estávamos acostumados tivemos uma experiência e tanto, pois a cidade parou, as linhas telefônicas e celulares foram cortadas e houve blecaute (as luzes se apagaram, o trem parou, os semáforos não funcionavam e o transito ficou um caos) que foi restabelecida uma hora depois. E durante toda a noite e madrugada houve réplicas de menor grau.

No dia seguinte, as vias expressas de acesso a região foram bloqueadas por medida de segurança. A equipe partiu para a cidade de Sendai, capital da província de Miyagi, por outro caminho e lá também fizemos o trabalho de serviço voluntário nos registrando no centro de voluntariado local que também servia de centro de desabrigados. Nesse período pudemos ver um ônibus chegando ao local trazendo desabrigados de outras áreas. Eles chegavam com olhares tristes, trazendo somente uma sacolinha com os seus pertences. Tudo o que possuíam estava ali. Nesse abrigo parece haver melhores condições (água, luz, chuveiros, fica no centro da cidade, etc.), mas a vida nos abrigos não é fácil, pois eles ainda não têm o que fazer. Muitos são idosos e para eles é mais difícil recomeçar. São pessoas que perderam tudo: casas, famílias, bens acumulados a vida toda e estão sem esperança.

Outra impressão forte da nossa viagem de reconhecimento foi que nas duas cidades visitadas os locais mais distantes da praia pareciam não ter sido muito afetadas. As construções nas cidades de Iwaki e Sendai continuam em pé e em funcionamento, pelo menos aparentemente. Somente em algumas edificações se viam rachaduras e também em algumas ruas. A idéia que se tinha era que as cidades da região de Tohoku estavam totalmente destruídas e as estradas intransitáveis. Mas a destruição que se vê na mídia é das cidades e vilas litorâneas mais próximas do mar. É incrível como as estruturas puderam agüentar um terremoto de grau 9.0 na escala Richter, o quarto maior desde que se começou a medir – sem desabar. Na história há outros terremotos de menor grau em outras regiões que causaram maior destruição e mortes.

Soubemos pelos informativos japoneses que 90% das vitimas fatais desse triplo desastre (terremoto, tsunami e crise nuclear) morreram afogadas pelo tsunami. Sendo que 62% eram pessoas com mais de 60 anos de idade.

Depois do serviço voluntário fomos visitar a área mais devastada da cidade de Sendai. E a visão que tivemos nos chocou, a devastação foi grande. A não ser por alguns prédios que ficaram ainda em pé, a maioria das construções foi literalmente levada pelas águas. A limpeza dos entulhos da área ainda não começou. O cheiro é terrível. Muitos corpos continuam desaparecidos e agora entendemos que realmente não há como encontrá-los no meio dos escombros. Somente as forças armadas, bombeiros e policia têm acesso ao local para esse tipo de limpeza. Em meio à devastação encontramos uma cruz que antes sinalizava uma Igreja evangélica: Seaside Bible Chapel. Ali realizamos uma pequena reunião com a equipe de voluntários para orar por um avivamento na nação japonesa, pelas famílias das vítimas, pela reconstrução da região.

E no nosso coração fica a esperança que diante de toda essa catástrofe o coração dos japoneses se volte para o Criador. O Japão é um dos países menos alcançados pelo Evangelho dentre os países do mundo desenvolvido. O orgulho, a prosperidade financeira, a alta tecnologia, a capacidade intelectual, etc. têm sido os seus deuses, mas hoje eles têm percebido que tudo isso é vão diante das perdas de vidas e bens. Por enquanto estamos buscando a direção de Deus para saber como ajudar a igreja japonesa nessa hora. Temos procurado contatar a liderança, mas não temos conseguido um canal para que possamos efetivar essa ajuda. Muitos irmãos de várias igrejas brasileiras têm a disposição de fazer trabalho voluntário e temos planejado de que maneira podemos fazê-lo de forma a abençoar a igreja japonesa.

Contamos com as suas orações nessa etapa de nosso ministério no Japão.

Em Cristo

Elisa Kiyan

Missionária da APMT (Agencia Presbiteriana de Missões Transculturais)

Igreja Presbiteriana da Penha – SP

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