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Igreja como Comunidade Diaconal

Quando pensamos na temática da ação diaconal da Igreja, somos, na verdade, desafiados, a resgatar a visão de missão integral da Igreja. Sobretudo em nosso país, marcado por todos os lados pelos mais sombrios sinais de morte. 

Infelizmente, detectamos que o termo diaconia, muitas vezes, tem sido associado a uma atividade meramente secundária da Igreja. Na verdade, a grande missão da Igreja seria a proclamação do Evangelho. Dizem, então, que a proclamação teria uma dimensão espiritual e poderia ser cumprida, simplesmente, através do discurso. O resultado dessa espiritualização da missão da Igreja relegou o ministério da prática a um segundo plano. 

O livro dos Atos dos Apóstolos (6.3-6) narra a instituição dos sete diáconos, homens estimados e cheios do Espírito e de sabedoria … e escolheram Estevão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Felipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Eles servem à mesa (caridade) e pregam a Palavra (Estevão).

Assim como o Cristo, a sua Igreja é essencialmente servidora. A identidade do dom do Espírito Santo é sinal da identidade de sua missão. Como o Apóstolo Paulo, podemos afirmar que os ministros da Igreja “são servidores de Cristo e dispensadores” dos ministérios de Deus, isto é, estão a serviço da realização histórica do desígnio da salvação. São os “diáconos da Nova Aliança”, colaboradores de Deus (1Co 3.9), servidores de Deus (1Ts 3.2) na obra da salvação. Eles são muito necessários e existem para realizar a obra de Deus (1Co 16.10).

A vida da Comunidade Diaconal, no exercício de sua espiritualidade é, pois, a espiritualidade do Cristo servidor: O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate pela multidão dos homens (cf. Mc 9.35; Mt 23.11; Lc 22.26-27).

O Rev. Alberto F. Roldán, em um Seminário de Missão e Identidade, em maio de 2000, afirma o seguinte: “[…] a presença do Reino de Deus não deve ser buscada somente em experiências espirituais ou de salvação pessoal, mas também na superação da miséria econômica e do pecado social que as economias de mercado e a globalização não somente não solucionam, mas que em alguns sentidos aprofundam […] a missão da Igreja é messiânica porquanto quem a começou foi Jesus de Nazaré como o Messias; é carismática, no sentido de que o Espírito Santo a dirige e dinamiza, e seu alvo é a glória do Pai. Em suma, se trata de uma missão trinitária onde o Pai é glorificado pela obra do Filho e no poder e comunhão do Espírito Santo.” 

Portanto, refletir sobre a temática da ação diaconal da Igreja implica resgatar a visão de missão integral da Igreja, especialmente no contexto do nosso país, tão carente de mãos estendidas que possam exercer a misericórdia e a compaixão.

Não tenho dúvida de que a ação diaconal da Igreja nasce do encontro com a fé no Cristo ressurreto. Sendo assim, necessitamos da consciência do Deus que nos chama e nos vocaciona. Para o cristão está claro que quem chama é Deus. Somente Ele pode entrar na vida humana e propor ao homem um destino que abrange toda a sua vida. Deus é, ao mesmo tempo, imanente e transcendente. Voz e vocação têm a mesma raiz e ambas se unem no Deus que chama.

Assim sendo, a ação diaconal da Igreja passa, primeiramente, pela consciência do nosso chamado, no qual Deus nos vocaciona para realização de sua obra, promovendo a restauração da sociedade, por meio do cumprimento da missão confiada às nossas mãos. Mas também passa pelos paradigmas da doação, do serviço e do sacrifício, tendo Jesus Cristo como seu maior e mais elevado modelo (Mt 20.28; Jo 13.12-17; Fp 2.5-11). 

Diante do chamado de Deus para o encontro com Jesus Cristo, somos desafiados a responder com a palavra da fé. Penso que a palavra acolhida diz mais que resposta. A resposta ao Deus que chama só pode ser dada mediante a fé, que se traduz em obediência. Acolher é abrir a porta ao chamado divino, e se dispor a caminhar na direção proposta. 

A partir dessa realidade, eu e você podemos e devemos amar e servir. Qualquer ação diaconal pressupõe doação e sacrifício, visto que Cristo também se doou para que a humanidade obtivesse verdadeira oportunidade de vida. Ele mesmo disse: “não vim para ser servido, mas para servir”. O que estamos esperando? Devemos pôr a mão no arado e realizar a grandiosa e maravilhosa obra que Deus coloca em nossas mãos para realizar. Saia do seu lugar e venha servir ao Senhor. Soli Deo Gloria!

Marcos Azevedo

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