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Esquecer e prosseguir

 
Paulo amplia um pouco mais seu reconhecimento de que ainda não havia ainda alcançado a plenitude da graça de Deus em sua vida, mas que prosseguia nessa direção. Inicia chamando os filipenses de “irmãos” (gr: adelphoi), considerando dessa forma que todos os cristãos, incluindo os filipenses e ele mesmo, vivem essa mesma realidade de já alcançados por Cristo mas ainda prosseguindo para o alvo final da graça de Deus. Nesse sentido, não há nenhum cristão que deva se considerar ou ser considerado por outros como mais próximo do alvo final de Deus. Estamos todos juntos e hermanados na mesma caminhada rumo à plenitude da salvação. Isso, obviamente, nos torna uma comunidade de iguais diante de Deus e uma irmandade de sustentação e apoio mútuos.
 
 
É importante observar a forma como Paulo se refere à sua experiência cristã ao afirma que ele mesmo não se dava crédito (gr: logízomai) quanto a haver alcançado a plenitude da graça de Deus. Olhando para si mesmo ele não podia supor (gr: logízomai) isso, pois via e reconhecia a falência da natureza humana diante de Deus. É muito importante que cada cristão se reconheça falido diante de Deus (Mt 5.3-4), nisso consiste o fundamento da humildade e do serviço, do amor e da dedicação, da gratidão e da entrega. Em outras palavras, encontramos no reconhecimento sincero de que nada somos diante de Deus um dos elementos essenciais para a missão cristã.
 
 
Mas por outro lado, o apóstolo não cria que o reconhecimento de não poder alcançar essa plenitude neste momento da vida deveria deixar sua espiritualidade e sua ação missionária estagnadas. Antes, ele também reconhece a necessidade de viver com base no esquecimento (gr: epilanthanómenos) de todo seu “curriculum humano” que ficou para trás (gr: opísô) ao mesmo tempo de viver com base no avanço (gr: epekteinómenos) para o que está adiante (gr: émposthen) nos aguardando. Seu objetivo continua sendo (3.12) o de prosseguir (gr: diôkô) sistemática e fielmente em direção ao alvo (gr: skopon). Paulo deseja receber o prêmio (gr: brabeion) eterno que já foi prometido e garantido pelo chamado (gr: klêseôs) concretado por Deus através de Jesus Cristo.
 
 
Duas realidades: esquecer e prosseguir. São dois aspectos fundamentais da espiritualidade cristã que nos capacita a viver neste mundo como alguém que foi arrancado dele e devolvido a ele com uma missão. Aspectos de uma missão que nos capacita a compreender com misericórdia a fraqueza e o pecado humano e a aportar à sociedade e à pessoa a mensagem e a ação redentoras de Cristo. Aspectos de uma esperança futura que enche nossos relacionamentos presentes de significado e relevâncias. Dessa forma vemos como a vida cristã é, em si mesma, uma vida rica de signficados e oportunidades missionárias.
 
Rev. Carlos del Pino
Torrelodones – Espanha

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