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BRASIL – PALCO DE MASSACRE INDÍGENA

 

O CONPLEI, Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas – instituição criada em prol do índio brasileiro, e dentre outros objetivos de sua constituição organizacional e diretiva, têm a incumbência de representar várias tribos indígenas de nossa nação, e neste sentido vem a público manifestar o seu repúdio ao massacre ocorrido entre os terenas, no município de Sidrolândia MS, nesse dia 30 de maio de 2013, em pleno terceiro milênio. 

 

Manifesto da Esperança

“O que vocês devem fazer é dizer a verdade e julgar em seus tribunais com a verdade e a justiça. Isto traz a paz! Não maquinem o mal contra seu próximo, nem sejam dados ao falso testemunho, porque eu aborreço tudo isto, afirma o Senhor”. (Profeta Zacarias 8:16,17)

Sem ouvidos atentos, de mãos lavadas e mostrando uma falta absoluta de resolutividade o estado e seus eleitos representantes, nos assustam com a covardia diante da morte de mais um indígena pela policia federal. Perdemos Oziel Gabriel, a família chora, a nação indígena se assusta, os verdadeiros amigos lamentam, enquanto a notas oficiais justificam medidas descabidas que não devolvem a terra, a vida, o direito de defesa e a justiça. Enterraremos nossos mortos na terra que não nos pertence, quem sabe sua semente brote na consciência publica e a nossa gente seja ouvida.

Os beneficiários das medidas judiciais não aparecem em cena. Suas fazendas antes nossas, agora legalmente incorporadas a custo de sangue, vão abastecer os bolsos dos donos do poder nas próximas eleições. Isto é uma questão cronológica e o sabemos muito bem. Eles virão pedir nosso voto, mais não lhes daremos. Aguardem!

Cresse o agronegócio garantido por mecanismos legais que mercantilizam nossas terras. O desenvolvimento tem uma face sombria e nos afoga com as aguas energéticas das usinas sem compaixão. O desequilibro poderia ser ambiental mais se agrava pelo lado humano com o esquecimento de nossa gente e da geração de crianças e jovens sem saúde, educação e instrumentalização para o trabalho produtivo. O sentido sagrado da terra se dissolve com a demarcação e sequer um cemitério nos sobra para a despedida dos nossos mortos. Esse lamento parece não ter fim, pois dia-a-dia somos surpreendidos com novos vizinhos: grileiros, madeireiros, fazendeiros, pistoleiros, traficantes e os anônimos solidários do estado. Já não somos indígenas. Cidadão de categoria nenhuma. Parece mesmo que voltamos à condição dos colonizadores: e sem alma.

Por conta desse grande equivoco encerraremos nosso pranto. Continuaremos defendendo a dignidade de viver e ser respeitado, associaremos nossa crença ao dizer do Casaldáliga “a causa é toda nossa – toda do Deus da Vida”. Somaremos as assinaturas nas inúmeras cartas e manifesto de protesto, escreveremos, contaremos a verdade dos fatos sem o rancor e a culpa histórica que nos quer amesquinhar.

E assim pedimos ao Governo nas instancias municipais, estaduais e federais bem como sua representatividade judicial, legislativa e gerencial (executiva), que corram com medidas de equacionamento em defesa dos direitos humanos e as garantias mínimas irredutíveis – que o cidadão indígena tem em sua relação com

– a propriedade da terra;

– a identidade de ser povo com etnia distinta;

– os valores de nossa cultura e riqueza de nossos idiomas;

– a defesa da vida privada e em comunidade;

– a punição para os criminosos de nossos pais, filhos e filhas, irmãos e irmãs;

– a prisão para os ladrões de nossas terras, riquezas minerais, animais, vegetais e aquíferas;

– a liberação de processos emperrados que retardam a pratica da justiça em nosso favor;

– as indenizações não pagas pela sociedade civil através de empresas, pessoas físicas, entidades publicas e privadas.

 

Diante do exposto, é notório o descaso das autoridades governamentais no que se refere aos direitos individuais e coletivos: correspondentes aos direitos diretamente ligados ao conceito de pessoa humana e de sua própria personalidade, em afronta ao dispositivo da Carta Magna, sem adentrar às demais determinações legais, portanto, ao CONPLEI, compete solicitar de nossas autoridades governamentais, um posicionamento eficaz e urgente a favor da justiça ao povo indígena.

E neste sentido, buscamos evitar novos massacres e genocídios omissivos, aos índios que ainda sobrevivem neste território nacional – terra que nós indígenas amamos e, por isto, também temos vestido a farda do exército brasileiro, entendendo que a bandeira brasileira é o símbolo de nossa nação, unimos esforços para lutar pelo Brasil, seu território, e pelo povo que habita e detém esta terra antes mesmo de sua colonização.

Temos orgulho de sermos brasileiros, e temos também a esperança de sermos atendidos em nossos pedidos, visando lutar e trabalhar juntos para construir um Brasil cada dia melhor. Assinam esse manifesto de esperança, alguns homens e mulheres, jovens e crianças, entidades e uma parcela daqueles que se mantêm vivos, mesmo diante do descompromisso com a verdade e a justiça em favor dos Povos Indígenas do Brasil..      

 

Pr. Henrique Terena

Presidente Nacional do CONPLEI

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