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Rev. Lucas e Luana

11/05/2026

Geórgia, maio 2026

Olá, queridos, como estão?

Por aqui estamos todos muito gripados — aquela gripe que deixa qualquer um derrubado. Tudo começou pelo Timóteo, que passou os primeiros dias com muito choro, febril e quase não dormia. Depois chegou a minha vez, e então entendi por que o nosso menininho chorava tanto; que dor no corpo terrível! Agora, os outros três filhos começaram a reclamar de dores no corpo e na cabeça. Orem por nós; Como costumamos dizer: mãe ficar doente deveria ser proibido, mas é justamente na nossa fragilidade que a força de Deus se aperfeiçoa.

Há algumas semanas atrás, fomos visitar um vilarejo onde existe uma necessidade enorme do Evangelho. Naquele local, trabalhou por muitos anos um casal que hoje, mais idoso, não aguenta mais o ritmo. Realmente, viver ali é bem intenso, mas graças a Deus que, durante muitos anos, eles estiveram por lá incansavelmente, dando o seu melhor para a glória do nosso Deus.

Acredito que alguns de vocês acompanharam as fotos e vídeos postados no nosso Instagram. Viram que lugar maravilhoso? Eu agradeci muito a Deus por estarmos ali, por conhecer mais sobre aquele povo e por ter ido à escola ver a alegria deles em nos receber. Claro que havia um ar de dúvida: "Por que esses brasileiros querem morar aqui? Aqui só tem neve, o inverno é muito forte, como eles vão sobreviver?". Alguns até disseram: "Podem vir! Fazemos uma troca: vocês ficam aqui e nós vamos para o Brasil".

Infelizmente, se eu for colocar todos os detalhes neste informativo, ele ficará grande e cansativo; por isso, vou pontuar algumas coisas que nos chamaram a atenção, pois, atrás de toda a beleza vista naquele local, existe algo escondido:

1. Logística: Para chegar em Etseri (nome do vilarejo), pegamos um trem em uma viagem de 6h. Paramos em Zugdidi e compramos tudo o que precisávamos (comida, produtos de limpeza, etc.), pois no vilarejo só existe um minúsculo mercado. Em seguida, pegamos uma van para mais 3h de viagem. Foi um trajeto tranquilo, apesar da logística de ter que estar com as mãos livres para segurar quatro crianças e malas para seis pessoas.

2. Clima e Altitude: Chegamos e o clima estava muito bom; a neve já estava descongelando e as ruas estavam tranquilas para caminhar. No dia seguinte, porém, começou a nevar e só parou um dia antes de irmos embora. Fomos conhecer o vilarejo no meio da neve e foi muito difícil. As crianças não sabiam se caminhavam ou se jogavam na neve; por isso, uma caminhada de 15 minutos às vezes levava 30 ou mais. As ruas têm muitas subidas e as perninhas deles cansavam rápido. Tivemos que carregar as crianças por vários momentos. Estar no alto da montanha, com muita neve e carregando esses "gordinhos", consumiu o resto do fôlego que já estava escasso por conta da altitude.

3. Segurança: Durante essas caminhadas, precisávamos estar sempre com paus nas mãos, pois os cães de lá — na sua maioria Pastores do Cáucaso — estavam a postos para atacar ao menor vacilo. Eles são muito bravos e o motivo é triste: infelizmente, fazem rinha de cães na região. A tensão é constante, pois qualquer incidente com os animais pode gerar conflitos graves entre as famílias locais.

4. Privações: Por lá, as coisas são difíceis. Falta luz na maioria das vezes, por isso é preciso ter lenha em casa. O aquecimento é feito por lenha ou aquecedor elétrico, o que restringe o calor ao cômodo escolhido, e não à casa toda. A lenha precisa ser comprada com antecedência; a árvore é cortada e a madeira precisa secar por pelo menos um ano antes do inverno. A única casa com água encanada é a do missionário. Não há hospital e, no inverno rigoroso, dificilmente alguém entra ou sai do vilarejo por seis meses, pois a estrada na montanha é perigosa, sem proteções e cercada por abismos.

5. O Povo Svan: Os missionários realizam estudos bíblicos com grupos locais. Tivemos o privilégio de participar de um encontro onde um amigo trouxe o estudo (além da nossa família, outra família de amigos foram juntos conhecer o local). Nesse dia, compareceram apenas duas senhoras. Uma delas nos disse algo que ainda ecoa em nossos corações: "Aqui não temos vida, não temos alegria; a gente espera que alguém nos traga alegria". Naquele momento, a urgência do Evangelho se tornou palpável. Caption Caption Caption Caption

6. O Retorno: A volta para casa foi exaustiva. Saímos ao meio-dia de Etseri em uma van onde o motorista parecia estar fugindo; ele fazia as curvas tão rápido que ficamos enjoados a viagem toda, além da música e conversas altas. Chegando em Zugdidi, por volta das 15h, os meninos estavam exaustos e com muita fome. Almoçamos e depois, pegamos as malas e fomos em direção ao trem. Já estávamos super estressados, o calor no vagão era intenso, as crianças brigavam por tudo e chegamos em casa quase meia-noite e meia.

7. Direcionamento: Diante de tanta necessidade, nosso primeiro impulso foi o de permanecer. Porém, o campo missionário exige sabedoria. Como o Lucas sempre reforça, com quatro filhos pequenos, precisamos pensar quatro vezes mais antes de qualquer decisão. Pesamos as privações na qual mencionei algumas acima. Após muito orar, entendemos que não é em Etseri que Deus nos quer agora. Nossa prioridade é a família. A família que foi conosco disse"sim" para aquele local, e nós seguiremos apoiando-os em oração enquanto buscamos o lugar específico onde nossa família será ferramenta nas mãos de Deus.

Nossa missão na Geórgia vai além de um único vilarejo. Existem cerca de 14 povos não alcançados neste país. Embora a Geórgia tenha uma herança ortodoxa, muitos grupos vivem em um sincretismo profundo ou em total desconhecimento da graça de Cristo. Estamos focando nosso aprendizado e visão estratégica para alcançar, abaixo alguns nomes para estarem orando:

• Azeris: A maior minoria islâmica, vivendo em comunidades muito fechadas.
• Curdos (Kurmanji): Frequentemente marginalizados e com pouco acesso às Escrituras.
• Kists: Localizados no Vale de Pankisi, com uma cultura de montanha rígida e isolada.
• Laz: Um povo costeiro com identidade étnica forte e pouquíssimo testemunho cristão.

Nossos pedidos de oração:

1. Saúde para toda a família.
2. Pelo povo Svan.
3. Por alegria para o vilarejo de Etseri.
4. Pela educação do Miguel: há a possibilidade dele estudar em uma escola para filhos de missionários. Ele tem pedido muito para ter amigos, pois se sente sozinho. Descartamos as escolas públicas locais devido ao bullying e ao modelo educacional fruto da união soviética.
5. Sustento: viemos com o mínimo e, com a escola e uma possível mudança para uma casa mais perto da escola (com quintal para os meninos e que evite o deslocamento longo do Lucas), precisaremos levantar mais recursos.
6. Pelo aprendizado do idioma e da cultura.

Agradecemos profundamente por estarem conosco nesta jornada. Cada oração e cada oferta é um investimento direto na expansão do Reino de Deus aqui no Cáucaso. Seguimos firmes, sabendo que Aquele que nos chamou é fiel para completar a obra.

Com amor e gratidão,
Família Paulino

Lucas, Luana, Miguel e os pequenos.
https://sites.google.com/view/famliapaulino/
(11) 95898-9387

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