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Kelly Pires

26/04/2026

Camboja, abril 2026

“Louvem-te os povos os povos, ó Deus; louvem-te os povos todos.” Salmos 67:3

Já se passaram quatro meses desde a minha chegada ao Camboja, e este tem sido um tempo marcado por aprendizado e adaptação. Estou me dedicando ao estudo da língua khmer de forma sistemática; neste primeiro trimestre, concluí dois módulos na escola de idioma, com avaliações escritas e orais ao final de cada etapa. Ao todo, foram cerca de 200 horas de estudo formal, além de muitas horas de aprendizado informal, praticando no dia a dia.

Tenho também participado das atividades da Cambodian Presbyterian Association (CPA), incluindo cultos dominicais e estudos bíblicos com jovens. Também tive a oportunidade de participar do retiro anual de pastores e suas famílias, um tempo precioso de comunhão, aprendizado e encorajamento. Além disso, visitei três igrejas e conheci mais de perto os desafios e oportunidades de serviço.

Uma experiência marcante deste período foi a visita  a vila de Angkor Chey, área rural onde nossos colegas de equipe desenvolvem um ministério. Celebrei com a comunidade a chegada do Ano Novo, conheci algumas atividades desenvolvidas e participei de uma programação evangelística infantil liderada por jovens cambojanos.

Visitei a Hinneniy Presbyterian Church, igreja pastoreada pelo pastor cambojano Silong; ele e sua esposa Sa Ni lideram um trabalho com crianças da comunidade que acontece sempre após o culto dominical. No dia da minha visita, pude acompanhá-los pelo bairro convidando as crianças para a programação.

Visita à Chbar Ampav Church, igreja pastoreada pelo pastor cambojano Sokha. Um dos grandes desafios dessa igreja é alcançar a comunidade local; as pessoas da região apresentam forte rejeição e desconfinça. Eles tem buscado implementar alguns projetos com crianças nas áreas de ensino de inglês e esportes.

De modo geral, sinto-me bem, mais confortável e adaptada à nova cultura. Ainda estou compreendendo mais profundamente a realidade do campo e discernindo as possibilidades ministeriais. Houve também desafios: enfrentei um episódio de intoxicação alimentar e, emocionalmente, senti um certo abatimento ao completar três meses aqui —  o que costumamos chamar de o fim da “lua de mel” missionária, quando o senso de novidade vai acabando e a nova realidade com seus muitos desafios se apresenta. No entanto, fui fortalecida pelo cuidado e encorajamento de colegas de equipe.

No âmbito familiar, este período tem sido especialmente sensível. Meu irmão, que está no Brasil, encontra-se hospitalizado desde o dia 14 de março, ainda sem diagnóstico definido. Diante dessa situação, tenho considerado a possibilidade de uma viagem ao Brasil para estar com minha família e oferecer suporte.

Para o próximo trimestre planejo continuar investindo no aprendizado da língua e no relacionamento com o povo local. Pretendo também aprofundar vínculos, praticar mais a conversação no dia a dia e conhecer novas oportunidades de ministério. Peço orações por esse planejamento e também por minha família, especialmente meu irmão, André. Sigo cheia de gratidão ao Senhor pela sua graça derramada nesses primeiros meses de Camboja.

Atualização: Meu irmão foi diagnosticado com uma infecção no coração. A situação se agravou rapidamente e ele precisou passar por uma cirurgia de emergência para substituir uma das válvulas do coração. Assim que recebi a notícia da intubação dele, embarquei  no dia seguinte para o Brasil a fim de prestar suporte a ele e acompanhar minha família nesse momento delicado. No momento de envio dessa carta ele encontra-se internado em processo de recuparação.

Obrigada pelo seu tempo de leitura e por participar comigo dessa jornada.

Se desejar entrar em contato, estou disponível no WhatsApp e Telegram (+55 31 992396842).

Em Cristo,
Kelly Pires

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