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Lucas e Juliana

21/02/2026

Mongólia, fevereiro 2026

O inverno mongol é frio e longo, mas também é um tempo de aquecer corações para Jesus e de colher bons frutos no ministério com os nômades. Durante o inverno, os dias são mais curtos e os pastores nômades começam o trabalho mais tarde e terminam mais cedo. Isso significa que eles têm mais tempo para ler ou ouvir a Bíblia, serem discipulados, participar de treinamentos e até de viagens missionárias e evangelísticas.

Começamos o ano encorajados por esse lindo mover de Deus entre eles. Tivemos uma melhora significativa na frequência das famílias, e quero destacar especialmente a família do Baiçá e do Rará, que têm crescido e demonstrado cada vez mais interesse pelas Escrituras e por proclamar o Evangelho a outros.

Realizamos duas viagens missionárias da Igreja Nômade neste início de ano. Em uma delas, visitamos uma família que havíamos conhecido há dois anos, subindo o rio Hovd por cerca de 120 km da área de inverno de nossos irmãos. Fomos novamente à casa da família do Nergui, onde fomos muito bem recebidos.

No caminho, oferecemos carona a um senhor que precisava de ajuda e, “por Jesuscidência”, descobrimos que ele era vizinho do Nergui. A melhor notícia foi que ele estava muito interessado em ouvir sobre Jesus. Ele orou recebendo a Cristo e nos convidou a ir até sua ger (tenda) para falarmos de Jesus à sua esposa e filhos. Sua filha, estudante de medicina, estava em casa por causa das férias de inverno e também ouviu as boas novas. Que bênção! O Senhor nos guiou no caminho e abriu portas para que mais uma família ouvisse o Evangelho. 

Pedimos oração pela família do Nergui. Eles enfrentam um momento muito difícil: o filho de 25 anos está com câncer em fase terminal, e há um profundo ressentimento entre ele e a mãe. Ela sofre intensamente por não conseguir conversar com o filho neste tempo tão delicado. Orem para que haja reconciliação, consolo e salvação.

Estamos orando também para que Deus nos conceda uma nova região onde possamos iniciar outra igreja nômade.

No final de janeiro, realizamos mais uma viagem missionária ao povo nômade Tuvan, nas montanhas, a cerca de 400 km de onde moramos. É um dia inteiro de viagem por estradas desafiadoras. Eles vivem a mais de 3.000 metros de altitude, e hoje já contamos com quatro famílias crentes entre eles — motivo de grande louvor!

Foi um tempo de encorajamento e também de desafio para que se reúnam semanalmente e preguem o Evangelho a outros nômades da região. Utilizamos as Escrituras, assistimos ao filme “A Forja” em mongol e, no dia seguinte, ao filme “Jesus para Crianças”.

Foi conosco nosso irmão nômade Baiçá, que voltou mais uma vez cheio de esperança para testemunhar de Cristo, e também o missionário mongol e veterinário Mugui. Ele é pastor e missionário de uma organização chamada VetNet, que atende nômades em toda a Mongólia. Ao longo dos anos, eles têm sido uma grande bênção, ajudando a cuidar e fortalecer os rebanhos das nossas famílias e de centenas de outras.

A VetNet orienta sobre o combate a parasitas, trata diversas patologias, distribui medicamentos e até animais gratuitamente a famílias nômades de baixa renda. Além disso, sempre surgem excelentes oportunidades de testemunhar de Cristo. Temos contribuído financeiramente com eles nas campanhas de doação de medicamentos e animais. Se quiserem saber mais, por favor, entrem em contato conosco.

Por meio dos Tuvans mongóis, Deus nos abriu uma porta para visitar e conhecer o povo Tuvan russo. Faremos nossa primeira viagem nos próximos dias e contamos com suas orações: para que Deus nos guarde na estrada, na entrada e saída da Rússia neste momento de conflito, e para que levante parcerias para o avanço do Evangelho entre os nômades além da fronteira mongol — uma visão de longo prazo que carregamos no coração.

Orem também pelos mongóis crentes durante o Ano Novo Mongol, que acontecerá na próxima semana. São dias de celebração, quando todos se visitam, compartilham refeições, saúdam uns aos outros com paz e trocam presentes. Porém, também é um período em que muitos excedem no consumo de álcool. Orem para que os crentes sejam corajosos ao testemunhar de Cristo e para que aqueles que lutam contra o alcoolismo sejam fortalecidos pelo Espírito Santo para resistirem à tentação.

Agradecemos a todos que continuam nos encorajando com suas ofertas e orações, intercedendo conosco pelas famílias nômades aqui na Mongólia e em toda a janela 10/40. Não se esqueçam: os nômades ainda representam uma parcela significativa da população. Somente na Mongólia, estima-se que eles correspondam a cerca de 30% a 35% do total.

Muito obrigado por caminharem conosco nessa missão.

Oração Natalina from terras mongóis

“Senhor, meu coração está tão cheio de gratidão por poder enxergar a Tua boa, perfeita e agradável vontade em meio à minha cegueira carnal.

Aos meus próprios olhos, o Natal em terras mongóis seria algo triste, frio e vazio. Sem muitas comemorações — pensei —, pois aqui eles não Te conhecem e, por isso, não Te celebram. O dia 25 de dezembro não é feriado nacional; não temos as férias de verão, pois no hemisfério norte é inverno; as aulas não finalizam no fim do ano, já que o ano escolar se inicia no final de agosto.

Por esses e outros motivos, não tenho a sensação de que o ano está realmente se findando. Aqui na Mongólia, a decoração ‘natalina’ é um símbolo da celebração do Ano Novo, e não do Natal.

Mas, neste último domingo, no culto da nossa pequena igreja no vilarejo, ouvimos o pastor explicar enfaticamente que o Natal não é a mesma comemoração que o Ano Novo. Ele ensinou aos membros como desejar Merry Christmas em mongol, que em português seria algo como: ‘Feliz dia do nascimento de Jesus’.

Amei ouvir isso. É como presenciar Jesus realmente nascendo no coração de um povo budista e xamanista, que não compreende a ideia de um Criador — ainda mais de um Criador que se fez homem. Que privilégio é o nosso! Tua vontade é, de fato, boa, perfeita e agradável.

Na noite do dia 24, dirigimos pelo deserto, levando “salpicão de Natal brasileiro” e um bolo enfeitado de frutas, que fizemos em família para dividir com nossos irmãos. Na viagem, avistamos pelas janelas do carro as silhuetas de camelos na escuridão da estrada de terra. Em certo momento do caminho, pensamos que estávamos perdidos, mas, a poucos metros dali, encontramos uma tenda, com sua fumacinha saindo pela chaminé. Estavam ali algumas famílias de pastores com seus filhos, alegres por poderem celebrar sua festa.

Esta foi a terceira celebração de Natal em que a Igreja Nômade se reúne para Te celebrar. Neste ano, percebi Tua presença nos corações deles. Eles sabiam o que estavam celebrando. Estavam felizes, cantando com suas crianças para o Senhor. Memorizaram versículos da Tua Palavra — até mesmo as crianças. Que alegria a nossa poder participar disso!

Trocamos presentes, ceamos e conhecemos um pouquinho mais do Teu incalculável amor.

E, para quem pensou que não teria comemoração, celebramos novamente na noite do dia 25, com os funcionários da Fairfield Café and Guesthouse. Oh, Senhor, como o Senhor é generoso! Somos gratos por poder compartilhar com cada colaborador um pouquinho desse Seu amor.

Por aqui, nesta época, avistamos estrelas às oito horas da manhã; o sol nasce por volta das nove no inverno e se põe perto das quatro da tarde. E isso me ensina algo sobre o Teu próprio tempo — algo que eu não saberia se aqui não estivesse.

Natal em terras distantes, não cristianizadas, é brilho do sol em meio às trevas, no Teu tempo.

São mais de oito anos envolvida no amor que o Senhor tem por este povo. Me enxergar aqui é ver o Senhor iniciar um novo tempo para os mongóis: um tempo de luz, um tempo de perceberem Tua presença nesta terra e saberem que ela tem nome — Jesus.

É esse despertar que traz alegria, calor e preenchimento em um Natal longe de nossos familiares. Somos Teu povo escolhido para revelar Teu nome. O Senhor está presente, e isso nos basta.

Ao fim, o Senhor brilhará para todos como a luz do meio-dia. O Senhor é esperança viva!

E um dia haverá um “Natal” perfeito, bom e agradável em todo o globo — para todos, ao mesmo tempo, ou fora do tempo.”

Lucas e Juliana

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