Annie Soper e Rhoda Gould - Luz para os Andes
16/09/2025
Era preciso que o dia amanhecesse nas longínquas regiões além dos Andes, no Peru. A frágil Annie sabia disso e, desde sua juventude, antes mesmo da sua formação como enfermeira, ela sabia que Deus a direcionara para lá. Foi num culto em sua igreja, na Inglaterra, que o pregador falara sobre a carência daquele povo, na escuridão da selva amazônica. Agora, porém, encostada na parede daquela caverna peruana repleta de morcegos, seus pés afundados na lama viscosa, a chuva incessante lá fora, e vendo sua amiga Rhoda tremendo de febre, então, pela primeira vez, Annie Soper sentia dificuldade de orar e começava a se questionar se Deus realmente a mandara para lá.
A saúde de Annie sempre fora frágil e, por isso mesmo, muitos se levantaram contra sua saída de seu país de origem. Entretanto, aquela jovem estava convicta e enfrentou todas as oposições a ponto de convencer sua Missão a emprestar o dinheiro necessário para que viajasse de barco da Inglaterra ao Peru. Depois da longa viagem, chegando em Lima, trabalhou como enfermeira. Foi ali que ela ouviu Rochelle Brown, missionária e diretora do Colégio Anglo Peruano, falar sobre a realidade do Norte do país, onde milhares de pessoas estavam morrendo de varíola, febre, picadas de cobra e sem a menor assistência médica. “Morrendo nas trevas sem conhecer o amanhecer do Evangelho em suas vidas”, pensou Annie. Mas como sair sozinha de Lima para Moyobamba? Deus providenciaria uma amiga para essa longa e pioneira jornada missionária: a enfermeira Rhoda Gould.
Iniciaram a viagem de Lima até Moyobamba com mais um grupo de condutores peruanos, uma viagem que deveria demorar apenas duas semanas, mas que, por uma série de obstáculos, durou muito mais que o planejado. Chuvas intensas, lama, febre, fome, frio, pontes quebradas e, agora, Rhoda tremendo de febre naquela caverna. Rhoda havia caído de sua mula e quebrara um dos dedos. Ambas tentaram dormir numa barraca, mas, no meio da madrugada fria, Annie viu a água cair como cachoeira para dentro e molhar todas as suas malas e cobertores. “Como conseguir orar? Como crer que Deus verdadeiramente as havia direcionado para o norte daquele país?”, pensava Annie. Então, aquelas duas missionárias pioneiras se encostaram uma na outra e cantaram juntas um antigo hino que as aqueceu na escuridão daquele momento: “Descansando na fidelidade de Cristo, meu Senhor, descansando na plenitude de sua própria Palavra segura, descansando em Sua sabedoria, amor e poder, descansando em Suas promessas de hora em hora”.
Após cinco semanas de difícil travessia, as duas missionárias chegaram, aos 27 de julho de 1922, em Moyobamba. O que teria ocorrido se as dúvidas tivessem corroído a fé delas e, então, retrocedessem? Pela graça do Senhor, aquelas jovens viveram muitos anos naquelas regiões ao redor de Moyobomba. Elas plantaram a primeira Igreja Evangélica de Moyobamba; abriram uma clínica e depois um hospital em Lamas; foi fundado por elas um orfanato e também a Escola Britânica que, tempos depois, tornou-se um Instituto Bíblico. Elas plantaram também a Igreja Evangélica de Lamas.
Durante os 35 anos de ministério de Rhoda e dos 42 anos de ministério de Annie, muitos outros missionários vieram ajudá-las. Apesar de terem sofrido muitas perseguições por parte dos católicos e do Governo Peruano (elas foram até envenenadas mais de uma vez, mas sobreviveram), suas vidas deixaram marcas profundas nas áreas da saúde e da educação no país. Elas atuaram durante o conflito entre o Peru e a Colômbia, e todo esse esforço foi até mesmo reconhecido: o Congresso da República Peruana concedeu-lhes a Ordem da Grã-Cruz, e o Governo da Grã-Bretanha concedeu também uma condecoração em nome da Sua Majestade, a Rainha Isabel II.
Essas missionárias foram levadas por Deus para trazerem luz aos Andes. Annie retornou à Inglaterra com 86 anos, depois de ter ajudado no plantio de 60 igrejas em solo peruano. Em 1979, com 96 anos, Annie Soper foi morar no Céu, mas sua frase segue até hoje nos inspirando na caminhada missionária: "Quando Deus quer que alguém o sirva, às vezes, Ele escolhe até mesmo o mais fraco, geralmente o mais fisicamente inapto, para realizar Seus propósitos".
Rev. Fábio Ribas
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