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Como não desfalecer no campo missionário?

28/08/2025

O campo missionário certamente não é um parque de diversões. Se fôssemos usar uma linguagem metafórica para descrevê-lo, acredito que a imagem de um campo de batalha seria mais apropriada. Ao longo desses 35 anos em que estamos no campo, tenho visto e ouvido histórias de muitos missionários que sucumbem. Ainda ontem estava assistindo um vídeo de um missionário americano que foi evangelizar uma tribo remota da Amazônia e em vez de ganhar os indígenas para Cristo, ele mesmo perdeu a sua fé e se declara ateu hoje em dia.

Qual seria, então, o segredo para aguentar o campo e permanecer firme? Como ter condições de, ao final da vida, olhar para trás e fazer suas as palavras do apóstolo Paulo de que combateu o bom combate, acabou a carreira e guardou a fé? A seguir, descrevo alguns passos importantes para garantir permanência no campo:

1. Não ter uma visão romântica do campo

Muitos jovens são atraídos ao campo missionário ao ler biografias de missionários do passado. Eu mesmo fui atraído para o trabalho indígena ao ler o livro “Por esta cruz te matarei”, de Bruce Olson. A vida de C.T. Studd também me inspirou profundamente. Essas leituras, porém, podem passar uma visão romântica do campo e dar a falsa impressão ao jovem missionário de que as histórias espetaculares que ocorrem nas biografias também vão ocorrer com eles. Caso o jovem missionário encontre um campo mais duro, e tenha menos resultados, acaba se frustrando e questionando sua vocação. Posso assegurar que o romantismo acaba em menos de um mês no campo! Aqueles que forem com base em uma visão romântica retornarão precocemente, sem sombra de dúvidas.

2. Não se basear nas circunstâncias

Todo missionário passa por momentos bons e ruins. A tendência geral é de que quando as coisas vão bem, o missionário está animado e disposto a continuar. Mas aí as circunstâncias mudam e o seu entusiasmo muda também. Dentre as circunstâncias negativas que mais afetam os missionários eu destacaria doenças dele ou de alguém da família, falta aparente de resultados, oposição política ou falta de sustento.

3. Saber balancear as cobranças da igreja

A igreja, via de regra, cobra muito do missionário. E é, de certa forma, natural e normal que ela cobre. Afinal, ela está investindo financeira e espiritualmente no trabalho. Contudo, há certas cobranças que são demasiadas e acabam por colocar uma carga sobremodo pesada sobre os ombros dos missionários. Muitas igrejas têm um estereótipo do missionário e trabalha com base nele. Parte desse estereótipo inclui vestimentas velhas (geralmente fruto de doações), missionário não pode ter computador, carro, casa, precisa comer de tudo, etc. Se o missionário não tiver sabedoria para balancear essas cobranças da igreja corre o risco de viver para satisfazer essas cobranças e o resultado será uma vida de insegurança e muito estresse.

4. Buscar mais cooperação do que competição

Tenho visto muita competição entre missionários. Competição por primazia, por status e por posição. Isso, de fato, não é novidade. Em Lucas 22:24-27 encontramos os discípulos discutindo entre si sobre quem era o maior.

5. Basear-se tão somente na fidelidade ao Senhor

Um dos textos bíblicos que têm me ajudado muito em minha carreira missionária é 1 Co. 4:2 “O que se requer dos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel”. Não são os resultados, as circunstâncias ou as cobranças da igreja que devem nortear a vida e o trabalho do missionário e sim a sua consciência de que está sendo fiel ao Senhor. Deus em sua soberania concede a alguns o privilégio e a graça de ver muitos frutos (o apóstolo Paulo, por exemplo), a outros, concede o privilégio de morrer sem ver muita coisa acontecer (Estêvão, por exemplo). Isso não importa. O que importa é que Deus sabe quais são aqueles que têm dedicado sua vida e têm trabalhado arduamente para honrar o Senhor e fazê-lo conhecido entre os povos.

Parodiando o texto em que Jesus disse que não devemos temer quem mata o corpo mas não pode matar a alma, e sim temer aquele que pode matar o corpo e jogar a alma no inferno, o missionário não deve trabalhar por medo da igreja que pode cortar o seu sustento, mas não pode julgar sua vida missionária. Ele deve temer aquele que pode julgar a sua vida missionária e que poderá dizer ou não “servo bom e fiel, entra no gozo do teu Senhor”.

Rev. Norval Silva

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