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A dependência em missões

Quando identificamos o chamado de Deus para a obra missionária transcultural, as primeiras preocupações que nos vieram à mente estavam relacionadas com as garantias para nossa sobrevivência, especialmente porque era é o principal tema das perguntas de nossos familiares e amigos. Um conselho que nos ajudou muito foi dado por uma missionária à Tirza: “dê os primeiros passos com cautela mas com a certeza e segurança de que o Senhor suprirá”.

Jesus disse que antes de construir uma torre teríamos que planejar sua obra para não sermos surpreendidos por um mau cálculo. Em missões, nossa previsão tem que incluir uma forte esperança e total dependência na provisão do Senhor, pois a dinâmica da obra missionária passa pelo surpreendente e pelo imprevisto com mais frequência do que muitos pensam. Essa realidade não é um aval para a irresponsabilidade, mas uma constatação que permita viver em um mundo onde a previsibilidade é uma regra quase indiscutível e depender de Deus na perspectiva de “esperar o que não se vê” (Hebreus 11.1) parece coisa ultrapassada.

Casa própria, poupança, investimentos, aposentadoria, estudos dos filhos, entre outras, são questões que estão na cabeça de toda família. Em missões essas questões são avaliadas a partir de algumas perspectivas diferentes das demais famílias: não vivemos em nosso país natal; estamos criando nossos filhos longe de sua terra e provavelmente se casarão e constituirão família por lá; os recursos financeiros recebidos são prioritariamente aplicados na obra evangelística e na manutenção básica e cotidiana da família; os planos de futuro estão vinculados ao desejo de servir ao Senhor no campo transcultural enquanto tenhamos forças e nossos sonhos de consumo estão diretamente ligados à obra missionária.  Além dessas perspectivas, se acrescenta a vida cotidiana de um estrangeiro (um missionário em outra nação), desde a adaptação pessoal e familiar à identificação com a cultura e sociedade para transmitir a mensagem do evangelho.

Vivemos na dependência de Deus, esperando por Sua providência que especialmente em missões chega ate nós através das mãos de igrejas e pessoas. Sabemos que Senhor dará, no entanto não sabemos quando. Não poucas vezes nosso Deus desperta pessoas e igrejas a partir das dificuldades dos missionários, assim, inclusive na falta vemos a providência de Deus.

Como missionários, esperamos o respeito, amor e carinho de igrejas, irmãos e amigos de nosso país e dos nacionais no país onde vivemos. Em nenhum dos casos podemos pressionar ou cobrar, somente nos dispomos a orar e esperar dependendo da ação de Deus. Pela distancia geografica, nossa fidelidade na obra apenas é vista por Deus, e dEle dependemos para que as igrejas e irmãos confiam em nossa palavra. Além disso, o contexto onde vivemos nos leva a trabalhar diante de pessoas sem ética e até sem moral e dependemos do Senhor para que vejam nosso testemunho e sejam tocados, pois sua visão não lhes permite compreender nossa fidelidade ética, a não ser que o Senhor lhes toque.

Nosso compromisso é com o testemunho e a evangelização, o que no expõe a riscos e preocupações, mas depender de Deus é o que nos tranquiliza, conforta, anima e fortalece para caminhar adiante como “que vê aquele que é invisível” (Hebreus 11.27).

Dirceu Amorim de Mendonça

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