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42 milhões de perguntas ou de respostas?

 

Há poucos dias, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os dados do censo 2010 sobre o perfil religioso brasileiro. Além do nosso espanto pelo atraso nos dados – o que os torna razoavelmente desatualizados já na sua apresentação – nós nos espantamos com o aumento do número de cristãos considerados evangélicos no Brasil: 42,3 milhões de pessoas, ou seja, em número de adeptos, a segunda maior religião do Brasil.

 

Por Daniela Xavier

Isso representa um salto bastante significativo, pois, dos 15,4% de 2000, hoje já somos 22,2% dos brasileiros, segundo o órgão oficial da nação.

Não é preciso ser muito perspicaz para saber que isso, nem de longe, representa a realidade. Isso acontece, por várias razões: 1) Números são frios. Não sabemos que “tipo” de evangélico a pessoa que foi entrevistada é (ou pensa que é). 2) Muitos se dizem evangélicos por frequentarem esporadicamente um templo. Ora, assim como uma pessoa não vira um carro se morar numa garagem, ninguém pode se considerar evangélico apenas por simplesmente frequentar uma Igreja. 3) os desviados (ou, “desigrejados”) se consideram, em grande maioria, evangélicos não praticantes, logo, possivelmente, fazem parte dessa massa “evangélica” do IBGE. E assim por diante…

Mas, de qualquer forma, precisamos comemorar, sim! O Evangelho tem crescido no Brasil a despeito das seitas e heresias que assediam à verdadeira Igreja de Jesus; bem como, apesar dos escândalos, das falhas e do pouco senso de urgência que boa parte dos cristãos tem em relação ao Evangelismo e a Missões. Conforme Paulo disse: “o que é mais importante para nós é que o Evangelho está sendo pregado” (Fl. 1:18).

Então, imaginemos agora que o Brasil tem mesmo cerca de 42 milhões de Evangélicos. Muitos deles estão concentrados nos centros urbanos, fenômeno social generalizado em nosso País. Segundo os dados oficiais da Associação Missionária Transcultural Brasileira (AMTB), temos cerca de 6 mil missionários brasileiros em ambientes transculturais, no Brasil (entre indígenas) e no exterior.

Nessa conta, temos a seguinte marca estatística geral: a Igreja Evangélica Brasileira, que tem hoje mais de 150 anos de existência, precisa de 7 mil crentes para gerar apenas 1 missionário transcultural. Se generalizarmos a categoria ‘missionário’, abrangendo os transculturais e os nacionais, temos que, para cada missionário brasileiro, é necessário haver a soma proporcional de 2,8 mil crentes.

Ainda que se questione os números e esses caiam pela metade, por exemplo, é preocupante a postura indiferente da Igreja Brasileira em relação a Missões. Para se ter uma idéia comparativa com o “Campeão Estatístico” em missões na questão de envio de missionários, a Revista Povos do mês de Julho traz uma reportagem de capa sobre a Mongólia. Essa nação recebeu o Evangelho há pouco mais de duas décadas. O Antigo Testamento só foi traduzido há 10 anos. No país, hoje, há cerca de 60 mil crentes. Todavia, a Igreja Mongol, para gerar um missionário transcultural, necessita de apenas 222 crentes! E estamos falando de uma nação pobre, que foi dominada pelo comunismo e está em uma região remota da terra, entre a China e a Rússia.

Recentemente, o missionário e antropólogo Ronaldo Lidório, comentou sobre alguns grupos que nos chamam a atenção no Brasil, em termos de carência de obreiros. Pessoalmente, adicionamos mais 2 grupos ao listados por ele e, a seguir, apresentamos o que acreditamos serem as 10 maiores oportunidades e demandas missionárias para a Igreja Brasileira.

Nossa oração é a de que isso seja divulgado e conhecido, e que intercessores e obreiros se levantem, para que tenhamos, de fato, mudança nesse cenário:

1) Indígenas: o Brasil tem 228 etnias, mas, se somarmos os subgrupos, esse número passa para 340. Dessas, 121 não têm nada disponível do Evangelho em sua língua. Há pelo menos 50 dessas abertas para receberem missionários, mas não há obreiros para ir.

2) Ribeirinhos: no Brasil, existem, pelo menos, 35.000 comunidades ribeirinhas. Dessas, pelo menos 10.000 são consideradas não-alcançadas e sem presença cristã nelas, ou nos arredores.

3) Ciganos: o Brasil tem hoje cerca de 1,2 milhões de ciganos, principalmente, da etnia Calon. Essa língua, antes ágrafa, já está sendo registrada graficamente e, atualmente, a Bíblia já está em processo de tradução. Cerca de 700.000 ciganos ainda não foram evangelizados no Brasil e, segundo missionários que atuam com agências como a “Amigos dos Ciganos”, hoje em dia, por conta de casamentos entre pessoas com consanguinidade muito próxima, que resultam em cruzamentos genéticos recessivos, têm aumentado o número de casos de pessoas com deficiência entre os ciganos, principalmente, surdos.

4) Quilombolas: esses grupos de cidadãos afrodescendentes possuem cerca de 300 comunidades no Brasil, pelo menos. Além de isolados geograficamente, também estão isolados da Palavra de Deus.

5) Sertanejos: em pontos isolados do Nordeste, Mato Grosso e Norte, pesquisas apontam que há, pelo menos, ainda 600 comunidades em que o Evangelho ainda não chegou!

6) Imigrantes: existem muitos que ainda não sabem, mas, hoje, o Brasil é uma das nações mais procuradas quando o assunto é imigração, justamente pela liberdade política, religiosa e social, pelo fortalecimento da economia, entre outros fatores. Dessa forma, atualmente, há cerca de 100 países representados em nosso território. Desses, 27 são totalmente fechados ao Evangelho. Esses imigrantes que estão em nossa nação hoje, estão mais acessíveis à pregação da Palavra de Deus que se estivessem em suas nações de origem.

7) Extremamente pobres: no Brasil, temos milhões pessoas em estado de miséria. Só em São Paulo, por exemplo, temos cerca de 20 mil pessoas consideradas sem teto. Comunicar o Evangelho a eles, além de um desafio ao nosso preconceito, envolve adaptações na nossa linguagem de abordagem, direito público, questões econômicas, igrejas preparadas, como também, conscientes para recebê-los, dentre outros aspectos.

8) Extremamente Ricos: pessoas consideradas de classe alta, de elevada condição social, estão cercados de seguranças e têm um estilo de vida muito peculiar. Atualmente, o acesso a elas é bem limitado e, além disso, existem barreiras de preconceito em muitos casos. Infelizmente, não é uma tarefa simples a comunicação do Evangelho a elas.

9) Pseudo-evangélicos: como sabemos, há um grupo enorme de Brasileiros que já passaram por “igrejas” de teologia questionável, fruto de distorções neopentecostais e seitas que, atualmente, encontram-se altamente feridos, decepcionados e, em alguns casos, revoltados. Essas pessoas acreditam que conhecem a Bíblia, sabem o que ser Igreja e até mesmo a Deus, mas, recusam-se a frequentar Igrejas, por generalizarem sua experiência anterior, acreditando que, de novo, sofrerão abusos espirituais (ou morais). São também conhecidos por desigrejados.

10) Pessoas com Deficiência: genericamente, esse grupo é  composto por pessoas surdas, com deficiência intelectual, cadeirantes, cegos, surdocegos, autistas, ou outras deficiências que impeçam a compreensão, como também, o acesso à pregação do Evangelho. Cada grupo tem uma característica que torna o evangelismo uma tarefa árdua e desafiadora. Aos surdos e às pessoas com déficit intelectual, a situação é um pouco mais complexa, pois, além das barreiras linguístico-cognitivas, é necessário capacitar as Igrejas para poderem recebê-los, bem como, suas famílias, sem demonstração de atitudes de preconceito e nem de subvalorização de suas capacidades. Hoje em dia, humanizar a tarefa evangelística, munindo a Igreja de ferramentas de acesso a esses que constituem uma verdadeira nação invisível, não é nada fácil. E o desafio é grande, pois, segundo as pesquisas, eles já somam aproximadamente 25% da população!

Voltando ao IBGE, ficaremos felizes com esses números ou preocupados diante da a explícita denúncia que eles trazem consigo de que, quantidade não implica qualidade? Indo além das estatísticas do IBGE, o que é que nós representamos para o Seu Reino, como Sua Igreja?

Acreditamos que a Igreja Brasileira pode fazer uma enorme diferença na propagação da mensagem no Brasil e fora dele. Temos em nossa nação, cristãos suficientes para evangelizarmos o Brasil inteiro, distribuindo crentes em lugares onde não há presença do Evangelho. De um modo geral, podemos afirmar que nosso problema é demográfico. Há uma “má distribuição de crentes” no Brasil. Eles existem, só não estão em todos os lugares, não tem sido mobilizados, e nem têm estado maduros na fé o bastante para se moverem de sua zona de conforto rumo à soberana vocação em N’Ele (cf. Ef. 4, Mt. 28:18-20).

Quando falamos de nações não-alcançadas, temos uma realidade em que esses crentes praticamente não existem. Não existem igrejas, e, em alguns casos, não existe nem mesmo a Sua Palavra traduzida. Temos 3.000 línguas sem a Bíblia traduzida por completo. Há mais de 2.200 povos não-alcançados e, desses, 890 são considerados “resistentes”.

Que não esqueçamos a razão da esperança que há em nós e que fiquemos atentos, pois, hoje, temos 42 milhões de motivos para nos preocuparmos ainda mais com a causa do Evangelho em nossa nação!

Portanto, vale lembrar que não é outra a razão de sermos “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus”, a não ser para “anunciar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz” (cf. I Pe. 2:9).

Maranatha! 

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