Como foi o estágio do CFM 2018 na Missão Caiuá


O estágio é uma disciplina obrigatória do curso, realizado em algum campo da APMT na América do Sul e é também um pré-requisito para quem deseja ser missionário da Agência.

 

Colocando em prática o aprendizado transcultural em sala de aula, os alunos do CFM passaram 15 dias entre os indígenas da etnia Kaiowá em Amambaí, MS, local escolhido para ser o 12º Estágio Transcultural do curso.

Uma equipe formada de 23 pessoas, composta ainda por mais seis crianças e quatro bebês, viajou de diversos lugares do Brasil e também do México, Argentina e Espanha, para servirem na Missão Cauiá por meio de diversas atividades como: evangelismo, visitas ao asilo e presídio local, aconselhamento, auxílio em uma obra de construção, programações com crianças, adolescentes e mães.

As atividades foram supervisionadas pela coordenadora do CFM, Mônica Mesquita, com o apoio dos missionários locais, como a Miss. Rosa Maria, missionária da APMT que há dois anos serve na região com projetos de assistência odontologia, discipulado e evangelismo; a miss. Ester, líder Kaiowá há 20 anos trabalhando na Missão, e Sérgio e sua família, que há 17 é um servo dedicado no trabalho da Missão.

O Rev. Jose João, missionário da APMT na área de pastoreio missionário, também esteve presente aconselhando cada uma das famílias. Ouvindo seus anseios, sonhos, problemas e, principalmente, motivando-os sobre a importância da vida devocional diária, mesmo em meio à agenda cheia de atividades do estágio.

Todos os dias os alunos realizavam uma devocional em conjunto, com louvor e leitura da palavra e um momento de compartilhar incríveis histórias do chamado missionário de cada um. Um momento importante para comunhão entre os participantes do estágio, além da oportunidade única de serem encorajados pelo testemunho de muitos, quanto ao sustento, direção, capacitação e reviravoltas que Deus fez em suas caminhadas de fé e vida missionária.

A primeira semana do estágio foi dedicada a visitas às casas de indígenas membros das igrejas e evangelismo na casa de algumas famílias que ainda não eram convertidas. Enfrentando a barreira da língua – as crianças e os mais velhos ainda falam a língua Kaiowá, somente uma parcela compreende bem o português – e do conhecimento da cultura local, nossos missionários puderam vivenciar a complexidade de compartilhar a mensagem do evangelho de uma forma inteligível e de fácil compreensão a um povo que tem outra língua como materna e também de pouca instrução.

As quartas e aos domingos, a equipe dirigia o culto, louvor e os estudos bíblicos juntamente com os membros locais, algumas vezes sendo guiados por um interprete da aldeia, que traduzia a mensagem para a língua e fazia a leitura da Bíblia, que já existe na língua em Kaiowá. Nossos tradutores oficiais, que sempre nos acompanharam nas visitas, eram o casal Djalma e Gisele, que futuramente irão se capacitar para se tornarem obreiros local, e Dona Udulha, que há 60 anos tem servido fielmente na Missão.

Na primeira semana também, a equipe pode ajudar na obra que será a futura casa de hospedagem para caravanas que vêm das igrejas e também realizaram visitas ao asilo e ao presídio masculino, ambos na cidade de Amambaí. Infelizmente, em um ano, o presídio recebeu 19 novos indígenas. No ano passado, quando o CFM visitou a mesma aldeia, havia apenas um indígena preso. A região é marcada por muita violência, devido ao tráfico de drogas com a proximidade da fronteira com o Paraguai.

Já na segunda semana, a programação foi intensa. Uma EBF de três dias foi organizada em uma escola da Aldeia do Limão Verde, e a cada novo dia o número de crianças aumentava. Ao final, fechamos o evento com mais de 150 crianças, que puderam ouvir sobre o Deus criador, seu plano de salvação e sobre seu filho Jesus.  E no sábado, foi realizado uma “Tarde da Alegria” na sede da Missão, em que 200 crianças estiveram presentes.

Paralelo às atividades da EBF, as mães também puderam participar de uma oficina de artesanato. Ao final de três dias, as mulheres que começaram tímidas e sem jeito para a agulha, confeccionaram lindos cachecóis e outras lembrancinhas, além de participar de momentos de devocional.

Os adolescentes também participaram da EBF, compartilhando com nossos missionários sobre as tentações da juventude e como Jesus pode nos fortalecer e nos livrar delas. A equipe pode investir bastante na vida dos adolescentes da aldeia, outras programações específicas para eles foram organizadas, com noite de talentos e um acampadentro com 50 jovens presentes, em que diversos deles vieram se aconselhar posteriormente com a equipe após o testemunho de dois de nossos missionários, um deles, um indígena da etnia Kulina da região do Acre. Durante a EBF do Limão Verde, duas meninas de 17 anos entenderam o plano da Redenção e oraram entregando suas vidas a Cristo: Joice e Naciely.

Estima-se que hoje existam 12 mil indígenas da região de Mato Grosso do Sul e atualmente a aldeia conta com uma igreja, duas congregações e uma congregação em Limão Verde, uma aldeia vizinha, ainda sem obreiro. Uma realidade transcultural brasileira, perto de muitas igrejas, porém onde impera a máxima de que a seara é grande e os trabalhadores ainda são poucos.

O estágio durou apenas 15 dias, um tempo relativamente pequeno para uma tarefa tão grande de apoiar a Igreja indígena ali formada, capacitando seus membros para alcançar tantos indígenas que ainda não conhecem a Cristo. Mas mesmo neste curto tempo, o agir de Deus foi tremendo, tanto na vida daqueles que se converteram, como na caminhada cristã de irmãos indígenas que precisavam de encorajamento, mas, principalmente, na família e ministério dos nossos missionários, que viveram experiências incríveis, ao conhecer irmãos em cristo de outras culturas, sentir o desafio da obra transcultural e consolidar ainda mais o chamado que Deus deu a eles.

Nossa oração é para que tantos outros frutos sejam colhidos pelos missionários que lá ficaram discipulando e acompanhando o crescimento da igreja indígena. Durante a estadia do CFM na aldeia, os alunos puderam perceber a Obra que Deus tem realizado ali há 90 anos, e de como o Senhor tem capacitado uma liderança autóctone para ser luz entre o próprio povo.  E com o coração alegre se despediram do povo ouvindo uma benção de gratidão pelo carinho e serviço dedicado a eles nesses 15 dias: "Ñandejara Tanderovassã" - que o senhor os abençoe!

Para ver as fotos do trabalho dos alunos do CFM durante o Estágio na Missão Caiuá clique aqui.

 

 

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