158 anos da IPB: O que temos a comemorar e a lamentar?


Por: Rev. Paulo Serafim

 

Quando Ashbel Green Simonton, embarcou rumo ao Brasil em18 de junho de 1859 e desembarcou no Rio de Janeiro, dia 08 de agosto do mesmo ano, não imaginava que a semente presbiteriana plantada por ele em solo tupiniquim, viria a se tornar essa grande árvore que é a IPB hoje. Se pudesse ver os dados estatísticos de 2016 da secretaria executiva, certamente Simonton ficaria contente com o agir gracioso de Deus na vida da sua filha espiritual: 2805 igrejas; 2263 congregações; 993 pontos de pregação; 12.622 presbíteros; 17.140 diáconos; 4.475 pastores; 799 evangelistas; 1351 missionários e 649.510 membros.
 

Outros dados que refletem o seu crescimento são seus seminários, escolas, universidade e autarquias como a Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT). Atualmente a APMT conta com cerca de 200 missionários, espalhados por 40 países do mundo, proclamando o evangelho de Cristo, fazendo discípulos de Jesus, plantando igrejas, formando líderes nacionais, traduzindo a Bíblia para os idiomas nativos e desenvolvendo projetos sociais nas áreas de educação, saúde e nutrição.
 

Outro fato a se comemorar em agosto é o aniversário da IPB e o mês de missões, devido a chegada de Simonton no Brasil em 12 de agosto de 1859. Nesse mês várias igrejas presbiterianas organizam conferências missionárias; convidam missionários para pregar e falar dos seus projetos missionários, trazendo despertamento dos crentes para a obra missionária no Brasil e no mundo. Eu mesmo, no mês de agosto, recebo tanto convites para pregar e falar de missões, que seriam necessários uns 10 finais de semana para atender todos os convites recebidos.
 

Com toda certeza, temos muito a comemorar neste 158 da IPB. Os principais motivos são: o crescimento numérico, financeiro e estrutural da igreja; a firmeza bíblica e doutrinária da igreja, que continua apegada às Sagradas Escrituras, como Palavra inspirada de Deus e a Confissão de Fé de Westminster, além dos catecismos Maior e Breve, sendo “um baluarte da verdade” e da teologia reformada nos dais hoje; o aumento de missionários transculturais enviados através da APMT e uma maior participação das igrejas em projetos de parceria com seus missionários.
 

Dia de festa não soa agradável lamentar, porém, desejoso de ver a IPB cada vez mais avançando como uma igreja missionária ou missional, como comumente está sendo chamada uma igreja que tem todos os seus membros enviados ao mundo em missão e participando ativamente dela; não poderei deixar de fazer algumas lamentações ocasionais, sem a pretensão de ser queixoso, melancólico, pessimista ou estraga prazer.
 

Quero primeiro chamar a sua atenção para a diminuição do percentual de crescimento da IPB, que em 2005 foi de 5% e em 2016 foi apenas de 2%. Esse índice de crescimento é perigoso; pois, pode vir a ser menor do que o número de mortes, transferências de membros para outras igrejas e desfiliação; criando a médio e a longo prazo um declínio na membresia da igreja. Situação que já acontece na Europa, Estados Unidos e agora com forte tendência no Brasil entre as igrejas evangélicas históricas.
 

Também precisamos refletir na importância de plantamos novas igrejas e de revitalizar muitas existentes. O número de igrejas organizadas nos últimos anos tem permanecido estático, em torno de 50 e muitas igrejas organizadas estão com dificuldades de se manter e crescer, além das que estão diminuindo a cada ano. Graças a Deus que plantação e a revitalização de igrejas tem merecido destaque em congressos e seminários da IPB. Todavia, precisamos sair do discurso para uma ação mais efetivas nestas duas frentes.
 

Ainda é digno de mencionar, que pelo número de igrejas e recursos que temos, poderíamos no mínimo enviar o dobro de missionários para os 4 cantos da terra e plantar um número maior de igrejas no Brasil e no mundo. Temos muitas igrejas presbiterianas que não são fiéis ao Supremo Concílio nos dízimos e nem são parceiras de nenhum missionário ou projeto missionário. Agosto é um bom mês afim de que chamemos a atenção para essa realidade, bem como lembrar que ele não é o único mês que devemos falar e fazer missões.

Se pensarmos como Jesus, entenderemos que missões não é algo para um grupo da igreja, mas para todos os seus membros; não é uma programação da igreja, mas sua atividade diária; não é parte da igreja, mas sua vida, sua essência, sua totalidade, sua razão de existir no mundo. [...] A missão da igreja é realizar a missão de Deus de abençoar todos os povos da terra com o evangelho do seu Filho Jesus Cristo. Quanto esforço, tempo, dons, oração e dinheiro temos investido nessa missão?

Graças a Deus, temos mais motivos para comemorar do que para lamentar e como agosto é um mês festivo, quero terminar louvando e agradecendo a Deus pelos 158 anos da IPB e pela sua atuação no Brasil e no mundo na realização da missão de Deus de alcançar todos os povos da terra com o evangelho de Cristo Jesus. Como testemunha e participante, juntos com outros missionários da APMT, na implantação da Igreja Presbiteriana da Guiné-Bissau (IPGB), filha direta e legítima da IPB, parabenizamos nossa amada igreja mãe, rogando a graça do bom Deus sobre ela e sobre suas filhas, que continuarão sempre ligadas pelo amor de Cristo, pela Palavra de Deus, pela gratidão e pelo respeito.

 

 

 

 

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