Vendo as pessoas por trás dos números


“Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro pertence a salvação” (Apocalipse 7.9-10).

O apóstolo João, no capítulo sete de Apocalipse teve uma bela visão dos redimidos no céu louvando a Cristo pela sua grande salvação. Ele vê uma grande multidão de pessoas, que ninguém podia enumerar de todos os povos, tribos, línguas e nações em atitude de adoração. É uma visão do céu e do futuro que traz implicações para a terra e para o presente. O Cordeiro que é adorado no céu morreu na terra e a multidão que está no céu vem da terra também. Por isso, esse texto fala diretamente a igreja e a desafia para a pregação do evangelho em todo o mundo, a todos os povos da terra. Ele fala de uma multidão por quem Cristo morreu, portanto, uma multidão composta de pessoas individualmente, alvos do seu amor e do seu cuidado eterno.

Analisar dados, estatísticas e números friamente sem se importar com as pessoas que estão por trás deles não é uma atitude que faz jus ao amor de Cristo pelos pecadores, consequentemente não é atitude cristã. Ao tratarmos de números e dados estatísticos devemos sempre nos lembrar que por trás deles existem pessoas com rostos, história, angústias, esperanças e uma grande necessidade da graça de Deus em Cristo Jesus. São pessoas amadas por Jesus, que devem ser alvos do nosso amor também. Com isso em mente, chamo sua atenção para alguns dados sobre religião no Brasil e no mundo e qual deve ser a nossa resposta como igreja missionária em relação a eles.

O último censo do IBGE de 2010 sobre religião no Brasil mostrou o crescimento contínuo dos evangélicos que hoje são 22.2% (42.275.000 habitantes) da população, mas revelou que o catolicismo ainda tem o maior número de adeptos: 64.6% da população (123.972.521 habitantes). Os que se declararam espíritas são: 2% da população (3.848.876). Os dados revelaram também um crescimento no número de pessoas que se dizem sem igreja ou sem religião e o alinhamento com a tendência mundial do crescimento do Islã. Cerca de 35.000 pessoas se declararam muçulmanas no Brasil.

O missionário e pesquisador Ronaldo Lidório destacou os sete segmentos menos evangelizados no Brasil que são um grande desafio para igreja evangélica brasileira:

1.Indígenas: 121 tribos sem acesso direto ao evangelho;

2.Ribeirinhos: 10.000 comunidades sem igrejas;

3.Quilombolas: 2.000 comunidades sem igrejas;

4.Ciganos: 700.000 pessoas sem o evangelho e apenas 14 missionários;

5.Sertanejos: 2.000 assentamentos sem acesso direto ao evangelho;

6.Imigrantes: mais de 100 países representados no Brasil, dos quais 27 deles são fechados ao evangelho;

7.Os mais ricos dos ricos e os mais pobres dos pobres: São aqueles que moram em condomínios de luxo e aqueles que moram debaixo da ponte ou nas ruas das grandes cidades.

Que Deus dê a graça do crescimento saudável à igreja evangélica brasileira e a sustente como uma força evangelizadora para seu próprio povo, pois há muito trabalho de evangelização, plantação de igrejas e discipulado a ser feito no Brasil, especialmente entre esses sete segmentos menos evangelizados mencionados acima. Graças a Deus, vemos um recente despertar como a tradução da Bíblia e do filme Jesus para os ciganos, mas de forma geral a igreja precisa abrir seus olhos para ver essas pessoas por trás desses números.

Como o campo de Deus é o mundo, saiamos um pouco do Brasil a fim de viajarmos até os confins da terra. A população da terra hoje está em 7.200.000 de habitantes. Dessa quantidade, 31,5% são cristãos; 23,2% são muçulmanos; 16,3% são ateus ou sem religião; 15% são hindus, 7,1% são budistas, 5,9% seguem as religiões étnicas e 0,2% são judeus. Talvez, dessa porcentagem de cristãos, apenas 10% seja composta de evangélicos de verdade, ou seja, pessoas que tenham Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas e o seguem como discípulos neste mundo.

Segundo o Centro Mundial para o Estudo do Cristianismo existem 400.000 missionários cristãos no mundo. O primeiro país que mais envia missionários ainda é o Estados Unidos com 127.000; o segundo é o Brasil com 34.000; seguidos pela França, Espanha, Itália, Coréia do Sul, Reino Unido, Alemanha, Índia e Canadá, respectivamente. Foi observado ainda que a maioria dos missionários são enviados para os países de maioria cristã e apenas 9% são enviados para países de minoria cristã. O nosso desafio é enviar mais missionários, priorizando os países de minoria cristã.

Depois de lermos esses dados, estatísticas e números, sabendo que há pessoas por trás deles que devemos amar como Jesus as ama, quais devem ser nossas atitudes em relação eles? Primeira atitude: oremos incessantemente para que a obra missionária avance no Brasil e no mundo. A oração é parte essencial do desafio missionário da igreja. Segunda atitude: sejamos uma testemunha de Jesus onde estivermos para que as pessoas conheçam o amor de Deus através das nossas vidas. Terceira atitude: coloquemos a nossa vida, dons e recursos à disposição de Deus para que ele nos use como instrumentos úteis no seu reino, seja no Brasil ou fora dele. Quarta atitude: assumamos o nosso papel como celeiro de missões para o mundo, enviando missionários, plantando igrejas e treinando líderes no mundo todo. Quinta atitude: busquemos a graça e o poder que vem do Espírito Santo de Deus, pois sem ele nada poderemos fazer em missões. Por fim, acima de tudo, amemos a Jesus e nos interessemos por pessoas. Que Deus nos abençoe! Amém.

 

Rev. Paulo Serafim,

APMT – Guiné-Bissau.

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