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Eleição e Evangelização: estímulo ou obstáculo?


 

Não sou polemista, nem vivo combatendo quem pensa diferente de mim no campo teológico. Todavia, não fujo à responsabilidade quando chamado a responder sobre questões chaves da fé cristã e, de forma particular, da fé reformada. Seja no Brasil, na Guiné-Bissau ou em qualquer parte do mundo, todos que não acreditam ou têm dúvidas sobre a doutrina da eleição sempre farão esta pergunta crucial: “Se Deus tem os seus eleitos, então, para que evangelizar?” Como se a doutrina da eleição fosse um obstáculo à evangelização ou missões.

Neste artigo, tentarei mostrar que a dou- trina da eleição ao invés de empecilho, como muitos pensam, pelo contrário é um grande estímulo para a evangelização ou para a obra missionária da igreja. Demonstrarei isso através da Bíblia e da prática missionária da Igreja Presbiteriana do Brasil e da Igreja Presbiteriana da Guiné-Bissau, principalmente nos últimos dez anos.

As Escrituras Sagradas afirmam nos textos de Efésios 1.3-5 e 2.8,9 que Deus nos escolheu para salvação, desde a eternidade, baseado não em nossos méritos ou na previsão de que aceitaríamos Jesus Cristo como nosso Salvador, mas por causa da sua graça soberana: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem de obras para que ninguém se glorie”. Entretanto, o mesmo decreto que inclui a nossa salvação, inclui também o meio para que ela se concretize: a fé em Jesus pela pregação do evangelho e toque do Espírito Santo. “E, assim, a fé vem pela pregação, e pregação pela palavra de Cristo” (Rm. 10.17). Portanto, não podemos separar a eleição na eternidade e pregação do evangelho no tempo e na história. Quem crê na eleição também crê que se deve pregar o evangelho, pois ambos fazem parte do plano de Deus para a salvação dos pecadores.

Parte importante da nossa vida é viver para obedecer a Deus e sua vontade revelada na Bíblia. A Bíblia é clara na ordem para todos nós pregarmos o evangelho e, de forma mais direcionada, fazermos discípulos de Jesus dentre todos os povos da terra. Basta ler os textos da grande comissão em Mateus 20.18-20 e Marcos 16.15: “Ide, Portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo... E disse-lhes: Ide por todo o mundo

e pregai o evangelho a toda a criatura”. Pregamos o evangelho em obediência a Deus.

Outro aspecto importante é que o fato de Deus ter os seus eleitos significa que a evangelização sempre dará resultados em qualquer lugar que for realizada, porque Deus sempre salvará os seus, mesmo que os homens, Satanás e o mundo tentem impedir. Foi essa verdade que Deus usou para fortalecer o apóstolo Paulo que sofria lutas e oposição em Corinto: “Teve Paulo durante a noite uma visão em que o Senhor lhe disse: Não temas; pelo contrário, fala e não te cales; porquanto eu estou contigo, e ninguém ousará fazer-te mal, pois tenho muito povo nesta cidade”. (At 18.9,10).

No novo Testamento, as duas pessoas que mais ensinaram sobre a doutrina da eleição foram as que mais se dedicaram à pregação do evangelho, a custa de suas próprias vidas. Quem foram essas pessoas? Jesus e o apóstolo Paulo. Jesus deixou claro aos seus discípulos que não foram eles que o escolheram, mas Jesus que os escolheu para salvação e ministério apostólico: “Não fostes vós que me escolhe a mim, pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros...” (João 15.16). O apóstolo Paulo, falando de sua dedicação à obra missionária, disse o seguinte: “Porém em nada con- sidero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20.24).

A Igreja Evangélica Brasileira como um todo, seja ela de linha arminiana ou calvinista, tem começado a entender o seu papel como celeiro de missões para o mundo. A Igreja Presbiteriana do Brasil, de linha calvinista, graças a Deus tem se levantado como uma força missionária, tanto no Brasil quanto no mundo. Pela graça de Deus, a IPB tem crescido a cada ano em número de igrejas e em número de missionários enviados pelo mundo através da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT).

A Igreja Presbiteriana da Guiné-Bissau (IPGB), fruto do trabalho missionário dos missionários da APMT, também tem crescido e entendido seu papel como instrumento de Deus para avançar na Guiné- -Bissau e também em toda a África. Atualmente, a IPGB já conta com uma liderança nacional forte e disposta a levar o evangelho a outros povos, tanto da Guiné-Bissau quanto de outros lugares do Continente Africano e do mundo.

Hoje, já não se pode negar a participação efetiva dos missionários da APMT na evangelização dos povos indígenas brasileiros, do povo europeu, do povo asiático, do povo do Oriente Médio, do povo latino- -americano e do povo africano. Recomendo a leitura da revista “Alcance” para maiores informações nessa questão. Portanto, baseado na Bíblia e na prática missionária dos presbiterianos, adeptos da doutrina da eleição, concluo, dizendo que a doutrina da eleição não é um empecilho, mas, antes, um tremendo estímulo e incentivo para a evangelização e missões mundiais. “Ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!”

 

Paulo Serafim

rev_serafim@yahoo.com.br

 

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