Cartas de Missionarios

Rev. Dirceu Mendonça e Tirza (Espanha) 20/04/2017


Existe pobreza e fome na Europa?

Conta-se que uns jornalistas perguntaram a um governante europeu sobre como erradicar a pobreza e a fome. Para surpresa de todos, sua resposta foi uma irônica pergunta: que é pobreza e o que é fome?

Na verdade essa história não passa de um mito disseminado especialmente nos países do terceiro mundo, porque a Europa tem muita pobreza e muita gente está classificada nos  parâmetros da fome. A ausência de violência e mendigos pelas ruas de muitos países europeus ajuda na divulgação desse mito.

O pobre europeu está localizado nos países periféricos do leste, nos bairros ciganos ou de maioria imigrante, em redutos de prostituição e drogas e em alguns centros antigos das grandes e famosas  cidades e a fome se encontra em meio a esses pobres.

A Europa vem de uma tradição feudal, para não dizer que vive uma forma de feudalismo moderno, claramente representado por um fascismo político, sempre atual, principalmente em épocas eleitorais.

Nesse sistema, o pobre tem uma função servil e secundária,  sempre escondido como um inocente útil,  valioso para a manutenção das classes empresariais e calado pela opressão dos poderes. O clima frio ajuda a tapar ou maquiar essa pobreza, já que todos estão vestidos e bem cobertos, aparentando o que realmente não são.

A fome leva a muitas dessas famílias a secretamente buscar ajuda em centros sociais,  tudo mantido sob bastante sigilo.   O orgulho de alguém que estudou pelo menos até os 16 anos (por obrigação imposta por lei) e que se sente capacitado a  debater sobre história e política, se transforma em mais um instrumento de disfarce da pobreza.  Uma pessoa tão culta não é pobre, é alguém sem oportunidades, dizem muitos.

No livro "Os miseraveis", Victor Hugo joga com a palavra "miserável",  usando-a para os políticos inescrupulosos, para os bajuladores e opressores de segundo escalão (servis aos poderosos), tambem aos pareas marginados moral e judicialmente (chamados escoria) e finalmente para os pobres e famintos, estes sim submetidos à uma miserabilidade concreta, porque não podem trabalhar (por mecanismos proibitivos estruturais) e por isso mendigam,  não com pratos na mão mas com direito a ajudas  inventadas pelos governos para que se mantenham sempre dependentes.

Algumas vezes os miseraveis europeus se cansam e se levantam,  como disse George Orwell, no livro "Revolução dos porcos", até se tornarem opressores, deixando a outros a classificação de pobres miseráveis, pois eles agora são os algozes miseráveis,  havendo sido em algúm momento traidores miseráveis.

As grandes empresas européias são instrumentos poderosos de exploração da pobreza ao redor do mundo,  mas não para levar riqueza e desenvolvimento a Europa, na verdade  buscam produzir poder para sua classe aristocrática e egolátrica, pois os primeiros a serem explorados são os seus próprios conterrâneos.

Sim, há pobres e famintos na Europa, mas não podem ser vistos,  pois assim a Europa perderia sua magia e o resto do mundo descobriria que todos de fato desejam tornar-se europeus, não pela heranca genética, pela beleza ou pela cultura, mas pela hipocrisia.

Que o Senhor nos dê sabedoria para pregar a Cristo, adorando-Lhe, servindo-Lhe, socorrendo aos pobres e desmascarando aos hipócritas que se utilizam dos que mais sofrem para seu próprio bem.

Dirceu Amorim de Mendonça

Comentários